Kikorum Jeanswear se consolida no mercado de moda pernambucano

Caruaru, considerado o município mais populoso do estado de Pernambuco, situado na região nordeste do Brasil, esconde grandes surpresas, além de exercer um importante papel centralizador no Agreste e interior pernambucano, concentrando o principal pólo médico-hospitalar, acadêmico, cultural e turístico da região. A cidade é também lembrada pelos festejos com fama internacional, e pela Feira de Caruaru, conhecida por ser uma das maiores feiras ao ar livre do mundo e tombada como patrimônio imaterial do país pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).


Mas as surpresas não acabam por aí, subindo o morro Alto do Moura encontramos um artesanato típico, feito com argila e que se tornou conhecido mundialmente pelas mãos de Vitalino Pereira dos Santos, o Mestre Vitalino. As artes feitas pelas mãos de Vitalino atravessaram as fronteiras e foram representar Pernambuco na exposição de Arte Primitiva e Moderna Brasileira no ano de 1955, em Neuchâtel, na Suíça, e atualmente podem ser contempladas no Museu do Louvre, em Paris, e em sua antiga residência no Alto do Moura, em Caruaru.


Porém nossa descoberta mais relevante para o leitor do Guia Jeanswear ficou por conta do setor têxtil, segunda maior fonte de renda da cidade que vem ganhando fama pelo Brasil afora pelas confecções, marcas de jeanswear e 12.000 fábricas têxteis. Entre elas, instalada em meio ao pólo industrial, se encontra a confecção de jeanswear Kikorum, que aos poucos vem se consolidando no mercado da moda pernambucana. Na entrevista a seguir José Deoclécio do Nascimento, empresário e proprietário da Kikorum conta para o Guia Jeanswear o segredo do sucesso da marca e os próximos investimentos para expansão da fábrica que é totalmente verticalizada, e está sob seu comando.

Guia JeansWear – Como surgiu a marca. E suas instalações sempre foram em Caruaru?

José Deoclécio do Nascimento – A marca se chamava Jodina, e um cliente amigo me aconselhou a trocar o nome por um mais forte, quando em comum acordo surgiu o nome Korum, porém ao patentear fui impedido por ter algo semelhante no mercado, foi então que acrescentei o Ki no Korum, e assim nasceu a Kikorum Jeanswear em 1987, com a intenção oferecer peças com estilo próprio e de qualidade com informação de moda.

GJW – Possui lojas próprias e qual forma de distribuição e propagação da marca?

JDN – Sim, atualmente a Kikorum possui 3 lojas próprias em Caruaru, 1 em Santa Cruz e outra em Toritama. Temos 12 representantes espalhados pelo Brasil que vendem a marca para multimarcas, participamos de eventos como a Rodada de Negócios da Moda Pernambucana que acontece em Toritama 2 vezes ao ano, participamos do Caruaru Fashion Day e do antigo Rio-à-Porter, atual Salão Bossa Nova, além de e desenvolvermos catálogos com nossos produtos.


GJW – Qual produção mensal?

JDN – 35.000 peças


GJW – Qual público da Kikorum?

JDN – Fazemos uma moda jovem, 60% masculina e 40% feminina.


GJW – Com a confecção totalmente verticalizada, em quais dos setores há mais investimento e por quê?

JDN – Investimos fortemente em lavanderia, queremos oferecer o melhor e mais moderno em acabamento nas nossas peças.


GJW – Atualmente, quais as fontes de pesquisa jeanswear mais úteis para a marca?

JDN – Tenho uma dupla de estilistas, que pesquisam em bureaux de moda, no Guia de Tendências do Guia Jeanswear, e também viajo constantemente para as principais capitais de moda do mundo.


GJW – Percebemos que no Brasil há uma resistência muito grande por parte dos empresários quando falamos em investimento e priorização da parte de lavanderia e acabamento. Você segue o caminho oposto e investe consideravelmente nessa parte da produção, o que constatamos através das marcas de produto químico que utiliza, e principalmente por possuir uma máquina laser de origem espanhola para proporcionar efeitos tridimensionais em seus produtos. O que o levou a investir sabiamente nesse setor?

JDN – Há 5 anos também resistia a esses investimentos, eu não tinha a visão que tenho hoje, porém atualmente ficou claro para mim que o diferencial de uma confecção está nos acabamentos e beneficiamentos que as peças recebem. A Kikorum possui uma máquina a laser funcionando de domingo a domingo, o que, além da qualidade de beneficiamento, me ajudou no controle de custo operacional. Para o próximo ano, pretendemos investir em mais uma máquina.


GJW – Vocês terceirizam algum serviço. Qual?

JDN – Apenas o serviço de acabamento manual e limpeza das peças.


GJW – Deixaria algum conselho para nosso internauta que hoje atua no ramo da confecção têxtil?

JDN – Acreditar no setor e se empenhar. É imprescindível ficar bem atento às mudanças e investir no que for preciso, porque as coisas evoluem. Acho importante também ser aberto a opiniões e conselhos, procuro manter contato constante com as funcionárias das lojas, pois elas que estão mais próximas aos clientes, e acredito bastante nas sugestões delas, o resultado é sempre positivo.