Fibra latina e denim nacional em evidência na feira

Fios e fibras latinas, do Brasil e do mundo: com direito à tecidos reciclados, e promessas de novas fibras substituindo algodão. Todos tiveram seu espaço na Colombiatex de Las Americas 2018. Foram cerca de 22.650 visitantes e compradores provenientes de mais de 60 países. O Brasil, de acordo com o balanço final da feira converteu-se em mais sete novos compradores para o mercado Colombiano. Porém sua postura principal foi de fornecedor. E como tal, deparou-se com um mercado caracterizado por um paladar extremamente índigo, e ávido por elastanos tecnológicos.

Investindo na exposição de peças extremamente trabalhadas em manchas, respingos e texturas o lema consenso dos fabricantes brasileiros foi a diferenciação pela estratégia qualidade. “Estamos lotados de pedidos da Venezuela, Peru, e Equador”, comemora Francisco Gonzalez da Vicunha. “Eles querem novidades, é o que buscam e a tarifa zero aqueceu nossos negócios, complementa.” Priscila Costa, da Cedro Têxtil, também compartilhou experiência positiva: “participamos da feira há muito tempo, e este ano superou as expectativas pois tivemos muitas buscas da Colômbia por conta do novo acordo do Mercosul”, declarou. Além disso registramos muito movimento do Equador, Costa Rica, Venezuela, Uruguai, e Paraguai ”. Eleonora França, da Santanense, opinou que a feira foi mais profissional com relação às edições anteriores.

Os stands nacionais priorizaram a exposição de interpretações manchadas, com efeitos alvejados e respingos de tinta em tons vibrantes e oitentistas. Também se tornaram competitivos pela diversidade de opções elásticas – como a família duo T-400 da Cedro, que representou a busca mais expressiva no espaço da marca, por parte dos Colombianos. Já a Santista, encurtou a mensagem da presença e qualidade do denim stretch em seu sortimento, com uma modelo demonstrando a flexibilidade dos tecidos no próprio stand.

Ilustrando um pouco dos tecidos do mundo, a Colombiatex de las Americas 2018 contou com exemplos como a SM Denim Mills. A paquistanesa, trouxe o denim com fio duplo no urdume como novidade mais avançada do seu mix. Um bom termômetro para medir o quanto nosso parque têxtil nacional conta com um patamar elevado de tecnologia para oferecer nesse mercado, que está abrindo os olhos.

Já o tópico sustentabilidade foi o principal ingrediente de inovação no quesito fibras. Lenzing Fibers, apresentou um novo produto o qual incorpora 20% de resíduos de corte de algodão às misturas com Tencel. Intitulado Refibra, o produto está em fase de ampliação mas já está sendo usado por grandes companhias como Inditex e Zara. “Usamos 20% de polpa de algodão e 80% da fibra de madeira: e aí temos o Refibra, um insumo que além de todos os conceitos ecológicos do Tencel ainda acopla uma recuperação de resíduo de algodão de 20%; explica Gilberto Campanati, da Lenzing Fibers.

O olhar no futuro proposto pela Colombiatex de Las Americas 2018 compartilhou também os esforços que os acadêmicos do país tem empenhado, para evoluir o segmento denim para materiais alternativos e mais sustentáveis. Entre as quais a planta Fique. Usada pelos agricultores para confecção de sacos de transporte de materiais, a fibra da planta está sendo estudada para substituir o algodão na confecção do denim. De acordo com Álvaro Gómez Férnandez, Vice-reitor da Universidade Pontificia Bolivariana, a planta de cultivo mais sustentável comprovadamente substitui o material com as mesmas propriedades e está em fase de teste.

FONTE: Vivian David | Fotos: Equipe Guia JeansWear