Fórum: Varejo X Consumidor: novas diretrizes, novos tempos

Em sua terceira edição SP, o camilla araujo leaked onlyfans Denim Meeting conseguiu reunir um super time no Fórum – Varejo x Consumidor: Novos meios de comunicação que contribuem para aproximar o consumidor de sua marca. Mediado por Luciane Robic, diretora do IBMODA, estiveram presentes André Carvalhal, diretor da Ahlma, Marina Kadokka, diretora de marketing da Levi´s no Brasil, Eduardo Cristian, diretor da marca Black West, Flávia Durante, criadora do evento Pop Plus e Anderson Salvador, gerente de marketing e VM das marcas Hering Kids e PUC.

Luciane iniciou a conversa falando que a gente precisa mudar, mas sem conhecimento não conseguimos, por isso é tão importante eventos como o Denim Meeting para agregar cada vez mais informações ao mercado de moda, debater, gerar conhecimento e discutir o que podemos fazer.
Luciane comentou sobre o varejo pulsante que temos no Brasil, onde a maioria ainda é de lojas físicias – 93%, e dentro desse mercado, as lojas de departamento que vêm crescendo bastante.

André Carvalhal que trabalhou na Farm e Malha, está agora na Ahlma, que faz parte do grupo Reserva, disse que o maior desafio das marcas é a questão da sustentabilidade e da ética em seus produtos.

Já a jornalista Flávia Durante, sempre achou a moda chata e fútil. “Mas depois percebi que não era a moda que era chata, mas sim, ela que me excluía porque era gorda, não me encontrava em nenhuma marca porque só encontrava roupa para grávidas, departamento masculino ou lojas de senhora. Queria algo mais moderno”, disse Flávia. Foi aí que teve a ideia de vender biquínis para as amigas e em seguida iniciou um bazar reunindo marcas descoladas do segmento plus size. O sucesso foi tão grande que nasceu o Pop Plus que em sua primeira edição teve 120 pessoas, atualmente o evento realizado no Club Homs tem uma média de 12 mil pessoas em busca de peças criativas e autorais em tamanhos maiores. Segundo Flávia, esse segmento ainda tem muito a crescer porque somente 5% do varejo se dedica ao plus size.

E, qual seria o diferencial para quebrar o preconceito em relação aos tamanhos GG?

Flávia afirma que o mercado deve enxergá-lo como um consumidor de moda, empoderado, quebrar a barreira do preconceito e não valorizar somente a magreza como perfil único de beleza. “Escolas e cursos de moda também precisam acreditar nesse potencial, pois a maioria só tem manequins 38 ou 40”, comenta Flávia.

Eduardo Cristian, que criou a Black West em 2013 disse que não se intimidou com a crise no Brasil e vem investindo cada vez mais na expansão de sua marca que atualmente produz 100 mil peças por mês, mantém sete lojas próprias e até agosto pretende chegar a 10 espaços, além de 30 franquias e mais de mil pontos de vendas em todo o país. Segundo ele, não adianta investir nas melhores lojas e produtos, sem valorizar as pessoas que trabalham nelas. “Quando eu contrato um funcionário, vendo um sonho para ele, e a oportunidade de vivenciar um sonho junto com ele. Precisamos investir em capital humano, eu repasso o amor que tenho pela marca”, comentou Eduardo.

E como gerenciar o perfil desses funcionários e evitar o turnover (rotatividade de colaboradores) dentro de uma empresa?

Segundo Eduardo, a partir do momento que começa a olhar a pessoa e não somente os resultados, as coisas mudam. É preciso engajar esse funcionário sem pressão, sem cotas e metas. “Troquei a equipe de vendas e supervisor, eliminei as cotas e metas e tudo isso foi transformador pois começamos a vender muito mais e o turnover caiu em 70%”, afirmou Eduardo.

Marina, da Levi´s, disse que quando entrou na empresa queria levar uma moda mais inclusiva para a marca e não somente falar de roupa, mas também de lifestyle, música, artes, algo mais democrático para o consumidor. Segundo ela, os milleniuns estão vindo para nos ensinar a fazer moda, por isso temos que ouvir o que os consumidores desejam. Além disso, é importante criar campanhas onde as pessoas possam se ver refletidas. “Moda não é só roupa, mas comportamento também. Hoje as pessoas questionam os bastidores da marca, trabalho escravo, meio ambiente, água de reuso, produtos químicos….acho que ainda vamos chegar no ponto em que só iremos comprar produtos com propósito”, comentou Marina.

E como trabalhar a sustentabilidade no processo de fabricação e sobre a questão de usar e comprar menos?

Segundo Marina, o objetivo maior é conquistar novos clientes e, tudo bem se o jeans vai durar anos, se o consumidor vai comprar menos, a lavar menos a peça. “Nosso cliente é fiel, ele entende a marca, nossos valores e a qualidade e vê o valor percebido com investimento em tecnologia”, comentou.

Anderson que está no grupo Hering há seis anos falou sobre os principais desafios do mercado: o cliente precisa se ver representado através da marca, responsabilidade social, impacto na moda e qual o destino que se dá para as roupas. A empresa que mantém indústria própria utiliza as sobras de tudo o que é gerado em diferentes projetos pelo Brasil. “A gente pensa como dar uma cara nova às coisas antigas, o conceito de upcycling, ou uma peça bacana produzida com restos de tecidos que à princípio seriam descartados”, comentou Anderson.

Outra grande preocupação é como fazer essa gestão de quatro marcas diferentes dentro do grupo – PUC, Hering Kids, Dzarm e Hering, e para públicos distintos.

“A gente precisa conseguir falar de produto sem falar de produto, usá-lo como meio e não como fim. Inovar na comunicação entendendo todos o itens dentro do varejo como preço, qualidade, sem falar nisso necessariamente, mas sim sobre o lifestyle, representatividade do consumidor”, acrescentou Anderson.

Qual a relação do ponto de venda com a decisão de compra que é do pai ou da mãe?
É um desafio porque atualmente as campanhas são diferentes. Antigamente a liberdade poética era maior. Hoje as marcas infantis têm se comunicar com os adultos, mas as crianças têm um poder de decisão muito grande. O importante é se comunicar com os dois tanto nas lojas quanto na divulgação. Além disso, as crianças já nascem conectadas, elas estão mais críticas, tem opinião e os pais oferecem uma maior liberdade de escolha.

Luciane questinou também sobre o desafio de uma marca com propósito e, que é agressiva em termos de resultados, que precisa gerar lucros.

Segundo André, propósito está relacionado à lucro principalmente porque uma marca é financiada pelas vendas. “A gente entende que as pessoas sempre vão querer roupas novas e, não é somente pela futilidade, mas porque há mudanças na vida – engorda, emagrece, casa, fica solteiro, muda de emprego, muda de gosto, viaja….”, comentou André. Ele ainda disse que “A Ahlma é uma marca que precisa gerar volume e lucro, mas temos consciência de que não vamos contribuir para o fim do mundo”. Existem muitas formas de fazer moda sem abrir mão da venda e do lucro e nesse sentido a Ahlma somente trabalha com resíduos das outras marcas do grupo Reserva e de empresas parceiras, além de algodão certificado e orgânico e jeans reciclado. Eles ainda fazem curadoria em brechós e dentro das marcas do grupo, para reformar e colocar à venda. “Pensamos formas de gerar o novo, sem causar impacto ambiental”, finaliza André.

Fonte: Vanessa de Castro | Fotos: Osiris Bernardino