A 44 Edição da Feira Ópera aconteceu entre os dias 21 e 23 de outubro, em um formato mais enxuto e em novo local: no Shopping Frei Caneca. Os visitantes puderam conferir as novidades para o Outono-Inverno 2027 e pronta-entrega do Verão, além de participar do Ópera Academy, com palestras gratuitas e mentorias pagas.
Entre as principais tendências, estão tecidos leves, com aspecto denim moletom ou mesclados ao linho em tons no jeans bruto ou delavê como aparece nos conjuntos de batas, camisas, calças e macacões da marca Keko Baby. Destaque ainda para os quadriculados e listrados, além de babados e florais.
As calças com costuras centrais em malha de algodão surgem em tons clássicos como o bege e o marinho e fazem conjunto com tricôs e camisas para os looks mais arrumadinhos dos meninos da Noruega Baby. A marca traz também jeans super leves em bermudas para eles e, shortinhos com laços para elas.
Entre os vestidos e looks em malhas ou tricôs, a Lumilu aposta nas cerejinhas, mini florais, xadrez vichy, laços e babados em tons suaves de uva, lavanda, rosa, nude, verde claro, preto e branco e o vermelho. A linha Felize, do mesmo grupo, investe em peças mais casuais com cores fortes e maxi estampas com frutas, borboletas e florais.
Entre os acessórios, a Aline Almeida Prado trabalha com presilhas, laços e faixas com tecidos nobres, como veludo, cetim ou strass. Já a Maria Chica traz tiaras e diferentes tipos de laços e faixas para os bebês.
Dentro do Ópera Academy diferentes assuntos foram abordados como o “Panorama do mercado infantil 2027” pela consultora de negócios, Tati Ganme e o “Fluxo de clientes não se espera, se cria”, com Max Daguano, CEO da VarejoPro.
Kátia Duarte, consultora do Blog Pop Pop trouxe a palestra: “Os futuros da moda infantil” abordando o mercado e seus diferentes clientes, com polarizações e vários canais de comunicação.
Antes, as famílias tinham um padrão, tudo era mais previsível, porém, já algum tempo, houve uma ruptura, com novas famílias, conceitos, experiências e a rapidez com que novos produtos são criados porque o mundo hoje, não é mais padrão. “Temos a mãe que gosta de tudo natural, modelagem ampla, algodão, a criança no campo, mas temos também a mãe, super fashionista, que gosta de tudo colorido, aceita tecidos artificiais…e o lojista pode ter essas duas mães como clientes”, afirma Kátia que continua: ” A gente não compra o que a gente quer ter…a gente compra o que a gente quer ser! O produto fala por nós”.
Segundo pesquisa da Bain&Company, para esse ano, o consumidor torna-se imediatista e reduzem gastos e, a primeira categoria que ele corta é a roupa, além de ser menos fiel no vestuário. Por isso, com a maior inadimplência e menos crédito, até os lojistas estão comprando menos: ao invés de um pedido só, prolongando a coleção, compram toda a semana, para ter também produtos novos na loja.
Dentro desse contexto é importante ouvir a demanda do cliente. Você vende produto ou moda? Para quem vende moda quais são os comportamentos de consumo? Segundo Katia, existe o Consumo Conspícuo ou ostentatório que é a prática de adquirir e exibir bens ou serviços caros publicamente com o objetivo de demonstrar riqueza, poder e status social. Já o Consumo Simbólico é um processo sociocultural em que as pessoas compram ou utilizam produtos não apenas pela sua utilidade prática ou função física, mas pelos significados, emoções e identidades que esses bens representam. E o Prosumidor é o consumidor que deixa de apenas comprar roupas prontas e passa a participar ativamente da criação, divulgação ou customização dos produtos. Ele dita tendências e molda o mercado de vestuário de forma direta.
“Por isso, não compre ou fabrique mais uma coleção aleatória, tem que saber o que está fabricando, comprando, para quem está comprando. Não dá mais para comprar porque achou bonito e nem porque está barato, porque nem tudo que está barato vai vender”, analisa Kátia que ressalta a importância da criatividade, identidade, coerência, diferencial, principalmente, porque o Brasil é enorme e cada região consome produtos diferentes. O que funciona no Sudeste, em São Paulo, por exemplo, pode não funcionar no Norte.
“Na sociedade em rede, as referências circulam globalmente, mas o desejo de compra continua sendo interpretado localmente”, diz Kátia.
Fonte: Vanessa de Castro – Fotos: GuiaJeansWear












































