Visão humana do sistema capitalista é abordada em painel interativo

É de fato realizador para um evento como o Denim Meeting, cujo patamar de alcance tem poder transformador para a indústria, trazer profissionais e cases reais que provam que o capitalismo – nosso norte econômico – pode ser praticado com as mesmas diretrizes do bem estar, e dos ideais humanos.

E foi esse o tópico abordado com muita competência, no PAINEL INTERATIVO Capitalismo Consciente, uma proposta de impacto social. Gigantes da nossa indústria estavam presentes, legitimando que essa conduta é possível, viável e lucrativa.

Lyana Bittencourt, diretora executiva do grupo Bittencourt foi quem iniciou a injeção de otimismo proposta pelo tema do painel. Iniciando pela apresentação da missão do grupo, Lyana explicou que o grupo Bittencourt atua orientando na construção de negócios verdadeiros, cada vez mais sustentáveis, fomentando respeito à toda a cadeia e a todos os skateholders.  “As empresas que agem dessa forma constroem um ambiente diferenciado de atuação, incentivando a responsabilidade na comunidade em que atuam”, justificou. “Estes, talvez seja os pilares que todas as empresas deveriam olhar como relevantes, pois quando se constroem relacionamentos transparentes, tudo fica mais fácil”, afirmou. Ainda entre as contribuições inspiradoras agregadas pelas falas da diretora, constaram cases referenciais como a varejista TOMS, e suas campanhas de engajamento como a recente End Gun Violence, que usou uma ferramenta no próprio website para aproximar os consumidores dos seus representantes no congresso numa apologia ao desarmamento. Também mencionou a campanha The Power of She, que fala de empoderamento feminino, e a coerente missão da AnyTime fitness, que quer melhorar a auto-estima do mundo.

A admiração pela profundidade com que três temas – sustentabilidade, pessoas e planeta – foram abordados durante a programação de todo o Denim Meeting, foi a fala inicial de Hugo Bethlem, do instituto do Capitalismo Consciente Brasileiro, que tem como missão transformar o Brasil, por meio da inspiração de negócios conscientes, sustentáveis e inovadores. De acordo com ele, o capitalismo foi distorcido. “Negócios são bons quando geram prosperidade, criam valor, e geram oportunidades”, comentou.

Ao longo da apresentação, Hugo salientou que o Capitalismo trouxe benefícios, mas também males. Legitimando suas falas, recorreu a dados estatísticos, como a realidade de que 75% dos trabalhadores dizem que odeiam seus superiores. Também o prejuízo do desperdício de comida que acontece no Brasil, que segundo ele equivale a cinco estádios do Maracanã por ano. Abordando a desigualdade, mencionou que 82% da riqueza mundial está nas mãos de 1% das pessoas. “Estamos buscando resultado de curto prazo a qualquer preço”, comentou. As empresas não devem calcar suas atividades na mera obtenção de lucro para sobreviver”, defendeu.

Concluindo suas reflexões, Hugo afirmou que buscar realização e humanização a longo prazo, é um caminho que traz lucro. Cases como o da marca Refazenda, que tem o conceito repensar a moda e o mundo, e a Reserva, que tem o propósito de cuidar e emocionar as pessoas diariamente, foram mencionados como referenciais. Este último, exemplificado pela recente campanha de Black Friday, que relacionou o desconto à problemática da fome no Brasil, e aproveitou a data para buscar arrecadações em prol da causa. Em sua conclusão Hugo trouxe uma definição muito interessante, ao mencionar o personagem do “empreendedor anfíbio”, segundo ele, aquele que é capaz de respirar tanto na água quanto na terra, criando uma inteligente alusão àquele empresário que consegue ser simultaneamente lucrativo e sustentável. “Ser empreendedor não é ciência nem arte: é prática”, defendeu Hugo.

Falando do quanto livros e séries são capazes de definir o que somos, Amélia Malheiros, da Fundação Hermann, iniciou uma das apresentações que mais aproximaram os ouvintes do ideal de uma economia baseada na afetividade. Usando falas informais como “você é a média dos livros que lê e também das séries que assiste”, Amélia trouxe para a plateia, a perspectiva de que a quarta revolução indústria é a da consciência. E para ilustrar essa abordagem de vida contou a trajetória da Hering, com seus 140 anos de existência, resgatando que já em 1935 a companhia dedicava uma parte do seu lucro da fundação para o desenvolvimento. Compartilhou também, a história do museu da Hering, que abriga 138 mil visitantes, e enfatizou o quanto a Hering incentiva a economia afetiva. “Conectar pessoas que conectam pessoas e utilizam a moda como plataforma de transformação.” Iniciou o vídeo do projeto trama afetiva, a experiência colaborativa de aprendizagem em upcycling, com foco em design e empreendedorismo, fundamentada pelo que chamamos de economia afetiva. Alexandre Hercovitch, Patricia Centuriu, e Marcelo Rosembaum foram alguns nomes que integraram o projeto, discutindo questões têxteis e de costura em nível equivalente com as costureiras da comunidade do Cardume de Mães. A geração de valor e responsabilidade sócio ambiental, por meio da ressignificação de professos e produtos, de acordo com Amelia, foi o embasamento da iniciativa. “As meninas do cardume de costura criaram vestidos, aventais, capas de sofá. Realizamos exposições em diversos locais”, contou.

Após a colocação desse novo conceito de Economia Afetiva, Grasiela Moretto, diretora administrativa da Ufo Way comprovou o poder transformador que uma visão humana é capaz de agregar ao modelo capitalista. Iniciando pela apresentação da UFO Way Denim Brasil, Grasilea contou que a empresa tem base familiar, e que já conquistou importante selos. “A ufo pensa que as pessoas são o principal patrimônio de fato”, afirmou. “Nossos programas são uma troca: nossos funcionários não são apenas nossos colaboradores, são também nossa história.” Grasilea contou que entre os valores cultuados pela empresa, constam o aspecto social, reconhecimento, comunicação, cuidado, integração, saúde e segurança. Colocando de uma forma mais real para os ouvintes todos esses tópicos, compartilhou dois dos cuidados praticados pela companhia. Entre eles, o programa UFO WAY, que criou na própria empresa uma escola para os filhos dos funcionários, a qual de acordo com a diretora é considerada a melhor tanto em termos de cuidados pedagógicos quanto planos de ensino na cidade de Criciúma, SC. Também o programa para realização do sonho de vida dos funcionários, onde os mesmos escrevem cartas contando seus sonhos. “Uma das funcionárias estava com risco de vida morando na própria casa. Realizamos o sonho dela, com muita celebração”, contou Grasiela, afirmando que as práticas são emocionantes, provocando sempre lágrimas nos funcionários e participantes.

“Nunca almejamos ser a maior indústria de jeans; mas sim a referência”, contou. “Queremos ter os melhores profissionais, por isso acreditamos na evolução, na gestão e na transformação de pessoas”, contou Grasiela, acrescentando: “nosso investimento nisso é muito alto, mas não somos uma ONG, não somos filantropia, pois temos lucros, afirmou a diretora, finalizando as reflexões com uma enorme injeção de otimismo no desafio de agregar ao viés capitalista, uma visão mais humana”.

Fonte: Vivian David | Fotos: Equipe Guia JeansWear