A diferença entre algodão orgânico e sustentável

Não é incomum a associação entre produtos orgânicos e sustentáveis como equivalentes. A confusão chega também no algodão, onde gente acaba compreendendo que a pluma sustentável é a mesma coisa que a orgânica. Contudo, é preciso grifar que são coisas completamente diferentes.

As diferenças já aparecem nos conceitos. O algodão orgânico vem de uma técnica de produção que não permite o uso de defensivos ou fertilizantes sintéticos (químicos), assim como de tecnologias como sementes transgênicas. Os cultivos orgânicos, geralmente, são realizados em terrenos menores e atendem uma demanda limitada, já que dependem, exclusivamente de fatores naturais.

Já o algodão sustentável é cultivado de maneira tradicional, com o uso de tecnologias de ponta que possibilitam o controle de pragas e ajudam a manter o padrão de qualidade da fibra. Sendo assim, o aproveitamento da pluma é total.

Como apontado pelo movimento Sou de Algodão, equiparar sustentabilidade e orgânicos é como tentar igualar bananas e laranjas. Produtos orgânicos se referem a uma técnica de produção que não permite o uso de defensivos ou fertilizantes sintéticos (químicos) no processo, assim como de tecnologias como os transgênicos.

Já a sustentabilidade é um conceito, baseado nos pilares ambiental, social e econômico, segundo o qual os recursos utilizados na produção têm de ser pensados de modo a atender à demanda presente e também à das futuras gerações, permitindo, inclusive, a longevidade da atividade produtiva.

“Se a produtividade é alta, a produção por hectare será maior, e menos área de lavouras serão necessárias para atender à demanda de consumo. Isso significa menos impactos ambientais”, explica o engenheiro agrônomo, doutor em produção vegetal e chefe-geral da Embrapa Algodão, Liv Severino.

De acordo com diretor executivo do Instituto Mato-grossense do Algodão (IMAmt), Álvaro Salles, a média obtida nos projetos de agricultura familiar financiados pelo Fundo de Apoio à Cultura do Algodão (Facual), com a algodão orgânico no Mato Grosso, são de 684 quilos de pluma por hectare.

Considerando o consumo de algodão da indústria têxtil no Brasil, que é de 700 mil toneladas, para atender a esta demanda com a atual produtividade das lavouras de algodão brasileiras, são necessários 398 mil hectares. “Se fosse com agricultura orgânica, a gente teria que cultivar 1,03 milhão de hectares, o que causaria impacto ambiental muito maior”, afirma Liv Severino.

Atualmente, o Brasil não apenas atende completamente a necessidade da indústria têxtil interna, como exporta o excedente dos seus quase 3 milhões de toneladas de pluma, produzidos na safra 2018/2019. Vale destacar que o país é o segundo maior exportador de algodão no mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Fonte: Redação | Foto: Divulgação / Abrapa