“É necessário recodificar o mundo da moda e pensar no “made it better” em vez do “made in: certo país”. Essa foi apenas uma das afirmações impactantes, que a designer brasileira Francesca Giobbi, criadora do movimento Fashion for Better, defendeu em sua palestra na universidade católica Porto Business, em Portugal. Versace, Miu Miu, Sergio Rossi, Prada, Armani, Gucci e Donna Karan são algumas das marcas que fazem parte do currículo de Francesca, conhecida também pela sua marca de sapatos de luxo. Dos seus 27 anos de experiência no mundo da moda, 11 foram adquiridos em Milão, Itália; trabalhando para grandes marcas como diretora de vendas.
“Há três anos, fui a Mumbai, a pedido de um cliente. Percebi que o mesmo fornecedor que faz as grandes marcas (Chanel, Dior, Dolce & Gabbana e outras) é o mesmo fornecedor que faz H&M e Zara. E os trabalhadores ganhavam 2,30 dólares por dia. Na época, a minha filha tinha a mesma idade que as meninas que lá trabalhavam, entre 12 e 13 anos. Foi um choque”, contou. “O trabalho do segmento de luxo era feito de forma escrava”, lamentou.
“É preciso mudar o mindset das indústrias e está na hora de o consumidor ser informado sobre os produtos que consome”, defendeu. De acordo com ela, a falta de transparência, a competição desleal, o aquecimento global, a poluição, as desigualdades sociais, a discriminação e falta de oportunidades com a automação são os principais desafios que a moda enfrenta atualmente. Para isso, sugere várias soluções: a transparência através do blockchain, a reciclagem de vestuário, a capacitação da mão-de-obra, a inclusão e o investimento em micro empreendedorismo. Muito antes de se importar com o made in determinado país, o consumidor e o confeccionista devem se preocupar com o made it better – um selo ou etiqueta que garanta que uma determinada peça foi desenvolvida em condições justas e sustentáveis.
Em maio, Francesca Giobbi irá lançar um crowdfundig coletivo, através do qual quer capacitar o artesanato brasileiro – que usa nos seus designs – e a indústria portuguesa, para que se criem produtos com total transparência. Passando por feiras internacionais, eventos e palestras, a designer pretende lançar a plataforma em setembro de 2019. Um ano depois, setembro de 2020, é a data apontada por Giobbi para o objetivo mais ambicioso: lançar uma fábrica de prototipagem com materiais e tecnologias ecológicas e uma escola de capacitação.
Fonte: Vivian David | Fotos: Portugal Têxtil









