Pitt Jeans e uma postura profissional frente ao mercado da moda nacional

Exportação e concorrência da China. Dois tópicos bastante presentes no dia-a-dia das marcas fabricantes de jeans nacionais. A primeira, é um grande objeto de desejo e ascenção para os mesmos. Já a segunda, é um dos maiores desafios de quem almeja uma colocação sólida no mercado da moda nacional e internacional.


Sobre ambos os temas, Eduardo Simon, Gerente de Marketing da Pitt Jeans divide experiências e observações pertinentes para a realidade atual. A marca, que completou 46 anos no dia 16 de janeiro de 2013, foi uma das primeiras indústrias de confecção nacionais a conquistar a certificação ISO 9001 e pode ser considerada uma das representantes do segmento índigo com maior tempo de estrada no mercado jeanswear nacional.


Com 25 representantes no país inteiro e sede em Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul, a Pitt Jeans possui um mix bastante diversificado de camisaria, jaquetas, e malhas mas seu carro forte ainda é o jeans. A entrevista com Eduardo Simon divide um pouco desta bagagem sólida da marca, que com muito tempo de estrada conquistou uma imagem de confiabilidade no mercado, alcançando o invejável status de empresa exportadora.


Veterana nas edições da Fenim, o espaço da Pitt Jeans na feira, à primeira vista, aparentou um posicionamento modesto, devido à divisão sigilosa do stand que colocou toda a coleção em espaço exclusivo para atender aos clientes. Uma estratégia que revela a postura profissional da marca frente ao mercado da moda.


Guia Jeanswear: A Pitt Jeans sempre usa o layout de isolar a coleção da recepção na feira?
Eduardo Simon: Sim, o cllente chega e fica à vontade para analisar toda a coleção com exclusividade, e consegue ter uma qualidade maior de trabalho sem interrupções.


Guia Jeanswear: Como andam as exportações?
Eduardo Simon:: Nós exportamos hoje muito pouco, apenas 5% de nossa venda. Nossa exportação atual resume-se à países do Mercosul como Bolívia e Paraguai. Já exportamos muito para Argentina, no passado. Já exportamos também para Itália, Alemanha, Estados Unidos, Japão, mas estes países deixaram de comprar da América do Sul e passaram a comprar da China. Antes já fizemos orçamento para marcas de terceira da Europa, e fornecemos muito para marcas como Roberto Cavalli Teen.


Guia Jeanswear: Qual foi o principal diferencial da Pitt Jeans que atraiu estes exportadores no passado?
Eduardo Simon: Nosso diferencial é a estruturação da empresa. Devido ao longo tempo de estrada, a Pitt possui uma estrutura que permite agregar valor às peças, em termos de qualidade e pontualidade de entrega também em termos de diversidade de tecidos, aviamentos e lavanderias. A empresa hoje tem uma imagem no mercado, é vista como um fornecedor confiável, de muito tempo. A Pitt vem ganhando há muitos anos o prêmio do FNCDL que é a Federação Nacional da Câmara de Dirigente de Lojistas. É um prêmio que contempla os melhores em diversos segmentos do varejo, e há muitos anos a Pitt tem sido premiada como melhor fornecedora de moda jovem nacional. A empresa nos últimos 3 anos cresceu 70% do faturamento. Estamos em uma crescente bem grande em contramão ao mercado, que vem enfrentando difculdades, mas o nosso produto vai girando bem nas lojas.


Guia Jeanswear: Como você define o Target da Pitt Jeans?
Eduardo Simon: Hoje não se fala mais em idade, pois a mãe quer se vestir como a filha, e a filha mais nova quer se vestir como a mãe. Trabalhamos com “lifestyle” . Nosso consumidor é contemporâneo, não focamos o público adolescente mas sim o público mais maduro que ganha seu próprio dinheiro trabalhando e não depende de mesada, e que gosta de uma roupa versátil tanto para o dia quanto para a noite. É um consumidor que analisa muito o custoxbenefício. Nossas peças não são muito caras. Uma calça da Pitt Jeans gira em torno de R$ 150 a R$ 170 dentro da loja. É um preço médio mas com um custo x benefício muito bom. O design busca alcançar sempre a moda – não somos lançadores de moda, ainda seguimos a moda que é “importada” da Europa.


Guia Jeaanswear: Principais estratétias de expansão da Pitt Jeans para o futuro?
Eduardo Simon: Queremos abrir lojas em grandes centros onde o comércio multimarcas não funciona. O multimarcas em capitais não tem funcionado bem pois geralmente as marcas tem sua própria loja. Abrimos em Porto Alegre neste último ano uma loja que tem a cara e o conceito da marca. Atualmente temos três lojas, mas esta foi a primeira com esse conceito de atuação na Capital. Além disso não queremos “brigar” com nosso cliente multimarcas então planejamos abrir lojas somente em lugares onde não haja clientes que comprem a marca. Nossa estratégia é continuar investindo em marca, investindo em pesquisa de moda. Todos os anos participamos de grandes feiras como Bread&Butter, Ásia, buscando possibilidades de novos negócios. Já fomos duas vezes, estamos bem antenados para perceber para onde o mercado está indo.


Guia Jeanswear: Qual você acha que será o principal desafio do jeans no mercado nacional?
Eduardo Simon: O maior desafio do jeans, ao meu ver, é não deixar a China entrar. Porque onde a China entra, toma conta do mercado. Isso já é fato na parte de camisas e jaquetas. No jeans percebo um movimento muito forte nos dois últimos anos de agentes oferecendo produção na China e está cada vez mais perto de que eles comandem também esta parte. Já tem muita gente importando. Nós ainda não o fizemos porque ainda não vimos vantagem em produtos de qualidade agregada. Ainda não compensa. Eles tem produto de baixo preço e quem atua nesse segmento vale a pena fazer. Não é nosso caso, queremos investir em conceito de marca, nosso Target foca mais as classes A e B.