Depois de transformarem a agricultura mundial ao quintuplicarem, desde 1980, a sua produção de soja, os agricultores brasileiros estão em vias de avançar no cultivo de algodão e milho, duas colheitas há muito dominadas pelos Estados Unidos
Fomentadas pelos elevados preços e um acentuado crescimento na agricultura local sustentada, as áreas de sementeira das commodities estão espalhando-se rapidamente, apesar de implicarem o dobro do capital necessário da cultura de soja.
As estatísticas mostram que o número de ancoradouros dedicados a estas duas matérias-primas nos congestionados portos do Brasil está crescendo. E, apesar da soja continuar reinando na vasta agricultura brasileira, os analistas afirmam que mesmo uma modesta mudança no sentido do milho e do algodão poderá fazer a diferença nos mercados globais devido à dimensão do Brasil.
Este aumento não está isento de desafios. Embora os agricultores estejam bastante capitalizados, estão investindo em novas áreas de cultivo, e os investimentos fora dos portões das fazendas não têm acompanhado o ritmo da expansão agrícola do país.
Registros de longas filas de navios à espera para carregar açúcar e grãos entopem frequentemente os portos do Sul do Brasil. A falta de investimento na produção de fertilizantes locais força país a importar 80% das suas necessidades anuais, colocando os agricultores contra os grandes importadores, como a China, pelas vitais matérias para as culturas.
As vendas de fertilizantes locais estão a caminho de um ano recorde, mas um novo aumento nos preços dos insumos químicos, como ocorreu em 2008, poderia prejudicar a capacidade dos produtores das commodities para aumentarem o rendimento e a produção dos solos brasileiros. Estes problemas podem demorar décadas para serem resolvidos.
De momento, no entanto, esta expansão em médio prazo ajudar a suavizar os preços mundiais do milho e do algodão, e apertar a quota de mercado para rivais agrícolas, como a Austrália.
A expansão do algodão no Brasil é ainda incipiente em comparação com o peso que tem colocado no setor do milho nas últimas décadas, para alimentar a sua enorme indústria de proteína animal. O país está agora cultivando excedentes do grão grosseiro. Há apenas cinco anos, o Brasil era um importador intermitente de milho.
O impacto a curto prazo é significativo: as exportações de algodão brasileiro vão duplicar para um recorde de 900 mil toneladas nesta colheita, impulsionando o país de uma relativa obscuridade há menos de cinco anos atrás, para o quarto maior exportador do mundo.
O governo espera que a produção de algodão e milho eleve-se em 48% e 24%, respectivamente, em dez anos – de acordo com uma previsão no mês de junho. Esse crescimento seria suficiente para transformar o Brasil no terceiro maior exportador de algodão do mundo, logo após os Estados Unidos e a Índia.
No entanto, as exportações de milho e algodão brasileiros estão ainda muito aquém de chegarem aos valores de grandes produtores como EUA. A área de cultivo de algodão no Brasil é ainda relativamente pequena, composta de 1,4 milhões de hectares apesar de ter crescido 66% na última sementeira.
REDAÇÃO E PORTUGAL TÊXTIL | FOTO: REPRODUÇÃO / CARLOS RUDINEY










