Algodão de alta qualidade cresce no Oeste Baiano

O plantio de algodão tem crescido bastante nos últimos anos. Ponto para a economia, ponto para a indústria têxtil. Ainda assim, o país ainda tem que percorrer um longo caminho em relação ao cultivo da pluma, quando se leva em conta a preservação ao meio ambiente e os recursos escassos, como a água.

Segundo apontado pelo Globo Rural, a soja ainda está em primeiro lugar na agricultura, mas o algodão vem avançando cada vez mais. O índice cresce principalmente no Oeste Baiano, onde localiza-se o município de Barreiras, a 900 quilômetros da capital Salvador, o maior produtor de algodão da Bahia, perdendo apenas por Mato Grosso no volume de produção. A cidade tem ainda a vantagem de colher a fibra de melhor qualidade do país.

A soja, com 14 mil hectares, ainda ocupa a maior área, mas deve perder mais espaço em 2020. “No próximo ano, pretendemos plantar 20% mais algodão”, conta Moisés Schmidt, um dos produtores da região que dobrou a área de algodão nos últimos três anos. A cultura é rotacionada com a soja: a área onde se planta algodão um ano fica dois anos com soja antes de receber a pluma novamente.

Celestino Zanella que também produz algodão diz que plantou nesta safra 3.986 hectares da fibra e 6 mil de soja em suas fazendas em Barreiras e na vizinha São Desidério. Presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), ele conta que cultivar algodão dá muito mais trabalho porque o produtor precisa ter amplos conhecimentos do uso de defensivos e fertilizantes e de monitoramento de pragas.

“O algodão tem um custo de produção bem mais elevado que outras culturas porque exige equipamentos e uma técnica muito mais apurada. A colheitadeira, por exemplo, custa cerca de três vezes o preço de uma máquina de colher grãos. Digo que produzir soja depois do algodão é um passeio.”

Em suas fazendas, onde 70% da cultura é irrigada, a expectativa de Celestino é alcançar uma produtividade neste ano de 360 a 380 arrobas por hectare. Na safra passada, foram 320 arrobas. Ele afirma que influiu no aumento de produção da fibra nos últimos anos na Bahia a evolução das sementes com a biotecnologia e o fato de os herdeiros dos pioneiros terem se capacitado em universidades para assumir os negócios, melhorando as técnicas agrícolas e a gestão das fazendas.

Celestino diz que é possível dobrar a produção de algodão num prazo de três a cinco anos se houver mercado. Uma barreira, diz, é a estagnação do mercado interno em cerca de 700 mil toneladas. “Faltam políticas para o setor têxtil no país. Vendemos 1 quilo de pluma na faixa de US$ 1,60 a US$ 1,80. Se vendêssemos roupas de algodão, especialmente as femininas, o valor subiria para US$ 30 por quilo. Olha quanta agregação de valor estamos perdendo.”

O investimento dos produtores de grãos no chamado ouro branco se deve ao bom preço no mercado internacional nos últimos dois anos e às modernas técnicas de plantio, tratos culturais e colheita, que elevaram a produtividade média na região oeste baiana de 165 arrobas por hectare na safra 2015/2016 para o recorde de 330 na safra 2017/2018, segundo dados da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa).

No ano passado, metade da produção foi exportada, especialmente para China, Indonésia, Bangladesh e Vietnã. Neste ano, o percentual deve subir para 70%. “E podemos dobrar a capacidade de produção apenas pegando 1,5 milhão de hectares da soja”, diz Julio.

Antes de seguir para exportação ou para as indústrias têxteis nacionais, amostras de cada fardo de algodão são enviadas para o Centro de Análise de Fibra do Algodão da Abapa, em Luís Eduardo Magalhães. Considerado o maior da América Latina, o laboratório funciona 24 horas e processa 30 mil amostras por dia durante os seis meses de colheita.

“O produtor precisa da classificação para separar os fardos em alta, média e baixa qualidade, como exige o mercado”, diz Sergio Alberto Brentano, diretor do laboratório.

Em um ambiente com temperatura controlada e com equipamentos que seguem rigidamente padrões internacionais de classificação, são analisadas a resistência do fio, a espessura, a cor, a sujeira e a uniformidade de cada amostra, entre outros itens. No estado baiano, 99% do algodão produzido passa pelo laboratório e 60% das amostras recebem a qualificação máxima. O centro recebe também amostras do algodão produzido no Maranhão, Tocantins e Piauí.

Fonte: Redação | Foto: Reprodução