A 57ª edição da Casa de Criadores aconteceu entre os dias 3 e 10 de dezembro, no Centro Cultural São Paulo (CCSP),e provou mais uma vez que o denim é versátil, atravessa temporadas e pode ter múltiplas inspirações. A moda autoral de cada marca revela memórias, histórias, passado e futuro, estéticas marcantes, culturas, a brasilidade e suas religiões e a inclusão social em diferentes corpos e suas necessidades. O patchwork, tecidos artesanais, moda praia, moda punk, streetwear e a sofisticação de tecidos em vestidos e saias fluídas andam juntos na temporada do Verão 2026.

Confira as apostas das marcas que colocaram na passarela o melhor do jeans e da sarja.
A moda streetwear da marca Vivão Project traz inscrições a laser como a que aparece na calça wide com barra desfeita. Já o upcycling criativo, trabalhado em diferentes estilos vem no denim raw da Marlo Studio, onde calças viram vestidos com babados ou blusas com brocados. Bermudas amplas também chamam atenção em looks com transparências.
Texturas conquistadas através de desfiados e o aspecto hand made deram o tom na moda de Vitor Cunha. Aqui surgem calças soltinhas, sobreposições de palas, saias com franjas e trançados, além de vazados arquitetônicos e bolsos cargo, tudo desfilado por modelos com o rosto e as mãos pintados de azul, em referência ao índigo. Vinnícius Afonso trouxe o denim reto no delavê e no black com cintura baixa e no lugar em contraponto ao trabalho artesanal dos tops.
A UMS 458 – LL aposta no workwear utilitário onde surge o macacão com zíperes que revelam vazados.
A N/E* Recycled brinca com a geometria das lavagens e palas no denim clean. Já as estampas em 3D de homens em diferentes tonalidades de azul e branco e o denim raw usado do avesso e no azul intenso, fazem parte da coleção de Jorge Feitosa.
Mais uma vez o upcycling garante peças criativas e renovadas como os vestidos de Lucas Caslú na mistura de lavagens e decoração com retalhos e paetês.
Leandro Quaresma trabalhou as modelagens com volumes no denim com brilho e visual limpo. Aqui entram vestidos e batas. Fábia Bercsek mescla tecidos e proporções com destaque para a jaqueta motocycle com aspecto desfeito. O visual punk traz a mistura de tecidos e retalhos moderninhos da Fkawallypunkcultura onde entram respingos de tinta, tachas e penduricalhos.
A Dystopic trouxe um visual futurista, rocker com mix de tecidos e aviamentos. Já a marca Creations Lil, do estilista Marcelo Mariani, conhecido por sua criatividade no upcycling, trabalhou diferentes texturas, tons e lavagens no denim, com lindos beneficiamentos, como rasgos, aplicações de tecidos, viés lateral e barras viradas. O cós duplo e pala diferenciam as calças, assim como zíperes e cinturas baixas. Já a Afroperifa mescla a sarja e o denim quadriculado e listrado juntamente com o azul médio, somente amaciado.
Das Haus aposta em sobreposições, jaquetas amplas, calças cargo com desbotes e ilhoses em visuais repletos de referências. Seguindo a suavidade e leveza dos tecidos, Paula Fávaro mescla a alfaiataria precisa em sarjas muito bem cortadas em camisas e calças amplas e tons terrosos.
Mockup traz o white denim que se transforma em uma escultura com resinas e navalhados. Alexei e sua marca mais jovem, Sk8burger apostam em referências dos anos 2000 em uma moda divertida, repleta de estampas e cores. A calça jeans vem no paisley com abotoamento frontal ou com cintura super baixa na padronagem floral inspirada no decorativismo e com o nome da marca bordado nas laterais. As sarjas no tom caramelo ganham força na modelagem pantacourt com patchs e bottons. A Berimbau Brasil trouxe como tema as tradições da matriz africana em leves sarjas no branco, azuis claros e estampas quadriculadas.
No encontro entre técnica, memória e experimentação, o denim prova mais uma vez que é tecido de histórias — e que continua impulsionando a moda brasileira rumo ao futuro.
Fonte: Vanessa de Castro | Fotos: Reprodução




















































