Com a ambiência leve e positiva da banda Pete sex videosSoul in Groove como trilha sonora, a Tecnoblu Your ID apresentou na última segunda-feira a live “Em Casa + Café + Música + Conversa Boa”. Cristiano Buerger, CEO da companhia, foi o mediador da transmissão, que de forma relaxada e informal abordou as tendências para o desenvolvimento de produto.
A lista de convidados chamados a refletir sobre o tópico agrupou nomes com expertise tanto em varejo quanto criação: Marta Ciribelli, atual estilista da Animale, Walter Rodrigues, estilista e coordenador do Núcleo de Design do Inspiramais, Gabriela Rizzo, fundadora da Pesponto – Consultoria e Educação em Negócios de Moda, e Giu Castelo Branco, especialista em denim.
Entre as tendências apontadas pelos convidados, destacaram-se as mudanças no trabalho das viagens de pesquisa, a necessidade vista como mote para inovação, o fim da produção dos “excessos” e o momento único de se trabalhar a essência do produto em sua melhor e mais atenta versão.
Seguindo o astral leve da curadoria musical eleita como cortina para transmissão, Cristiano Buerger pediu que cada convidado apresentasse uma ação positiva que ocorreu durante o isolamento. A beleza de atividades simples como a pintura de ovos de páscoa, a realização de projetos pessoais, como a criação de uma horta e a aproximação da família foram algumas conquistas compartilhadas. As transformações profissionais também foram mencionadas, em especial os ganhos de produtividade e objetividade obtidos a partir do trabalho remoto.
A dúvida sobre como trabalhar o produto no momento de instabilidade provocado pelo novo coronavírus foi levantada por Cristiano. “O Brasil é muito pulverizado na questão do varejo”, opinou Gabriela Rizzo. “O fast fashion é um modelo de gestão que surgiu na Europa, e se baseia em três pilares” a velocidade, que é o fast, a moda, que é o fashion; e a centralidade no cliente”, elucidou.
“O que sempre alimentou esse sistema foi a questão da mudança programada, e hoje estamos vendo que os consumidores estão buscando outros valores: ser é mais importante do que ter, e experiência vale mais”, completou.
Complementando a reflexão, Giu Castelo Branco trouxe o contexto de tendências de comportamento que já estavam sendo mapeadas antes da pandemia e tem ganhado velocidade de adesão. Citando sustentabilidade como uma das mais importantes, destacou acreditar que “os consumidores vão procurar cada vez mais marcas com propósito”. Ainda entre as mudanças direcionais, enfatizou o “fim do excesso”, o consumidor vai acelerar o fim de uma produção muito maior do que o consumo”.
Por fim, a especialista mencionou a tendência conforto, como consequência de se ficar mais em casa. “Se eu tivesse uma marca minha, faria coleções menores, pensando o produto com mais essência, para gerar menos sobras”, compartilhou Giu, enfatizando também a versatilidade como elemento fundamental. “Penso em modelagens mais clássicas, ganchos mais soltos, produtos duráveis, um jeans feito para durar”, acrescentou.
Concordando com as direções que apontam para uma produção mais enxuta, Marta Ciribelli destacou que a pandemia vai implicar em “escolhas de consumo mais aprimoradas”. “Acho que vai haver mais singularidade, a escolha será mais preciosa”, explica. A estilista também validou a estratégia de se trabalhar uma pitada de alegria no produto, bem como o humor inteligente para que o consumidor fique feliz e ao sair na rua seja notado.
“O Brasil é um dos três únicos países com cadeia de moda completa no mercado”, lembrou Cristiano questionando os participantes quanto às estratégias para que o país assuma tal posição, especialmente através da cadeia do denim.
Concordando com Cristiano, Giu Castelo Branco afirmou que industria do jeanswear tem um grande papel para ajudar a cadeia. “Tenho visto varias movimentações – fibras naturais que podem ser incorporadas no índigo como cânhamo e café”, citou a especialista mencionando também a tecnologia do jeans biodegradável, os tingimentos feitos com alga marinha, entre outros acabamentos menos poluentes.
“Tem muita inovação para ser trazida, como parte da circularidade […] Outra coisa que vejo que deve haver uma aposta cada vez maior em como fazer variações do denim moletom, bem como toda tecnologia do elastano que possa proporcionar elasticidade e toque”, concluiu.
“Produto é prestar atenção na sua arara, prestar atenção no que você está fazendo, e no que está saindo”, disse Walter Rodrigues.”Eu diria que o produto hoje, mais do que encantamento, precisa ser necessário e a necessidade para mim é a mãe da inovação”, afirmou.
O estilista também destacou a importância de se trabalhar a identidade da moda nacional, calcada no conceito de sustentabilidade. “Neste primeiro momento acho que devemos pensar no reaproveitamento dos estoques, até porque a China ficou parada por muito tempo logo temos o desafio de construir material para repor o que não veio de lá“, explicou Walter.
“Ao mesmo tempo teremos que acelerar as pesquisas com viés da sustentabilidade pois entendemos que isso é o novo que pode resgatar o encantamento da moda […] Não é que amanhã todos vão ser sustentáveis ou virar slow, teremos que pensar no caminho desafiador do meio, que implica em unir estas forças e caminhar para uma moda que ande neste sentido”, finalizou.
Fonte: Vivian David | Fotos: Reprodução
















