O ano de 2019 trará mudanças em muitos setores: economia, política, matérias-primas e o sourcing. No caso da produção, a indústria 4.0 continua a ser o tema forte. A tendência não é propriamente nova, mas a automatização da indústria tem se acelerado e nos próximos 12 meses devem desdobrar novos desenvolvimentos.
Com a escassez de mão de obra qualificada, a produção por meio de robôs e processos digitalmente integrados ganha forças. “A automação e a análise de dados permitiram que uma nova geração de start-ups adotasse ciclos de produção ágeis feitos à medida. Os players do mercado de massas vão seguir-se, tentando responder mais rapidamente às tendências e às exigências dos consumidores”, indica a McKinsey & Company, no relatório “The State of Fashion 2019”.
Além de possibilitar uma resposta mais rápida às encomendas, a automatização permite também a produção de séries menores e a redução do desperdício, facilitando a adoção dos princípios da economia circular desde a fase produtiva.
“A pressão para lotes menores e reposições a pedido é impulsionada, em parte, pela rentabilidade, mas também por um desejo de sustentabilidade”, aponta o relatório da consultora, que adianta que “as marcas e retalhistas de vestuário do mercado de massas não podem ser bem sucedidos na próxima década sem se transformarem num modelo focado na procura. As empresas de vestuário irão aperfeiçoar e digitalizar os seus processos, além de repensar a sua logística. Uma nova estratégia é otimizar o modelo de produção de vestuário, incluindo elementos como o nearshoring, novos modelos automáticos de entrega à volta da customização e mudanças para cadeias de valor sustentáveis e circulares”, aponta a McKinsey.
Robôs ainda longe
Até agora, a indústria da moda tem ficado para trás na automação, devido à resistência dos produtores e das próprias marcas, mas também pela dificuldade em desenvolver máquinas capazes de, por exemplo, confeccionar uma peça de vestuário – só recentemente é que soluções completamente automatizadas começaram a chegar ao mercado. “Mas agora, com a produção à medida a ganhar importância e a tecnologia a desenvolver-se, a automação está a tornar-se mais relevante para os players americanos e europeus”, afirma a McKinsey, que adianta que dentro de cinco anos teremos fábricas semi-automáticas, em cinco a 10 anos os fornecedores com fábricas completamente automatizadas poderão permitir o regresso da produção aos mercados de consumo e que silhuetas mais complexas já poderão ser realizadas de forma semi-automática dentro de uma década.
Na sexta e última parte deste artigo, será analisada a evolução do consumidor e o que este espera da indústria da moda.
Fonte: Portugal Têxtil | Fotos: Reprodução









