Enrico Cietta fala sobre economia circular e personalização de produtos

O autor das obras A Revolução do Fast Fashion e A Economia da moda, Enrico Cietta, esteve presente na quarta edição do Denim Meeting São Paulo, no dia 26 de março. Em entrevista para o Guia JeansWear, o CEO da DIOMEDEA, empresa de consultoria de modelo de negócios para empresas de moda originada da Diomedea Itália, e fundador da Metodologia Internacional HCP (Hybrid Creative Products, produtos criativos híbridos em inglês), abordou temas como a importância dos produtos personalizados, o uso da tecnologia pelas empresas da moda e a relevância das empresas sustentáveis. Confira!

GJ: Qual a importância da personalização dos produtos para a indústria da moda?

EC: A importância é fazer com que o consumidor se sinta como protagonista. A personalização consegue juntar a fábrica ao consumidor, de forma extremamente avançada. A gente vê isso de diferentes formas, mas principalmente na produção dos itens. Na criação também. Cada vez mais, as empresas da moda estão usando big datas para trabalhar no sentido de conseguir atender o consumidor antes que ele peça para comprar. Esse mecanismo é uma tendência que está em evidência inclusive no Denim Meeting.

GJ: Como a tecnologia está conectando o modelo de negócios das empresas da moda?

EC: Hoje em dia, a tecnologia é uma forma da empresa ter sempre mais oportunidades. No passado uma companhia trabalhava basicamente com uma, duas, no máximo três tecnologias. Atualmente vemos mais empresas que usam mais do que três tecnologias, porque isso depende muito do produto, do mercado, e amplifica a possibilidade de fazer modelos de negócios simples e mais amplos.

Às vezes a empresa procura uma tecnologia quando enxerga uma oportunidade no mercado, mas muitas vezes a tecnologia já sugere o modelo de negócios. E essa troca que acontece entre quem fornece materiais e quem usa essas tecnologias fica mais importante e fundamental para o avanço metodológico. A tecnologia molda, mas também é fundamental para o avanço do modelo de negócio das pessoas.

GJ: No livro Economia da Moda, você fala sobre sustentabilidade. O que isso significa na prática para as empresas?

EC: Por muito tempo a sustentabilidade era vista como uma forma da empresa vender mais. Quando na verdade, uma empresa não vende mais por ser sustentável, ela só irá participar do mercado da moda se ela for.Não é questão de vender uma peça a mais, se você não é sustentável não irá vender nenhuma. Sustentabilidade não vai ser mais do que um pré-requisito, não apenas uma diferenciação.

Para aderir ao modelo sustentável de maneira viável, no ponto de vista econômico, você precisa ter uma visão circular no modelo de negócio. Ou seja, é preciso passar a enxergar que a marca não pode perder a conexão com o produto, mesmo depois da venda. É como se existisse um cordão-umbilical que a liga ao item, que depois volta para a marca que precisa recuperar o máximo possível.

Essa visão circular das empresas representa um lado onde ninguém perde. A gente precisa construir um modelo de negócios em que essa questão já esteja inclusa.

Fonte: Beatriz Fleira | Fotos: Kriz Knack