Haco rumo ao futuro

Natural de Porto Alegre, o novo CEO da Haco, Alexander Stefan Dattelkremer, tem formação em administração de empresas, com complementação de estudos em Ciências Contábeis e Finanças. Além disso, possui larga experiência no setor, e contém no portifólio 29 anos de história com o grupo de empresas da cadeia C&A, trabalhando para a rede em todos os setores (até chegar à posição de vice-presidente comercial) e em diferentes países.

Ótimo currículo, não? Além disso, Dattelkremer foi o responsável por introduzir no grupo C&A o modelo de licenciamento direto com empresas do varejo, em 1988, realizando os primeiros contratos de parceria com nomes como Disney, Exim, Mattel, Turma da Mônica e Warner.

Em entrevista especial ao Guia Jeanswear, o CEO fala sobre o segmento jeanswear, as novidades da Haco (como a operação na Ásia que iniciou este mês e fornece para países que produzem na China – veja aqui) e sobre o mercado em geral. Confira abaixo.

Guia Jeanswear – Qual o histórico da Haco?

A Haco iniciou em 1928, apenas com a produção de cadarço para tênis e camisetas, e hoje oferece uma gama variada de produtos e soluções. A empresa se destaca por ser completa. Além da produção de etiquetas (tecidas, estampadas e sintéticas) – oferece ao mercado itens como cadarços diversos (utilizados em calçados, bolsas e acessórios), tecidos Jacquard, fitas, transfers, tags, rótulos e embalagens em papel, além de produtos com tecnologia RFID (Identificação por Rádio Frequência).

Sempre um passo à frente no investimento em tecnologias e inovações do setor, a Haco é pioneira nos lançamentos de produtos diferenciados, como etiquetas com inscrições em Braille, com Sequência Numérica tecida, material sintético com reator sensível à luz negra, e etiquetas com chip RFID.

O investimento em pesquisas de tendências também é um diferencial. A empresa conta com uma equipe com mais de 40 profissionais especializados em moda e design, que buscam informações nos maiores centros de tendências mundiais e criam produtos que antecipam a moda, com lançamentos de coleções especiais ao longo do ano. Além disso, disponibiliza de um espaço reservado especialmente para promover o encontro entre o departamento de estilo e desenvolvimento dos seus clientes e a equipe de criação Haco, para a realização de brainstorming de ideias em conjunto, visando criações de acordo com as tendências e a identidade de cada marca.

GJ – Em que consiste a reestruturação da empresa? Quais áreas já sofreram modificação e quais ainda sofrerão?

Será feita uma reorganização dos processos, desde a captação da matéria-prima até o faturamento e entrega ao cliente. Esta reorganização consiste em modificações tanto nos procedimentos quanto na estrutura física. Faremos tudo o que for possível para otimizar ainda mais a produção e minimizar perdas. Isto inclui realocação de funcionários e contratação de novos.

Já iniciamos algumas mudanças na área comercial. A equipe de vendas da Haco também está passando por uma reestruturação. Alguns representantes foram contratados e outros desligados da empresa. Mudamos as gerências responsáveis pelas Regionais Sul e Nordeste e também contratamos um gerente específico para a região do Rio de Janeiro, que antes estava sob tutela do escritório Regional São Paulo.

GJ – Como será o trabalho da unidade de Hong Kong?

Neste primeiro momento a produção será terceirizada, através da parceria com uma empresa asiática que está há mais de 25 anos atuando no mercado têxtil. Dois escritórios (em joint venture) foram montados, um em Hong Kong e outro em Shangai. A intenção é atender aos nossos clientes que produzem seus produtos em países asiáticos.

A Haco transmitirá o desenho e especificações técnicas dos produtos desenvolvidos por sua engenharia no Brasil ao escritório de Hong Kong, que terá funcionários da Haco para acompanhar os processos. Após supervisionará todo o processo com seu parceiro de produção local e entregará os produtos diretamente aos faccionistas asiáticos dos clientes da empresa, reduzindo a preocupação do cliente com os itens de identificação de suas marcas.

O atendimento na Ásia teve início dia 4 de janeiro, e já possui em seu portfólio de clientes a marca Hering, que coincidentemente foi também o primeiro cliente da Haco no Brasil, em 1928.

GJ – Quais são as novas estratégias de marketing para o crescimento da empresa?

Trabalharemos fortemente em todo o mix de marketing, seja ampliando a produtividade para oferecermos preços mais competitivos, na distribuição, com a contratação de mais representantes, ampliando a cobertura no Brasil, investindo em pesquisa e desenvolvimento de produtos, mantendo a posição de líderes no setor, oferecendo aos clientes o que existe de mais moderno e na moda em produtos de identificação, além de campanhas que comuniquem onde estamos, o que fazemos, e quais benefícios os clientes têm em estarem com a Haco.

GJ – O Sr. afirmou que a meta é que empresa dobre de tamanho nos próximos 5 anos, quais são as ações previstas para que isso aconteça?

A reestruturação de todos os processos, unidades de negócio, fábricas e áreas da empresa é a principal ação que será tomada. A empresa investirá massivamente no capital humano, em treinamentos e em pesquisa e desenvolvimento de produtos. Nossa área comercial está sendo totalmente reestruturada para que possamos oferecer o melhor produto com o melhor serviço, para identificar e agregar valor aos produtos de nossos clientes.

GJ – E quais são os próximos projetos da Haco?

Faz parte do processo de internacionalização da Haco a implantação de uma fábrica no Marrocos, um dos projetos para 2011. A unidade, também será constituída por meio de uma joint venture e atenderá a região com foco para o Egito, Tunísia e Norte da África.

GJ – Qual o segredo de se sobressair em um mercado tão competitivo?

O segredo é estar atento às mudanças do mercado, entender o que nosso cliente busca, e o que busca também o consumidor final. Conhecer o comportamento de novas tribos, compreender diferentes culturas, ser global e agir localmente. Além disso, manter a cultura de uma empresa vencedora sempre viva. A Haco tem mais de 80 anos de história, e valorizar a sua cultura, investir no patrimônio humano, certamente é um dos pilares para se sobressair em qualquer mercado.

GJ – Qual a sua opinião sobre o segmento jeanswear no Brasil?

O segmento jeans é muito forte no Brasil, e tem se consolidado ano a ano. Nossos criadores estão cada vez mais assertivos em suas coleções, e os produtos brasileiros têm sido visto com outros olhos no mercado mundial. Trata-se de um segmento muito promissor e que a Haco percebe como de altíssimo potencial de crescimento. Há tempos temos dedicado coleções exclusivas ao jeanswear, e a cada ano intensificamos nosso trabalho para oferecer o melhor.