Carla Maluf fundadora do Gira Brechó conversou com o Guia

O Guia JeansWear foi conhecer o escritório do Gira Brechó, que trouxe um novo conceito ao criar um brechó focado no segmento jeans. Carla Maluf, idealizadora do projeto, coloca sempre à frente a ideia da sustentabilidade e da importância da reutilização de uma peça durável e que causa grande impacto ambiental para o meio ambiente. Conversamos com ela para saber os desafios de trabalhar nesse mercado, da onde surgiu essa ideia e o caminho que antecedeu essa nova empreitada.


Guia JeansWear – Conte um pouco da sua trajetória profissional antes do Gira.


Carla Maluf – Eu era sócia de uma empresa de brindes sustentáveis com minhas duas irmãs, a 3 Marias. Fazíamos brindes para empresas grandes como Nestlé, entre outros, e nossos brindes eram realmente sustentáveis: usávamos artesanato, parcerias com projetos sociais e tudo que era necessário para ser realmente sustentável. Em 2004 quando começamos ninguém sabia direito o que significava isso, então pegamos o começo de um mercado. Em 2008, 2009, a crise afetou a nossa empresa, as multinacionais começaram a cortar os brindes ou querer itens mais baratos, o que não era viável para gente. Em 2011 a empresa foi realmente fechada, e por problemas pessoais fiquei um tempo sem trabalhar. Logo depois voltei para a área de vendas, porém completamente fora dessa ideologia sustentável, e esse ano resolvi abrir o Gira.


GJ– Qual a sua formação?


CM – Sou jornalista por formação, creio que de alma também (risos).


GJ – Como surgiu a ideia de um brechó com foco em jeans?


CM – Eu fiquei dois anos amadurecendo a ideia. Sempre fui apaixonada por jeans e já tinha experiência com o mercado sustentável como dito antes. Não achei nenhum brechó com esse foco, o que é um grande diferencial. O jeans no vestuário é um item extremamente poluente, então pensar em reutilizá-lo ao invés de comprar um novo, é uma ideia essencial para o meio ambiente. Fora isso, já sentia que estava na hora de voltar e empreender, sou empreendedora por essência e com pouco capital inicial consegui estruturar o Gira.


GJ – Da onde surgiu o nome Gira Brechó?


CM – O nome Gira vem de girar. Somos um brechó itinerante sem ponto fixo, giramos em feiras e eventos, queremos girar o jeans que está parado no guarda-roupa entre as pessoas. Girar ideias.


GJ– O Gira tem apenas três meses e já saiu em publicações e participou do SP Ecoera, como isso aconteceu tão rápido?


CM – Eu tenho uma rede de amigos que compraram bastante a ideia. Estudei com a Chiara Gadaleta na época de faculdade, ela foi fazer um curso de comunicação e eu cursava jornalismo, e foi daí que ficamos amigas. Quando resolvi abrir o Gira liguei para ela, que há alguns anos está engajada nesse nicho de moda sustentável, para saber a opinião dela sobre essa empreitada. Ela adorou o projeto e me convidou para o SP Ecoera. Tive que correr bastante, pois um desfile não estava nos planos, mas foi muito bacana. Acho que também por ser um brechó com foco em jeans e pelo que pesquisei o primeiro, ganhamos certa atenção da mídia.


GJ – Como é trabalhar com jeans usado?


CM – Encontrar boas peças para venda é um desafio porque são raros os itens, principalmente calças, que não sofreram ajuste de barra ou de cintura, o que dificulta a revenda. Mas por outro lado, é interessante porque às vezes vendemos itens de desejo por um preço muito menor. Além de o jeans ser uma peça fácil de customizar, diferente de roupas importantes para brechós tradicionais. Você não vai cortar um tailleur da Chanel, já uma calça jeans pode virar shorts, saia, ganhar efeitos tie dye, rasgos e muito mais. Mas a grande e maior dificuldade ainda é fazer as pessoas entenderem a importância da reutilização de uma peça que é durável e têm um grande impacto ambiental ao ser produzida, porém às vezes é descartada muito rápido.


GJ– Sem loja, como você faz para vender?


CM – Fiz o primeiro bazar em casa, com 30 peças e lá era onde recebia as pessoas. Porém o Gira começou a crescer e eu precisava de um escritório. Já estava em contato com a Chiara e ela também precisava de um escritório para o SP Ecoera, e apesar de não sermos sócias em nada, resolvemos dividir esse espaço. O brechó é itinerante, então é através de bazares, feiras e eventos que vendo as peças, mas de vez em quando recebo clientes aqui no escritório e também visito clientes por agendamento.


GJ – Você pensa em uma loja no futuro?


CM – Uma loja fixa gera custos fixos e altos. Seria interessante ter uma loja se o Gira crescer muito, ai da pra pensar em um ponto. Por outro lado, não vejo problema em continuar pequena, fora que a ideia de ser itinerante vêm desde o nome. Então uma loja seria talvez para um futuro não muito próximo.


GJ – E uma loja online?


CM – A loja online é possível, porém a grande dificuldade está nas calças. São modelos que podem ter sofrido ajustes e a numeração original 38 ter virado 36, por isso é sempre melhor o cliente provar. A ideia de e-commerce pode ser aplicada para outras peças, como os itens de decoração, mas é algo que ainda estou estudando.


GJ – Planos futuros


CM – Penso em trabalhar com jeans novos, porém que foram fabricados para mostruário e acabam sem utilidade depois, peças que eram amostras de lavanderias de jeans ou coisas parecidas. Assim eu teria uma variedade maior de peças e elas também seriam reaproveitadas, sem fugir do conceito.


GJ– Para finalizar, se algum leitor quiser vender ou comprar, como funciona?


CM – É só entrar no nosso site e lá tem todas as informações de contato.