Brasil tem alta na produção algodão, mas baixa rentabilidade preocupa

Em um ano marcado por baixas e preocupações com o futuro, o algodão brasileiro se manteve resiliente. A safra 2019/2020 bateu recorde na produção de pluma, chegando até 3 milhões de toneladas – ainda que faça parte do complexo agropecuário não alimentar e não essencial em meio a pandemia da Covid-19. O índice marca um aumento de 8% em relação a 2018/2019, que somou 2,8 milhões de toneladas.

Contudo, a indústria inicia a safra 2020/2021 com agricultores preocupados com a baixa rentabilidade da pluma. Ainda que a produção esteja em níveis elevados, muitos estão perdendo o interesse no plantio de algodão e preferido opções mais rentáveis, como milho e soja.

“Há dois, três anos, o preço estava acima de US$ 0,80 por libra-peso. Atualmente flutua entre US$ 0,50 e US$ 0,65”, indicou Milton Garbugio, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), ao portal Dinheiro Rural.

A baixa nos preços, que acabam não pagando muitos dos custos de produção da pluma, deve refletir na perda de 10% a 15% da área plantada na safra 2020/2021 brasileira. “Por questões de rentabilidade alguns produtores talvez escolham permanecer em outras culturas. Mas ainda é cedo para conclusões”, disse Garbugio.

Outro ponto a ser destacado é que, devido a intensificação do isolamento social após março de 2020, o setor sofreu com uma paralisação temporária na indústria têxtil, confecções e do próprio comércio. O movimento levou a um recuo da demanda mundial pelo algodão. Contudo, o cenário já não parece tão alarmante.

“Os contratos foram renegociados para que a entrega fosse realizada conforme os mercados reabrissem”, afirmou Henrique Snitcovski, presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea).

“Além do retorno de mercados consumidores tradicionais que haviam interrompido as atividades, novos negócios também passaram a ser realizados”, completou.

A exportação da safra 2019/2020 deve totalizar 1,9 milhão de toneladas, com faturamento de US$ 3,1 bilhões, ante os cerca de US$ 2,2 bilhões da safra anterior, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC).

Parte do crescimento foi beneficiado pela guerra comercial entre Estados Unidos e China, país que embora seja o segundo maior produtor mundial da fibra (6 milhões ton/ano), sofre com deficit anual de cerca de 2 milhões de toneladas. Já outra parcela da demanda é atendida pelo Brasil que tem no país asiático seu maior comprador (26%), seguido por Vietnã (18%) e Paquistão (12%).

Em relação a safra 2020/2021, o cenário ainda parece incerto. A produção deve cair de 3 milhões para 2,7 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O atraso das chuvas durante o plantio da soja em Mato Grosso, que afeta a janela de plantação da fibra em sua principal região produtora, é esperada redução da área plantada e queda de produtividade. Sobre a qualidade da pluma, o presidente da Abrapa reforçou que o resultado ainda depende das condições de plantio e clima. Já em relação aos preços, o setor acredita em melhoras.

Para a exportação, Snitcovski aponta que a tendência é de manutenção dos níveis atuais, situação que deve mudar em breve. “Há um trabalho da Abrapa junto à Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e ao governo para ampliar a participação do Brasil mundo afora”, disse.

Fonte: Redação | Foto: Reprodução