Denim Meeting Talks aborda o mercado de fios e fibras

Seguindo com a programação totalmente online, o Denim Meeting promoveu o webinar Talks: Fios e Fibras nesta semana. A transmissão, terceira realizada pelo evento até aqui, contou com a presença de Gilberto Campanatti, gerente técnico para América Latina da Lenzing, Jocimar Faé, especialista técnico em tecido plano da LYCRA®, Júlio Cézar Busato, presidente da ABAPA e vice-presidente da ABRAPA, Marcos Ferreira, gerente técnico da Hyosung, e Paulo Sérgio de Bene, gerente técnico para América do Sul da NILIT – confira o bate-papo na íntegra aqui.

O evento foi mediado pela CEO do Guia JeansWear, Iolanda Wutzl, que abordou os avanços e tecnologias das empresas que focam principalmente em produtos funcionais, confortáveis, com alta qualidade e sustentáveis. A executiva ressaltou a importância do fortalecimento do setor para mostrar a potência da indústria do denim para que possamos voltar mais fortes.

Júlio Cézar contou um pouco da história do plantio de algodão que já passou por diferentes fases e, entre altos e baixos, atualmente, com o desenvolvimento de novas tecnologias, colocou o Brasil como o quarto maior produtor mundial de algodão e o segundo maior exportador. O algodão brasileiro ganha cada vez mais credibilidade no mercado com o incentivo da ABRAPA e ações como o sistema de rastreabilidade onde é fixada uma etiqueta em cada fardo com todas as informações daquele produto.

Além disso, 80% da produção tem o selo responsável, ele atesta a certificação recebida pelo produtor de que está em dia com os três pilares de sustentabilidade: ambiental, social e econômico, de acordo com as diretrizes do ABR. E, para informar e incentivar a compra pelo consumidor final, surgiu também o projeto Sou de Algodão. O produto ainda pode receber diferentes aplicações como propriedades que não amassam, não molham, devolvem energia e cores específicas.

O LYCRA® FREEF!T®, último lançamento da empresa, propicia um stretch gradual aos tecidos, com alto poder de recuperação e baixa força de compressão, alta manutenção da forma e atende uma gama maior de tamanhos, possibilitando a confecção de peças com um ajuste impecável ao corpo e extremo conforto.

A NILIT, empresa global que mantém uma fábrica em Americana, no interior de São Paulo, é a maior produtora de nylon 6,6 do mundo vem apostando bastante no mercado brasileiro. Seus fios são diferenciados com foco em tecidos funcionais, incluindo o segmento denim. Segundo o gerente, Paulo Sérgio, os produtos agregam conforto e diferentes tecnologias como fios bacteriostáticos, maior rendimento na atividade física, entre outros.

Gilberto Campanatti, gerente da Lenzing, acredita que toda crise é um catalisador do que vem acontecendo e essa que estamos passando traz a busca pelo conforto, estabilidade e sustentabilidade, pilares que a empresa já vinha trabalhando faz tempo com fibras a base de celulose, polpa de madeira sustentável e que confere toque macio e leveza aos tecidos.

A Lenzing lançou, neste ano, a Refibra™ produzida a partir de sobras de retalhos de algodão somadas à polpa da madeira para a construção de uma nova fibra Tencel.

O grupo sul-coreano Hyosung é o maior fabricante de elastano e atende diferentes segmentos como fitness, jeanswear, moda praia e lingerie. A empresa mantém fábrica no Brasil desde 2011, tem projetos de expansão e oferece uma versatilidade de produtos para cada setor. Segundo o gerente técnico, Marcos Ferreira, o elastano sempre foi a “ovelha negra” do mercado, mas o grupo está se esforçando para melhorar seguindo projetos como a biodegradabilidade, fios com base na biomassa e os reciclados.

“A principal barreira para se produzir com fios reciclados é encontrar matéria-prima”, afirmou Marcos.

Pós-pandemia

Para Marcos Ferreira, a indústria brasileira sairá fortalecida após a crise, repleta de desafios e conquistas. Seguindo o mesmo otimismo, Gilberto ressalta a importância das parcerias e elogia a indústria têxtil que vem munida de muita informação e tecnologia, principalmente na área do denim. “É difícil trazer informação nova para os produtores de denim, eles já têm um desenvolvimento tecnológico avançado que não perde para nenhum lugar do mundo”, afirma Gilberto.

Paulo Sérgio comenta que irá sobrar um aprendizado após a pandemia com um mercado igual ou até melhor do que antes. Jocimar afirma que já passaram por outras crises e essa não será a última. Ele acredita que é preciso investir na união da cadeia para encarar qualquer desafio.

“Precisamos ser cada vez mais assertivos em nossos desenvolvimentos, oferecendo o produto correto e investindo cada vez mais em tecidos sustentáveis que ofereçam conforto e qualidade”, disse Paulo.

Julio concorda na união da cadeia para o crescimento do setor. “Acreditamos na cadeia têxtil brasileira. Vamos passar por dificuldades, mas no futuro nós vamos ter novas oportunidades porque acreditamos no nosso negócio, trabalho e união”, concluiu.

Fonte: Vanessa de Castro | Fotos: Reprodução