Tendências para o mercado denim na visão dos profissionais do setor

Cada ano novo traz no seu começo um perfume otimista. Com doze meses disponíveis pela frente; parar e pensar onde estamos e para onde queremos ir é mais do que um ritual: é estratégia para evolução. No entanto, quando esse contexto é levado para o fashion business, os caminhos que idealizamos impreterivelmente são condicionadas pelas tendências de mercado. Para entendê-las, precisamos olhar para trás.

Denim em alta nas coleções – Vicunha

O ano de 2019 foi marcado por uma compreensão mais diversificada da visão de sustentabilidade, por um fraco nostálgico pelo passado recente, e pelo avanço dos métodos de tingimento do denim, que se tornaram mais sustentáveis. Como isso vai ser refletir no mercado denim nacional, é a grande questão. Sendo ele um setor fragmentado e grandioso, cada elo da cadeia tem sua visão e sua aposta.

Por isso reunimos diversos profissionais do setor, para com sua contribuição identificar quais as tendências que prometem impactar com força maior o mercado denim brasileiro em 2020.

Para falar do contexto comercial, chamamos Francisco Gonzales, da Vicunha. Já opinando sobre as direções das alquimias que envolvem o jeans, convocamos Ciro Carnevalli, da CHT. E buscando desmistificar as lavagens que são desejo, a voz foi dada a Hiago Martins, da lavanderia Cristal.

Uma era de triunfo para o denim

De acordo com o coordenador de marketing da Vicunha, Francisco Gonzalez, 2020 é um ano onde o jeans vai reinar triunfante não apenas nas coleções mas também nas Maisons. “Ele retorna com outra cara, mais esportivo, vintage e vai ocupar cada vez mais o lugar de destaque que sempre teve, adotando leitura atemporal dos azuis aos blacks”, explica. Na opinião dele, 2020 vai ser um ano que vamos ver muito o jeans nas coleções.

Morfologia nos acabamentos femininos

Para Hiago Martins, administrador da Lavanderia Cristal, a morfologia nos acabamentos será uma das tendências mais fortes para o denim feminino. “Em 2020 o denim feminino vem mais básico dispensando efeitos de sujinho e sobretinto”, alerta.

“Os bigodes também serão mais sutis e delicados, com poucos rasgos e posicionados no lugar correto, sugerindo um aspecto mais natural”, afirma. Um dos fatores que move esta preferência, é justamente a consciência de consumo, e a busca por peças mais atemporais.

Fashionismo no jeans masculino

Se no que diz respeito a lavanderia o denim feminino tende a adotar um visual mais limpo, o masculino promete roubar a cena em 2020. “O jeans masculino vem com bastante brilho nos aviamentos, muito fashion, com muitos rasgos, mantendo a pegada vintage mas muito jovem e urbano”, afirma Hiago. Portanto, na dúvida entre arriscar ou não um efeito mais corajoso, para as coleções masculinas, a palavra de ordem é ousar.

Adesão acelerada à sustentabilidade

Para Ciro Carnevalli, responsável pelo mercado de lavanderia de jeans para o Cone Sul da CHT, a força com que o regulamento ZDHC (zero de descartes de produtos químicos) está se impondo no mercado nacional tende a acelerar a adesão a processos mais sustentáveis no Brasil.

Em um primeiro momento, na opinião de Ciro, essa exigência deverá impactar a indústria impulsionando a união de maquinas com empresas que desenvolvem produtos verdadeiramente sustentáveis, com composições orgânicas ou ciclo de vida biodegradável, e forçando uma transparência cada vez maior por parte das marcas no mercado.

Processos de nebulização em alta

Como consequência de uma adesão mais acelerada das marcas aos processos sustentáveis, de acordo com Ciro Carnevalli além da alta do uso do laser e do ozônio a nebulização entra com mais força no mercado. “Além da facilidade na nebulização, você elimina de 80 a 90% o uso de água da estonagem ao clareamento por isso esse é um processo que entra forte no mercado e promete se estabelecer”.

Consumismo extremo em queda

Quanto maior a consciência, menor o consumo. E essa é uma importante direção na opinião de Ciro Carnevalli que tende a forçar mudanças na indústria.

“Consumo ao extremo não vai mais existir. Tem muitas empresas que pensam que a produção em massa vai voltar mas para mim isso não existe mais”, opina. Como consequência a indústria tende a rever seus conceitos e mudar suas práticas de forma mais corajosa durante o ano.

Cores para o paladar nacional

O valor das cores para as coleções de moda deverá ser uma forte tendência para a indústria mundial, graças aos já mencionados avanços nos processos de tingimento, que vão motivar a descoberta de tons diferenciados. Pigmentos e mesmo o próprio processo de nebulização deverá ser um condutor para esta tendência.

Como somos um país rico em cores e luminosidade, trata-se de uma direção com potencial para agradar ainda mais o paladar dos brasileiros. Além de novos tons, a ideia do look monocromático intenso deverá permanecer em alta.

Upcycle embutido na modelagem

O upcycle é uma tendência forte nas passarelas que já está se confirmando nos desfiles internacionais referenciais para o nosso inverno 2021. E como o Brasil é permeado por comunidades e mão de obra afetiva e artesã torna-se uma estética potencial tanto para as pequenas marcas como para as grandes confecções. Com esse contexto favorável, muitas marcas vão embutir na própria modelagem e planejamento das peças, um visual lembrando o de uma peça com vida anterior.

Fraco pela nostalgia

O olhar para o passado recente deve continuar nas coleções, como uma reação cada vez maior à velocidade com que o estilo de vida e a própria tecnologia mudam. Anos 80, 90 são objeto de curiosidade dos jovens e com isso as peças autênticas da época, que estão nos brechós também se tornam um desejo. Para competir com esse contexto, as próprias marcas vão buscar informações de moda originais destas épocas e reproduzi-las com um perfume vintage cada vez mais fiel.

Denim instagramável

A aplicação da estampa digital no denim deverá crescer, impulsionada pela valorização do look instagramável, resultante da sobreposição da persona online à offline. Também movido pela busca por peças com valor de arte, customizadas, pela adequação da linguagem à necessidade de flexibilização dos processos que a indústria tanto almeja e pelo desejo do consumidor de compartilhar preferências tal qual as redes sociais, na vida real.

Fonte: Vivian David | Fotos: Divulgação e Equipe Guia JeansWear