Moda Circular em pauta com André Carvalhal no Brasil Eco Fashion Week

A última edição do  imaubreykeys onlyfansBrasil Eco Fashion Week contou uma mesa redonda sobre o tema “Modelos de produção e negócios para a Moda Circular“, reunindo nomes como Flávia Nestrovski e Daniela Ribeiro da Roupateca, que trabalham com acervo disponibilizado através de planos de assinaturas, Giovanna Nader do Projeto Gaveta,e Melissa Granado, da marca de moda praia, Levh. A discussão foi mediada por André Carvalhal, da Ahlma, que produz coleções próprias e colaborações feitas 100% no Brasil com matéria-prima livre de origem animal e tecidos recuperados, reciclados ou certificados.

Dando início a conversa, Carvalhal apontou que desde a década de 80 já consumíamos mais do que o planeta podia produzir e que hoje já precisamos duas vezes o planeta Terra para dar conta de tamanha demanda. Porém, “não existe um planeta B”. Estamos nesse processo de conscientização em relação à responsabilidade ambiental porque fomos acostumados, culturalmente, a querer, produzir e consumir cada vez mais.

“Hoje a moda é um dos segmentos que mais consome recursos naturais”, disse Carvalhal. “A água é cotada como um dos bens mais caros e raros e o jeans ainda consome muita água em todo o seu processo de produção. Vejo a moda como principal agente transformador que vem influenciando uma série de outras áreas como decoração, automóveis, celulares, eletrodomésticos […] Nós entendemos o nível de loucura que esse segmento se transformou, somos escravos da moda“.

O alívio em meio a este cenário devastador são eventos como o próprio Brasil Eco Fashion Week, que une pessoas com um mesmo propósito e já trabalharam na indústria do fast fashion, do mercado de descarte, do desrespeito ao meio ambiente, mão-de-obra e seguem influenciando outras pessoas no caminho da sustentabilidade.

“Temos que usar a moda hoje como medicina para curar o mundo, abrir os olhos das pessoas”, afirma Carvalhal. “Percebi que algumas coisas haviam perdido o sentido, minhas vontades haviam mudado. Eu mudei, me transformei em uma nova pessoa, com novos sonhos, desejos e projetos”, completa.

Em busca de novos caminhos e formatos, surgiu em 2015 a Roupateca, primeira loja de roupas de aluguel. Um guarda-roupa compartilhado que cada vez mais vem crescendo e mostrando aos consumidores que o “acesso é melhor do que a posse”.

Já o Projeto Gaveta, realizado no Rio de Janeiro e em São Paulo, foi fundado em 2013 e tem como objetivo a troca de roupas sem nenhum dinheiro envolvido em um evento físico. Até hoje já foram mais de 70 mil peças circuladas, que garantem não somente todo o caminho da moda circular, mas o questionamento da vida em geral, como pensar nos descartes, na água e no que comemos.

Segundo Carvalhal, o designer de moda, atualmente, precisa ter em mente que seu papel é resolver um problema – o da sustentabilidade, da escassez de recursos. É necessário entender este compromisso de produzir roupas com menor impacto ambiental.

Na Ahlma, por exemplo, toda as roupas são de alguma forma mais sustentáveis. A marca começou reciclando e reutilizando peças prontas, transformando em algo novo na sequência. Além disso, ainda recuperam tecidos que não foram consumidos pelas confecções e reutilizam aparas de jeans. “Hoje existe na produção circular um pensamento mais novo. Não somente prevenir, mas também regenerar. Isso começou na alimentação e foi para a moda”, comenta Carvalhal.

Já a marca carioca Levh está há um ano e meio no mercado, trabalhando com produtos regenerados e biodegradáveis. “Queremos reduzir ao máximo o impacto ambiental, por isso nossas sacolas são sustentáveis e algumas de nossas entregas são realizadas com bicicleta”, afirma Melissa.

Em parceria com a empresa italiana o Econyl, a marca trabalha com um nylon regenerado proveniente de redes de pesca e outros tipos de nylon descartados nos oceanos e aterros sanitários. O tecido se decompõe em no máximo três anos nos aterros sanitários.

Estes são alguns exemplos de empresas que estão seguindo e influenciando um novo modo de pensar sobre o planeta, sobre a indústria da moda, o jeito de viver, de se vestir e, principalmente sobre o mundo que vamos deixar para as próximas gerações.

É preciso encontrar novas formas de produção e novos modelos de negócios“, finalizou Carvalhal.

Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Gabriel Colombara / Fotosite