TALK SHOW – “União dos elos – tecelagens, atacadistas e marcas jeanswear do Agreste Pernambucano”

Na programação do Denim Meeting de Caruaru que aconteceu dia 19 de setembro, um dos momentos mais esperados por todos os convidados foi o Talk Show, por ter sido considerado ano passado um divisor de águas para as cidades do agreste pernambucano – Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe . Projetado para uma conexão direta entre tecelagens, atacadistas e marcas da região e mediado pelo estilista e consultor de moda e mercado, Leopoldo Nóbrega, o Talk Show foi concebido com o intuito de aproximar os elos produtivos do mercado jeanswear local.


Os representantes das principais tecelagens do Brasil se fizeram presentes como Canatiba, Covolan, Santanense, Vicunha e Santana Textiles. Os atacadistas convidados como principais distribuidores do jeanswear na região também prestigiaram o evento, como a RC Tecidos e Petrópolis Têxtil, além de marcas locais como: Brytch Jeans, XLZ Jeans e a Brennys. O mediador, Leopoldo Nóbrega, abriu o circuito das discussões explicando para o público que o objetivo do encontro foi aquecer a cadeia produtiva de confecção com a participação de todos os envolvidos. Em seguida, ele questionou a todos a respeito da importância do valor agregado do produto para o segmento.

Francisco Gonzales, coordenador de marketing da Vicunha, ressaltou que nunca se falou tanto como agora em agregar valor ao produto. Marcos Fernando da Covolan se disse impressionado com a eficiência da produção local, mesmo com a séria escassez de água. Anselmo, da Canatiba, reafirmou que o Talk Show é o encontro para buscar caminhos para maior crescimento e que isso só vai acontecer quando os empresários perceberem que precisam produzir produtos diferenciados, para atingir diferentes mercados. Antonio Manzarra, da Santana Têxtil, diz que o mercado de Pernambuco tem para a tecelagem uma estratégia de mercado exclusiva. São ações estabelecidas com o perfil cultural da região. Com show room em Caruaru e Toritama, o atacadista continua sendo grande parceiro para o desenvolvimento do mercado. O outro lado da cadeia também se pronunciou, Diego Kaio, da Brytch Jeans, defende a ideia que não se pode só pensar em produto com valor agregado.

Cada empresa tem que atender o cliente que tem o perfil do preço em primeiro lugar, no que Júlia Lucena, atacadista da Petrópolis Têxtil, também concordou com Kaio, complementando que o preço faz sim a diferença na comercialização do produto. Edla Nayale, da RC Tecidos, reflete que é preciso antes de tudo, estar junto do cliente e entender o que ele quer, desenvolvendo produtos próprios para a região.

O mediador lançou um questionamento sobre a importância do atacadista no circuito. Segundo Manzarra, da Santana, o atacadista é necessário para empreender. Francisco, da Vicunha, explicou que a indústria produz 20 milhões em metros e é líder mundial. São 15 milhões em índigo e 5 milhões em sarja. Ao todo 250 artigos, destes 20 estão rodando e apresentando a mesma informação. “Não trabalhamos com exclusividade. Não segregamos. O mix de produtos é para todos, show room e atacadista”. Marcos Fernando, da Covolan, analisou a mudança no mercado, acompanhando o novo contexto econômico, ressaltou que é preciso se readaptar. Explicou ainda que, por isso a Covolan oferece produtos para todo tipo de atacadista, proporcionando facilidade de acesso e entendimento com o cliente.

Como o confeccionista sintoniza, alinha a informação de moda com o atacadista? Kaio, da Brytch, responde que o confeccionista não espera que o atacadista lhe ofereça o produto. “Precisamos munir os atacadistas de informação”, diz ele. Nóbrega questiona em seguida, como os atacadistas são abastecidos pelos confeccionistas? Juliana Lucena, da Petrópolis Têxtil, responde, como atacadista, que é preciso ir ao cliente e buscar pesquisar tecelagens com produtos exclusivos para as confecções, acompanhar as tendências e a sazonalidade. Leopoldo destaca que diante de tudo que foi discutido torna-se necessário propor um elo de estratégias mais proveitosas. Ele propôs alternativas como a criação de eventos na área de criação, trazer com ousadia, um desejo de melhora para as temáticas dos encontros.

No final, todos os participantes foram unânimes em admitir que, de acordo com Kaio, da Britch, o mercado precisa se modernizar mais. Moda, confecção e representantes precisam agilizar as demandas entre as tecelagens e os confeccionistas, para que o mercado não fique na dependência de aguardar informações que possam oferecer uma resposta mais rápida. “O atacado é demorado, por conta do representante, esquece de atender de forma mais ágil. Sugiro aqui uma plataforma, um canal aberto para compra direta”, pontuou. Nóbrega, de imediato, esquentou o debate e sugeriu a proposta de um selo de qualidade, que poderia ser o Denim Quality, produto desenvolvido pelo Denim Meeting, com tecnologia diferenciada. Ele acrescentou que encontros para lançamento de informação e otimização dos processos são necessários sempre. Por isso, se despediu sinalizando a disposição para próximos encontros em breve.

Fonte: Iris Alacoqui | Fotos: Equipe Guia JeansWear