Tendências e consumidores em pauta com foco no Verão 2028

Durante a Semana de Lançamentos na Denim City SP aconteceram diferentes palestras com conteúdos que enriqueceram o evento e abordaram tendências, temas da estação, fits e tecidos, além dos novos consumidores. Iza Dezon, CEO da empresa Dezon, de análise de tendências trouxe 4 macrotemas principais para o próximo Verão 2028.


Camp Tropical: Estética menos séria, com exagero e bom humor e a cara do Brasil onde entram bordados, rendas, trançados, crochê, toda e qualquer manualidade para uma “alta costura tropical” com a nossa identidade. Um tema bem colorido, com estampas, patchworks e materiais que podem ser reutilizados.
Loud Luxury: Novas formas de olhar o luxo, com ostentação e sofisticação, com espaço para uma atitude mais expressiva. Aqui se encaixa perfeitamente o denim decorativo com aplicações, metalizados.
Corpo em Evidência: “Há uma tensão entre o rigor quase clínico das canetas emagrecedoras e a moda que volta a exaltar silhuetas esculturais, mais real e curvilínea, valorizando o corpo”.
(Sur)Real: “Em um mundo super tecnológico, ter outras manifestações estéticas feitas a partir de artifícios reais são mais surpreendentes do que aquelas feitas por IA. É um surrealismo menos sonhador, mas que busca desafiar esse olhar hiper estimulado, viciado. Não se trata de escapar do real, mas de expandi-lo até o ponto da estranheza, com ilusões óticas e proporções desmedidas”.

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Mercado de Luxo
A Nicoletti Textil promoveu uma palestra com Jorge Grimberg que abordou os novos códigos de luxo – comportamento, cultura e as tendências que estão redefinindo o desejo contemporâneo.
Segundo o profissional, atualmente a moda precisa se provar o tempo todo, provar seu valor, sua importância, contar sua história. “É a crise de legitimidade, quando o mercado deixa de questionar se pode comprar e passa a questionar se deve comprar”, provoca Jorge.


A competição no varejo vai muito além dos concorrências nacionais, a China….chega até o consumidor que pensa muito antes de comprar. Preciso disso? E a posição do luxo dentro desse contexto muda completamente. Durante os últimos 15 anos, o mercado de luxo viveu uma expansão muito grande, as grifes aumentaram os preços, lojas foram abertas e transformou-se exclusividade em acesso. Porém, antes, o luxo era uma das formas de sinalização social e hoje, não mais.
Atualmente, prevalecem conhecimento, criatividade, experiência e influência cultural. “As marcas estão vulneráveis porque já não podem depender apenas de sua história, reputação ou exclusividade para sustentar o desejo. Em um cenário de excesso de informação, ceticismo e competição por atenção, elas precisam justificar porque continuam relevantes, inspiradoras e significativas para a cultura contemporânea”, diz Jorge que trouxe quatro principais caminhos que entram nesse novo contexto.
Intelectualismo: parte do mercado está apostando no capital cultural como arte, literatura, cinema em uma estratégia que vai contra a velocidade de informações, o excesso, ostentação e glamour que o luxo provoca. Agora, a sofisticação é intelectual, “não é apenas sobre parecer rico é sobre ser culto”, onde a moda de luxo segue um novo posicionamento, deixando de lado a imagem superficial. Além disso, há a popularização no TikTok do estilo “old money”, uma parcela de população que não gosta de ostentar e valoriza a inteligência, conhecimento, reflexão e repertório cultural como formas de prestígio e distinção social.
Outro tema importante é o Anti-Algoritmo, numa fuga do excesso da Internet, das viralizações, engajamentos, roteiros programados, num mundo nada espontâneo. “Uma nova rebeldia hoje é sobre não aparecer, não deixar que o algoritmo dite a sua vida, criar o seu próprio tempo, formato e movimento de trabalho e exposição, é sobre escapar da atenção, isso sim, é ser chique“, comenta Jorge.
Já o Fim do Propósito traz uma reflexão sobre a obrigação de tudo na vida ter um propósito: trabalho, sono, marca, nada pode ser simplesmente, o que é e, essa cultura da positividade constante, muitas vezes, esgota, frusta e não deixa a vida ser leve. Mas a Geração Z vem aí contra tudo isso, transformando limite em prioridade, balanceando trabalho e lazer, preservando sua energia. “Durante anos as marcas precisavam justificar tudo. Vender roupa e ser anti-consumo, vender luxo e salvar o planeta, vender desejo e ser responsável por ele. Estamos vivendo uma sociedade de especialistas, mas pouca gente é realmente um especialista, porque informação é muito fácil hoje”, diz Jorge. Nessa era de otimização, nunca estamos bom o suficiente ou satisfeito. “Se tudo pode ser otimizado, nada pode ser simplesmente vivido(…) Talvez o próximo comportamento não seja sobre dar significado para tudo e, sim sobre preservar e validar o que já somos”.
A moda é um reflexo do acontece no mundo e, atualmente, vivemos tempos de incertezas, seja econômica, política, social, tecnológica…e todos, inclusive, o mercado de luxo, vem sentindo isso. Nessas épocas, sobrevive quem sabe exatamente o que está dizendo, seja uma roupa que dure mais, numa estética segura, seja para fugir da realidade em um contexto de sonho, fantasia e transformação ou ainda se posicionando com identidade própria e clareza.

