Abit apresenta balanço do setor têxtil e de confecção e prevê retomada lenta

Na última semana, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) apresentou os números do setor referentes ao primeiro semestre deste ano, o tamanho do impacto da pandemia na atividade industrial e a reabertura gradual do comércio em diferentes regiões do Brasil.

“A vida está começando a ganhar um certo dinamismo, de acordo com a flexibilização das atividades comerciais em cada região. As novidades são os novos protocolos de segurança, higiene, saúde, além do digital que se acelerou”, afirmou o presidente da entidade, Fernando Pimentel durante a coletiva de imprensa.

Segundo Pimentel, o Brasil é um dos poucos países do mundo que mantém produção em todos os elos da cadeia, desde a matéria-prima até o produto final. O setor, que ocupa o quinto lugar no ranking mundial teve um faturamento de R$ 185,7 bilhões em 2019 e emprega diretamente 1,5 milhões de pessoas.

Todos sabem que com o início da pandemia, comércio fechado, os mercados têxtil e de confecção sofreram uma queda bastante expressiva. A produção de vestuário teve queda de 38,6% entre janeiro e maio em comparação com o ano passado. Houve uma perda de 70.968 mil postos de empregos entre janeiro e junho. Já o BNDS desembolsou 15% a mais entre janeiro e março, em relação ao ano passado.

As importações diminuíram 23,75% entre janeiro e julho, e as exportações ficaram em – 8,44% no mesmo período. Dentro do vestuário foram menos 25,73% importações, em relação ao ano.

“O acumulado do ano ainda é muito ruim devido a praticamente 90 dias com o comércio interrompido e ainda hoje com horários reduzidos”, comentou Pimentel. Nesse cenário, o auxílio emergencial oferecido pelo governo ajudou bastante o setor.

Segundo pesquisa realizada com empresários, que mostra o sentimento sobre o cenário econômico, incluindo produção, vendas e emprego, a alta expectativa despencou entre abril e julho (13% avaliou como positiva). A partir de junho, os índices de confiança começaram a melhorar.

Perspectivas para 2020 e 2021

De acordo com Pimentel, o setor terá uma retomada lenta. Em relação à produção, esse ano há uma previsão de queda de 19,5%, vendas internas de menos 19%, importação com diminuição de 18%, exportação -5,1%.

Para 2021, a projeção é de um aumento em 8,1% na produção, +6,8% nas vendas internas, crescimento de 5,2% nas importações e de mais 6,5% nas exportações. Espera-se uma recuperação de mais 17 mil empregos. “Pode ser que neste Natal nós já estejamos mais próximos dos números  período no ano passado, com uma queda pequena ou muito próxima”, comentou Pimentel.

O presidente da entidade ainda detalhou alguns temas urgentes para o enfrentamento da crise:

• Crédito/juros: continua alto e com dificuldades de chegar na ponta;

• Energia elétrica: pagamento sobre consumo e não sobre demanda contratada até o final de 2020;

• Aprovação da proposta de crédito (BNDS) no valor de R$ 18 bilhões com liquidez ao setor;

• Programa de renegociação extraordinária de dívidas com a união;

• Utilização de créditos fiscais detidos pelas empresas para pagamentos de tributos e que possam servir também como garantias bancárias;

• Relações com o mundo: acordos internacionais, cadeias de suprimentos, exportações e importações (risco de compra de produtos a preços aviltados).

Futuro

O “Custo Brasil” continua alto e, atualmente o desafio é ser mais assertivo com coleções que não geram grandes desperdícios, mais eficiente com a integração varejo e indústria, ganhos de produtividade, de encontro com a sustentabilidade e valorizando o produto Feito no Brasil.

“Olhando para frente eu acho que o setor têxtil e de confecção terá a capacidade de ser um dos pilares dessa retomada gerando emprego e renda. Porém o crescimento de postos de trabalho vai se dar de forma mais lenta mesmo que o cenário apresente os percentuais otimistas para 2021”, afirmou Pimentel.

Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Reprodução