Workshop Jeanswear

Lavanderias, confeccionistas e tecelagens se reuniram na última quarta, dia 31 de março, no prédio da Anel – Associação Nacional das Empresas de Lavanderia, para o 1º Workshop de Jeans 2010, com apresentações de Marco Britto, Diretor de Ciência e Tecnologia da Anel e presidente da GB Lavanderia e Iolanda Wutzl, coordenadora do Guia Jeanswear.


O evento patrocinado pela Hi-Tech, empresa de produtos quí­micos, abordou as principais marcas e lavagens da última BBB-Bread and Butter Berlim.


Jovens marcas, grandes destaques


Com o tí­tulo A roda gigante das marcas jeanswear, Iolanda abordou marcas menores, que estão crescendo e abocanhando uma grande fatia do mercado de empresas maiores.


São grifes que ainda estão na sombra, mas que atualmente podem influenciar as maiores, como Diesel, Replay e G-Star, com produtos diferenciados, afirma Iolanda.


Uma caracterí­stica une todas as marcas que se apresentaram na BBB: o estilo vintage, com envelhecimento proposital e com jeitinho de uma peça usada há muitos anos.


AG – Adriano Goldschmied
O criador da Diesel e que criou uma marca com seu nome foi o pioneiro no aspecto vintage e, hoje mescla peças básicas com cara de used.


Edwin
A marca japonesa se especializou no processo de lavar na pedra e criou o new vintage, com o melhor Denim do mundo, no estilo premium: Vintage original referenciado a partir de sua própria coleção do arquivo de Denim, comenta Iolanda.


A marca trabalha com no mí­nimo seis processos de lavanderia para ganhar identidade própria.


Christian Audigier
Detentor da marca Ed Hardy, ficou famoso com seus jeans inspirados nas tattoos do artista plástico, com muitos bordados e estampas exageradas.


Buco
A marca começou produzindo acessórios para motoqueiros e invadiu o mercado jeanswear com a proposta de mesclar esses dois universos. Suas peças são envelhecidas e ganham “marcas” de uso dos motociclistas com furos, rasgos, amassados…


Fuga Denim
A marca alemã que teve iní­cio em 2005 aposta em coleções irreverentes, jovens e mais acessí­veis.


Colcci
A única marca brasileira na BBB vem crescendo muito na Europa com peças diferenciadas.


Blue Blood
A marca holandesa aposta na linha premium, com peças únicas e para quem ama o jeans, como seus criadores. O logo é uma lagosta, o único animal que tem sangue azul.


Salsa Jeans
Marca portuguesa mais conhecida, lançada em 1994, cresce e surpreende a cada dia.Criaram as calças reversí­veis que podem ser usadas do direito e do avesso e o modelo que realça o corpo da mulher e, esconde as gordurinhas.


Guess
A marca que antes trabalhava somente com jeans básicos evoluiu com toques de moda e o aspecto vintage. Foi uma das grifes que mais cresceu no ano passado.


Bus Urban Wear
Outra marca portuguesa que vem fazendo muito sucesso com uma estética urbana diferenciada e peças que seguem as preferências do consumidor.


Diesel
A grife não podia deixar de estar nesta lista, não por ser nova, mas porque voltaram com um stand na BBB, se rendendo í  feira, apesar de ser uma grife super conceituada no mercado.


Ela vem modificando suas peças, que ganham mais interferências, tratamentos envelhecidos e detalhes da moda.


Sempre com lindas e inteligentes campanhas, a Diesel propí´s para esta coleção: Be Stupid, convidando os consumidores a ser estúpidos de forma divertida, no bom sentido, saindo da mesmice e inovando sempre, sem medo de ser julgado.


Isso também vale para os negócios. Quem não inovar, sem medo, não terá mais espaço no mercado.


Lavanderia


Segundo Marco Britto a principal estratégia das grifes jeanswear é a lavanderia. Ninguém precisa comprar um jeans por necessidade, por isso a peça deve encantar o consumidor. E a lavanderia cria o desejo, o visual, afirma Marco.


Diesel


De volta a BBB a marca se relançou e trabalhou muito a lavanderia, em busca de clientes que migraram para a Salsa Jeans que está cada vez mais ousada.
Principais efeitos: acid wash, detonados com forros por baixo que podem variar de sarjas leves, próprio denim em outra lavagem, cetim, tonalidades acinzentadas, sobretingimentos, estrias, riscos, bigodes, pontos de luz localizados feitos artesanalmente, jeans black descarregado, manchados, puí­dos, 3D, detonados, dirty amarelado, vincos, marmorizados feitos com redes, pingos de tinta, permanganato ou cloro, bolso falso com correntes, amassados, joelhos e parte de trás pontuados ou com amassados ou com manchas.<BR



Salsa Jeans


As marcas portuguesas, como a Salsa estão trabalhando muito para tomar o lugar dos italianos no jeanswear.
Efeitos: leves resinados, pontos de luz nos joelhos, amassados, sobretingimento cinza, com rede e descarregamento, amassados, arredondados, blacks descarregados.


Bus Urban Wear


Busca um estilo mais sofisticado e comercial, menos irreverente do que a Salsa.


Na lavanderia aposta nos jatos de areia, furos com paetês, bigodes na parte de trás do joelho, 3D com presilhas.

Moda de Rua


Efeitos: puí­dos, furos, bigodes 3D, amassados, muito vintage e diversos processos artesanais, como se tivessem sido feitos em casa mesmo.


Segundo Marco, o estilo vintage ainda vai durar mais uns três anos no mí­nimo, por isso é necessário investir sempre nos principais processos de lavanderia.


Mercado Brasileiro


Após as palestras ficou a grande pergunta do dia: O que fazer para nós brasileiros, estarmos entre essas marcas inovadoras?


Na opinião de Iolanda falta união entre as empresas e para Marco, é preciso investir mais em lavanderias.
í‰ importante tecelagens se unirem í s lavanderias, confeccionistas, empresas que bordam, oferecem os aviamentos e, não ter medo de ousar, comenta Iolanda.


No Brasil, as marcas não usam as lavanderias como estratégia de diferenciação, eles mandam lavar por obrigação. O cliente tem dificuldade de perceber o trabalho artesanal das lavanderias, não valorizam a peça e acham caro, por isso, muitas vezes deixam de inovar pelo custo, afirma Marco.<BR

No jeans ainda temos muito que aprender, mas um dia isso vai mudar, porque o consumidor vai exigir, finaliza Marco.

VANESSA DE CASTRO| FOTOS: DIVULGAí‡íƒO