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Circularidade
A especialista em moda circular, Adriana Galijasevic veio diretamente de Amsterdam para falar sobre sustentabilidade e a importância de se pensar sobre o produto e o seu ciclo e além disso, como fazer o material circular, desde o começo da cadeia.

Para Adriana, é preciso estabelecer um sistema circular para o produto conseguir se transformar em algo, continuando sua vida útil. Esse processo não é fácil, há ainda poucos projetos nesse contexto, mas precisamos começar, de alguma forma, para depois escalonar. No denim, é possível fazer a biodegradação, tingimentos naturais e certificações que colaboram para uma moda mais sustentável. “Precisamos colaborar, educar, tornar acessível, escalar e acelerar. Aprendemos olhando para o passado e podemos pensar no que vamos fazer a partir de agora”, diz Adriana.

Emoções e o Jeans
A Santista levou à Denim City SP, a palestra: “Cartografia Emocional do Jeans”, onde Sueli Pereira, apresentou uma pesquisa qualitativa com 13 pessoas, de várias faixas etárias, estilos e regiões do Brasil, que colaboraram para um panorama sobre como as emoções influenciam o consumo. “Antes da escolha da roupa, existe uma emoção, seja cansaço, alegria, impaciência...

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E o que as pessoas tentam resolver quando compram roupas?” Na verdade, segundo, Sueli Pereira, não compramos roupa, mas identidade, pertencimento, reconhecimento e conforto psicológico. Segundo os dados coletados, cada sentimento provoca um desejo: ansiedade – conforto, excesso – simplicidade, velocidade – desaceleração, abundância – autenticidade.
Entre as principais modelagens destacadas dentre os consumidores, estão os fits amplos, onde entram a wide, reta, babby, com lavagens tradicionais no azul claro, médio e bruto. E o jeans perfeito não é só aparência, mas também a forma como está se sentindo – o jeans perfeito não é um fit, mas sim , uma relação com o corpo, um fit real que respeite um corpo real. O jeans provou ser um item que transita entre diferentes necessidades emocionais.
Alexandra Olivares, especialista em neurociência aplicada ao consumo, trouxe a teoria por trás das emoções e afirmou sobre a experiência da compra ser prazerosa, através de um ambiente e peças que ofereçam alegria, leveza, serenidade, em meio ao mundo caótico, em que estamos vivendo.

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Tendências
Bia Aidar, da Canatiba apresentou as tendências para o Verão 2028 com três principais inspirações dentro do tema, Contornos do Vento.


Sopro traz linhas simples, calmaria, foco no meio ambiente e também na tecnologia, propósito de marcas, conforto, equilíbrio e valorização do tempo. As cores são intensas como o amarelo do sol e o vermelho, mas há tons mais calmos como os terrosos, burgundy, verde militar e azul acinzentado. Aqui entra uma era de adaptação aos desastres climáticos em empresas, cada vez mais, transparentes. As estéticas passeiam entre jaquetas, itens essenciais durante as mudanças de temperatura e, que podem vir com gola funil, amarrações e diferentes shapes. Há espaço também para os detalhes de origamis, transpasses, e as barras das calças com abotoamento, reguladores, zíperes. Os efeitos de sobreposições surgem nos looks all denim e em lavanderia aparecem desgastes sutis, com rasgos, puídos, respingos de tinta e manchas. As flores são muito importantes na estação e se contrapõem ao raw denim em peças atemporais e confortáveis.
Brisa é um movimento contínuo, uma sensação de afeto, valorizando o passado e o trabalho manual onde entram tons empoeirados e acolhedores como amarelo claro, lilás, rosa, além do marrom e o navy. Aqui é importante eliminar excessos e trazer coleções enxutas, mas direcionadas, numa experiência sensorial. Destaque para o mix de cores como o rosa queimado, o turquesa e o verde água. Mais uma vez o toque oriental aparece, agora, com fechamento em camisas, jaquetas e casacos, transpasses em vestidos, listras na camisaria masculina, artesanal no crochê, bordados e o western que não sai de moda tão cedo. As bases ganham pesos maiores e os detalhes românticos podem ser vistos em babados, mangas amplas e, no balonê. O linho surge em modelagens diferenciadas e a cultura do workwear vem renovada.Bravio  foca no público jovem que gosta de mudanças rápidas, aventuras, criatividade, rebeldia. As cores são vibrantes como o hibisco, amarelo forte, pink, laranja, mas também neutras e suaves. O passado é importante e pode ser revisitado em uma curadoria pessoal juntamente com estéticas góticas e do rock, mas também é hora de quebrar as regras e viver de outras formas. Destaque para o utilitário, patchworks, remendos e upcycling, alfaiataria no jeans, mix de lavagens ou bases, peças artsy com splatters, sensação orgânica, visual 3D, efeitos de dobraduras e maxi volumes em calças, jaquetas e bermudas barrel. O estilo navy combina com o raw denim e em lavanderia dá para carregar bastante nos beneficiamentos com muitos rasgos, furos, patchs internos, destroyers. O color blocking chama atenção e os camuflados coloridos ou mais discretos renovam os looks mesclados ao jeans. Peças ornamentadas ganham bordados manuais, salpicados, aplicação de cristais, rendas e tule.

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Fonte: Vanessa de Castro Fotos: Divulgação

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