Na última segunda-feira, a Fashion Innovation Bureau teve César Araujo, presidente da ANIVEC (Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção) e CEO da Calvelex, como convidado da primeira de uma série de lives sobre o setor. O executivo trouxe detalhes sobre a indústria da moda de Portugal e como ela se tornou referência mundial em produtividade, inovação e sustentabilidade.
Hoje, a indústria têxtil e de vestuário de Portugal tem 90% de sua produção voltada para o mercado europeu e chegou a bater seu recorde de exportação em 2021. Mais de 4 mil empresas fazem parte do setor, com cerca de 90 mil trabalhadores.
Vale destacar que 79% destas empresas são familiares, incluindo a própria Calvelex. A companhia, fundada em 1985, é especializada em tailoring para segmentos de luxo e conta mais mais de 600 funcionários.
“A Calvelex foi fundada por mim e pelo meu irmão quando tínhamos apenas 16 anos, é um verdadeiro exemplo de empresa familiar. Meu bisavô foi alfaiate, meu avô foi alfaiate, o meu pai é alfaiate formado. E eu e meu irmão acreditamos que somos alfaiates dos tempos modernos”, disse César Araujo.
Pensando no presente e futuro da indústria, César destacou como o setor têxtil e de vestuário português se recuperou de várias crises ao longo dos anos e encarou este desafio novamente com a pandemia da Covid-19.
“Só foi possível superar todos estes desafios por sermos um setor e uma indústria extremamente resiliente. Nós até dizemos na brincadeira que ‘resiliência faz parte do nosso nome do meio‘, devido a dificuldade e a proatividade que temos tido para resolver esta situação”, completou o executivo.
A recuperação da indústria têxtil portuguesa passa pelos 500 milhões de euros em exportações em 2021 em comparação aos números de 2020, com uma quebra estimada de apenas 2% nos índices em relação a 2019. Além disso, a cota de mercado europeu aumentou em resultado do fornecimento de proximidade, reforçando a presença na região.
“Acreditamos que em 2022 vamos bater o recorde de exportações no mundo“, destacou César.
Ainda de acordo com o executivo, o setor deve se concentrar no que o torna único e competitivo. “A indústria tem que ser mais eficiente com novas ferramentas, ser sustentável – a economia circular é fundamental – e cada vez mais a customização vai ser um fator importante. As pessoas vão consumir menos, mas o que realmente gostam no dia a dia”, disse.
Confira a transmissão completa:
Fonte: Thaina Barros | Foto: Reprodução









