Em sua quarta participação no São Paulo Fashion Week, o movimento Sou de Algodão, iniciativa da Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), levou à passarela uma poderosa celebração da moda consciente. Com o tema “Trajetórias”, o desfile, realizado no Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera, reuniu seis estilistas e 36 looks all black — um gesto simbólico que representa a convergência de todos os caminhos da cadeia produtiva do algodão. Entre os destaques da noite, o jeans apareceu como material-chave para traduzir o elo entre tradição, sustentabilidade e inovação.
A coleção apresentou um panorama inédito da rastreabilidade do algodão brasileiro certificado pelo programa SouABR (Algodão Brasileiro Responsável). Cada peça foi desenvolvida a partir de fibras cultivadas em 82 fazendas de 61 produtores distribuídos por seis estados — Bahia, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Piauí. O denim utilizado foi produzido com algodão 100% rastreável e teve o patrocínio das indústrias Vicunha e Santana Textiles, que responderam pelos tecidos de jeans usados nas criações apresentadas.
Sob a curadoria e styling de Paulo Martinez, o desfile conectou diferentes linguagens criativas em torno de um mesmo propósito: mostrar que a moda do futuro é transparente e coletiva. Seis nomes de destaque da moda brasileira — Alexandre Herchcovitch, Aluf, Amapô, David Lee, Fernanda Yamamoto e Weider Silveiro — criaram, cada um, seis looks em algodão. O preto absoluto serviu de tela neutra para revelar o toque, o peso e a versatilidade da fibra natural, permitindo que cada estilista explorasse, à sua maneira, a força do material.
Entre os momentos mais marcantes, a Amapô revisitou seu próprio arquivo para reconstruir peças icônicas em denim preto, destacando o papel do jeans como símbolo de resistência e reinvenção. Já Alexandre Herchcovitch apresentou um trabalho de pura alfaiataria em algodão cru e denim sem lavagem, enquanto Weider Silveiro encerrou a apresentação com uma leitura contemporânea da alfaiataria em algodão, misturando o masculino e o feminino. Essas interpretações evidenciaram como o jeans, nascido como tecido de trabalho, segue sendo um campo fértil para a experimentação estética e a expressão consciente.
Mais do que um desfile, “Trajetórias” foi uma homenagem ao caminho percorrido pelo algodão, do campo à passarela, da fibra ao corpo. A iniciativa reforçou o compromisso da Abrapa com uma moda rastreável e ética, que valoriza tanto o produtor quanto o criador. Ao unir sustentabilidade, design e tecnologia, o Sou de Algodão reafirma o papel do Brasil como referência global em algodão responsável — e prova que o jeans, tecido democrático por excelência, pode ser também sinônimo de transparência, inovação e moda com propósito.
Fonte: Ana Gimonski | Foto: Divulgação





















