Denim upcycling e sarjas descomplicadas marcam presença na Casa de Criadores

A 47º edição Casa de Criadores teve início nesta segunda-feira, em formato 100% online e com performances inovadoras. O primeiro dia teve a presença de Dendezeiro, TRASHrealoficial, Estamparia Social, Priscilla Silva, PIM (Periferia Inventando Moda) e Fernando Cozendey, além de André Hidalgo, idealizador da Casa de Criadores e responsável pelo discurso de abertura do evento. O segundo dia contou com apresentações de Rafael Caetano, Estúdio Traça, Kel Ferey, Jorge Feitosa, NotEqual e Santista Jeanswear.

Estúdio Traça

“No mundo de hoje, tudo foi acelerado. A urgência tomou conta das nossas vidas. Sim! Nós temos urgência. É sobre isso que essa edição se trata: urgência. Urgência em derrubar muros, em quebrar barreiras, em provocar transformações”, disse André Hidalgo durante a apresentação.

“Urgência em fazer com que a moda brasileira volte a ter relevância, propósito, significado. Neste sentido, nunca a Casa de Criadores foi tão necessária. Na nossa história, sempre abrimos espaço para todos os corpos e corpas, todas as narrativas, todos os fazeres, todas as demandas. Mas não adianta a gente achar que isso por si só foi o suficiente. Não foi, não é. Precisamos ir além”, completou.

Dendezeiro

A marca Dendezeiro estreou neste ano na Casa de Criadores e é recente no mundo da moda. Criada no começo do ano passado, seu nome foi escolhido devido à árvore que gera o coco de onde vem o óleo de dendê, muito utilizado não somente na culinária baiana, como nas religiões de matrizes africanas e como símbolo de ancestralidade da Bahia.

Hisan Silva, de 22 anos, e Pedro Batalha, de 23, ambos jovens da periferia, são os responsáveis pelo nascimento da marca. A dendezeiro tem como objetivo desconstruir valores sexistas dentro da moda e carrega a ideia de que roupas podem ser vestidas por quem as desejar, independente de orientação de gênero ou sexual.

A coleção intitulada Transatlântico traz peças agêneros em sarjas da Vicunha, em tons terrosos e modelagens amplas, silhuetas simples e com um quê do utilitário em macacões, calças, bermudas, vestidos e jardineiras.

Priscilla Silva

A coleção Origem foi inspirada em uma mulher cosmopolita, com a alma indígena, que busca exclusividade e valoriza a simplicidade dos detalhes e retrata tribos pelos olhos e pensamentos da estilista. Os looks vem tons de vermelho, branco unindo sarja e o denim da Vicunha com detalhes de mangas vazadas com cordões e aspecto handmade através do crochê colorido, além de camisas no jeans claro e aspecto rústico com foco na alfaiataria clássica.

 PIM

Fundado em abril de 2014 pelo estilista Alex Santos e pelo psicólogo e produtor cultural Nil Mariano, o PIM – PERIFERIA INVENTANDO MODA é um movimento fashion que nasceu na comunidade de Paraisópolis.

Utilizando o poder transformador da moda e da beleza para articular e capacitar jovens da periferia, promovendo o empoderamento e a autoestima e facilitando a atuação no mercado. A coleção Filhas de Oxum une o branco e o dourado com muitos detalhes de bordados, rendas e búzios. A linha Rhythim Cloting aposta no jeans bruto, limpo e com brilho mesclado a rendas, babados, estampa Paisley, adamascados, metalizados, mangas bufantes e navalhados com franjas numa pegada latina.

Estúdio Traça

O Estúdio Traça comandado por Gui Amorim traz os artigos da Nicoletti Têxtil num lindo trabalho de upcycling a partir de resíduos têxteis principalmente de denim, sua matéria-prima favorita. Aqui entram o blacks e o jeans desconstruído.

Jorge Feitosa trabalhou o upcycling com artigos da Santista Jeanswear com foco na sustentabilidade, com foco no público masculino. Suas peças são feitas com retalhos gerados pela própria produção, e em sua maioria, tecidos adquiridos em lojas de saldos, que seriam desprezados pela indústria, além de tecidos de linha comercial.

A coleção “CURTisso” aposta em vestidos com estampas que remetem às casas vazadas no preto e branco, além de jaquetas, quimonos, bermudas e regatas.

Fonte: Vanessa de Castro | Fotos: Reprodução