Crise no mercado de luxo japonês dá espaço ao fast-fashion

Sí­mbolos do excesso de uma nação em clara ascensão econí´mica, os impérios do luxo nipí´nicos estão agora em dificuldade devido a uma clara mudança da atitude dos consumidores em direção a artigos de moda mais acessí­veis.


Segundo dados do governo japonês, as vendas nas grandes grifes caí­ram 4% durante o mês de Fevereiro, elevando para 23 o número de meses consecutivos em queda. Devido a esta situação, a Takashimaya, número 3 do ranking do varejo de moda nipí´nico, anunciou que iria encerrar as suas operações nos EUA, onde possuí­a uma loja em plena Quinta Avenida, em Nova York.


O declí­nio das lojas japonesas de alto padrão é particularmente visí­vel no bairro de Ginza, onde se situa o coração do varejo em Tóquio. Na sua época áurea, oferecia aos seus clientes um serviço de excelência, cujo requinte chegava ao ponto de contratar mulheres impecavelmente vestidas e com luvas brancas apenas para pressionarem os botões dos elevadores para os clientes. Os produtos de luxo, de elevado valor e exclusividade, eram raramente sujeitos a qualquer tipo de desconto ou promoção.


Atualmente, e depois de mais de uma década de inflação contí­nua, os consumidores foram empurrados para as cadeias de fast fashion espalhadas por todo o paí­s, e nem Ginza resistiu a essa alteração nos hábitos de consumo. Um dos grandes nomes do bairro, Seibu, irá baixar suas portas ainda no final deste ano. Enquanto isso, no próximo mês a Forever 21, empresa americana de vestuário bem acessí­vel, irá mudar-se para Matsuzakaya, em um espaço anteriormente ocupado pela Gucci.


Enquanto a Uniqlo, empresa lí­der de fast fashion no Japão e que vende t-shirts a menos de 10 euros, aumentou recentemente a sua loja em Ginza para melhor servir seus clientes que criam enormes filas em torno das caixas registradoras durante o fim-de-semana.


Segundo a maioria dos analistas, as maisons de luxo japonesas, cuja grande maioria é essencialmente visitada por mulheres dos 50 aos 60 anos, não evoluí­ram suficientemente depressa para se adaptarem í  alteração nos hábitos de consumo, que passaram a privilegiar roupas mais acessí­veis e com uma vida útil mais curta. Alterações essas que foram aproveitadas por redes como Uniqlo, Forever 21, Zara e H&M, ganhando fatias de mercado de forma consistente apesar da retração global do mercado de consumo no Japão.

PORTUGAL TíŠXTIL | FOTO: REPRODUí‡íƒO