O Guia JeansWear foi acompanhar a 34ª edição da Casa de Criadores e lá tivemos a oportunidade de conversar com diversos talentos da moda nacional. Dentre eles, entrevistamos em especial a Bruna Santini, criadora da marca de jeanswear UNAK e proprietária da lavanderia Star Wash. A Bruna contou para o Guia suas experiências como estilista e empresária, compartilhou também como entrou para o universo tão versátil do denim e ainda deu dicas para os jovens que pretendem abrir uma marca.
Guia JeansWear: Conte para nossos leitores, como você iniciou sua carreira no mundo da moda.
Bruna Santini: Sempre fui artista plástica por essência, e com 18 anos ingressei na Faculdade Santa Marcelina para estudar moda. Lá conheci minhas futuras sócias, com as quais eu formei, em 2004, o No Hay Banda, um coletivo focado em alfaiataria e tecido plano. Com a marca, realizei algumas apresentações no Rio Moda Hype e na Casa de Criadores. Nesse meio tempo, cursei pós-graduação em Direção de Criação na FAAP. Após o sucesso do No Hay Banda, tive a oportunidade de estudar no conceituado Instituto Marangoni, na Itália.
GJW: Como foi a sua estréia na Casa dos Criadores?
BS: Com o No Hay Banda, nos destacamos muito através da moulage. Já havíamos apresentado duas coleções no Rio Moda Hype quando surgiu o convite do André Hidalgo para entrarmos no line-up da Casa de Criadores.
GJW: Você é veterana em concursos de jovens talentos na moda. Conte um pouco pra gente sobre essa experiência.
BS: Acredito no incentivo e na oportunidade que os concursos dão para novas marcas e criadores. Nesses eventos consigo ouvir opinião de críticos e mídia especializada, podendo aprimorar cada vez mais o meu trabalho como designer. Um dos meus grandes incentivadores foi o Rio Moda Hype, onde eles oferecem estrutura para a marca ter a chance de desfilar ao lado de grandes nomes da moda brasileira, ao mesmo tempo em que o evento mantém o nível de qualidade do Fashion Rio.
GJW: Você tem alguma dica para novos estilistas?
BS: Minha principal dica é persistir no seu foco e apostar em suas próprias ideias. É fundamental não se deixar contaminar pelo mercado e por tendências já batidas. Ouvir e aceitar a opinião de quem está no mercado há mais tempo é fundamental para um bom trabalho. Acredito que participar de todas as oportunidades que surgirem, como concursos, desfiles, workshops e exposições faz suas chances de sucesso aumentarem.
GJW: Fale como você entrou no universo jeans, sua experiência na Itália e seu incentivo para trabalhar com o denim no Brasil.
BS: Fui criada dentro de oficinas, pois minha família vem do mundo de confecção. Eu sempre tive afinidade com o universo do jeans. Quando surgiu a oportunidade de estudar no Instituto Marangoni, tive a chance de ser direcionada para estágios específicos e um deles foi desenvolver a lavanderia para a marca Frankie Morello, onde tive a oportunidade de conhecer a alquimia do denim. Fiquei apaixonada e intrigada, pois escutava muito no exterior sobre a qualidade dos tecidos e das modelagens do denim brasileiro. Quando voltei para o Brasil, um grande amigo meu, Ricardo Japonês, que é formado pela Bunka, no Japão, e já trabalhou em marcas renomadas como Commes des Garçons, Jean Paul Gaultier e Dolce & Gabbana, me incentivou a montar uma lavanderia experimental. Especializei-me em cursos no SENAI e meu pai, logo que saiu da sociedade de uma confecção, acabou pegando algumas máquinas de lavanderia como forma de pagamento. Resolvi fazer um empréstimo no banco e montei minha própria lavanderia e a Unak.
GJW: De onde surgiu o nome UNAK?
BS: É o final do meu nome, Bruna, com uma letra que eu gosto, K.
GJW: Qual você acredita ser a maior dificuldade/desafio em ser um criador (estilista) no Brasil hoje?
BS: A principal barreira é ter credibilidade diante dos consumidores de multimarcas e varejo. As grandes lojas escolhem apostar em estilistas e marcas renomadas, que já estão no mercado há muito tempo. Inserir-se no universo competitivo de vendas é um trabalho árduo, que leva muito tempo e dinheiro.
GJW: Fale um pouco sobre a sua lavanderia, clientes e trabalhos.
BS: Minha lavanderia é pequena, lavo em média 15000 peças/mês. Trabalho com lavagens diferenciadas com laser, 3D, ozônio e técnicas descobertas por mim e pelo meu mestre de lavagem, Odair. Desenvolvemos o jeans diferenciado de marcas renomadas e de criadores que se preocupam em ter um produto exclusivo dentro do universo do jeanswear.
GJW: A lavanderia (e a indústria têxtil no geral) é uma grande vilã em se tratando de meio ambiente, qual você acredita ser o seu papel (e dos empresários e estilistas em geral) para minimizar os danos causados e transformar o segmento em uma área ecologicamente mais correta?
BS: A minha preocupação em relação a esse assunto é muito grande, principalmente se tratando de lavanderia, que traz prejuízos ao meio ambiente. Dentro das minhas possibilidades, procuro usar técnicas menos agressivas, com menos produtos químicos e menor quantidade possível de água. Temos investido muito em tratamentos e reciclagem de resíduos.
Dentro da Unak, a confecção, nenhum pedaço de tecido é descartado. Reutilizamos todos os jeans para criar peças e acessórios novos. Até mesmo o menor retalho é utilizado para criar a identidade visual da marca.
GJW: Você acredita que estamos perto ou longe de adotar a lavagem a laser no Brasil?
BS: Em minha lavanderia já adotamos o laser há algum tempo para marcações. Porém, com as novas tecnologias de maquinário, o laser vem substituindo cada vez mais os outros processos dentro da lavanderia. Já o utilizamos em todas as peças há algum tempo.
GJW: Compare trabalhar com o jeanswear e a alfaiataria. Você vê grandes diferenças?
BS: Não, o jeans é um tecido mágico e meu grande desafio na Unak é trazer essa moda para um universo mais nobre. Desenvolvemos blazers, ternos, vestidos de festa e até calças em corte reto utilizando tecido índigo, tão refinados quanto os tecidos de alfaiataria podem ser. Acredito que essa matéria ainda não foi 100% explorada em termos de caimento, acabamento e lavanderia.
GJW: Quais seus objetivos e planos futuros em se tratando de marca/lavanderia?
BS: Nosso principal objetivo é atender e superar as expectativas de nossos clientes e parceiros, fornecendo através do beneficiamento de jeanswear um produto de qualidade, design único, preços acessíveis, e que visa a responsabilidade social e ambiental. Queremos ser reconhecidos como referência internacional de excelência no jeanswear.
GJW: Onde o leitor consegue encontrar peças da Unak?
BS: No nosso showroom, no bairro de Santana, e até o final do mês estaremos lançando o nosso e-commerce.
Para mais informações: www.unak.com.br ou bruna@unak.com.br.













