Versão chamuscada em devorês para o jeans por Moschino

Uma lição de história, inspirada nos monges dominicanos da Renascença, liderando uma verdadeira máfia na cidade de Florença: queimando objetos belos como livros, móveis e roupas. Esta foi a inspiração para a coleção de Inverno 2016 (correspondente à Inverno 2017 nacional) que renovou a leitura da mulher sedutora, luxuosa e exótica – eterno tópico de Moschino.



Dessa inspiração resultaram peças drapeadas e glamourosas, variando nos tons black, rosa e lilás, e inclusive lindos efeitos de buracos chamuscados nas interpretações mais refinadas confeccionadas em tecidos festa. Laços gigantes, babados e correntes decorando o couro também fizeram parte da coleção, que mesclou itens com jeitão de tapete vermelho ao jeans e à t-shirts. O índigo de Moschino adotou como visual predominante o tom lavado médio esboçado em devorês esparsos de calças retas – uma forma de alinhar a linguagem do segmento à incendiária inspiração inicial. Saias midi e shorts com barras cavadas ao extremo também foram recorrentes na coleção, que jogou até mesmo um lustre maravilhoso na cintura de um longo noturno.



Apesar da inspiração antiga o clima oitentista exagerado foi predominante na coleção. Tecidos como tafetá estiveram presentes, assim como volumes de transpasses, saias arrastadas e amarrações. Como apontamentos para o jeans, embora as leituras apresentadas por Moschino não tenham fugido muito do visual convencional, sugeriram boas influências para renovação dos clássicos ao propor um tom adequado tanto para a proposta corriqueira quanto para o jeitão social. Através da coleção, podemos garimpar referências assertivas para itens essenciais destinados à mulher madura, como a saia secretária, o vestido-camisa, e as bolsas. Mas acima de tudo, Moschino apontou os anos 80 como década em evidência, o diálogo do jeans com volumes e cores fortes, e a alquimia possível entre o jeans e os tecidos nobres e armados como o tafetá.

VIVIAN DAVID | FOTOS: Yannis Vlamos / Indigital.tv