Luiz Arruda, da WGSN, aponta as características do consumidor do Futuro

A Capricórnio Têxtil levou para o Denim Meeting Trends a palestra O Consumidor do Futuro 2020, ministrada por Luiz Arruda, diretor da WGSN/Mindset, e que abordou as principais mudanças que vêm ocorrendo no âmbito social, político e econômico e como todas elas afetarão as demandas e perfis dos consumidores. E como as marcas podem estabelecer diálogos relevantes para esses perfis?

“2020 fecha uma década conturbada onde vem acontecendo grandes transformações e, marca o início de outra ainda nebulosa, mas que promete mudanças significativas e definitivas”, comenta Luiz.

Confira os três fatores globais que transformarão o mercado em 2020.

As novas vozes do consumidor: as minorias tornam-se a maioria e ganham importância nas discussões étnicas e um novo grupo chama atenção – a Geração M, os muçulmanos. Estima-se que eles irão representar um quarto da população mundial até 2050. No Brasil, em dez anos, o número de muçulmanos dobrou e vem trazendo uma força consumidora muito grande, distinta, influenciando a gastronomia, turismo, moda, cosméticos e farmácia no mundo todo. Surge aí um novo contexto de etnias dentro da maior potência mundial, os EUA, onde entram novos discursos e, culturas, além de casamentos inter-raciais também na Europa. “Até 2020, mais da metade dos americanos com menos de 18 anos pertencerá a minorias e, haverá mais brancos envelhecendo do que nascendo”, afirma Luiz.

A força do 5G: Metade das compras online serão feitas através do m-commerce, ( feitas por dispositivos móveis) isso acontece também porque a velocidade do 5G vem chegando (nos EUA, Ásia já neste ano, e a Europa e América Latina em 2019 e 2020), além, é claro, do crescimento do uso dos aplicativos de celular e a facilidade em sua navegação. “A forma como consumimos irá se transformar drasticamente: cada vez mais veloz, fluída e otimizada. Entretanto, a experiência será mais importante que nunca”, avalia Luiz.

Capitalismo Comunitário: a economia compartilhada sai das mãos das grandes companhias (Uber, Spotify e Airbnb) como um novo modelo econômico, onde é possível juntar as pessoas que têm algo a oferecer com outras que precisam de tais serviços. “Chegou a hora de dar boas-vindas ao capitalismo comunitário (crowd-based capitalism) – um novo modelo econômico que terá efeitos a longo prazo nas regulamentações governamentais, no planejamento cívico e no futuro do trabalho e do desenvolvimento regional”, afirma Luiz.

E quais as novas prioridades dos consumidores?

Ativismo Analógico: uma parte desses consumidores não serão mais “Ativistas de sofá”, onde somente postar textos e apoios à causas sociais e políticas nas redes sociais não é mais suficiente. Em 2020 eles saem às ruas e buscam novas formas de engajamento. O mundo vê um movimento crescente de passeatas, protestos e participação em eventos cívicos onde pais e filhos que se unem em prol de uma causa comum, juntando gerações.

Anti-Ansiedade: A ansiedade já é uma questão de saúde pública e um mal que assola diferentes países (segundo a OMS – Organização Mundial da Saúde, o Brasil tem a maior taxa de transtorno de ansiedade do mundo) e é influenciada pelas mídias sociais, a velocidade de informações, a correria das grandes cidades. Por isso, os mercados que “aliviam” o stress e trazem bem estar ganham força como o turismo, produtos de beleza, e atividades físicas. Outra vertente dessa nova geração caminha para a Apatia Seletiva, um comportamento diferente para se tornar menos ansioso, onde o indivíduo seleciona o que realmente importa e consequentemente irá se preocupar com menos coisas, promovendo um equilíbrio mental. “A apatia seletiva é sobre acabar com a agonia mental do ‘eu não faço o suficiente’, que nos leva a não fazer realmente nada”, comenta Luiz.

Tecnologia responsável: As novas gerações já nasceram conectados e todas essas informações podem vir para o bem ou para o mal como o cyber bulling, fakes news, invasão de privacidade, preocupação com a inteligência artificial, entre outros fatores. Agora é preciso seguir um consumo mais consciente da tecnologia, inserindo a ética dentro desse contexto. Luiz conta que duas empresas de investimento estão pressionando a Apple para estudar o impacto do uso do smartphone na saúde das crianças, além disso, há ações movidas contra o Twitter e o Facebook para que as empresas lidem com o conteúdo negativo de modo mais responsável. E quais as outras consequências do avanço da tecnologia? O lixo gerado (e-waste) é uma grande preocupação da nova geração, sendo que somente 20% é reciclado. Companhias como a Apple vem desenvolvendo maneiras de colaborar com produtos mais sustentáveis – eles aceitam aparelhos usados que são desmontados e suas peças reutilizadas.

E quais os perfis dos novos consumidores?

Localtivistas: a produção local é valorizada, são super conscientes das questões sociais e ambientais. Estão longe de ser hippies, são conectados, urbanos e, querem manter o dinheiro dentro de suas comunidades. É importante também desmistificar a frase “o que vem de fora é melhor”, a questão dos importados que sempre foram mais valorizados que nossos produtos brasileiros. Aqui não adianta só um discurso, mas sim um contexto, a prática, a economia local, até com dinheiro exclusivo, além de entender onde está a riqueza humana e não só a capitalista, melhorando a vida da comunidade.

Imperfeccionistas: Aqui o consumidor quer viver num mundo onde ele não precisa ser o melhor e até faz piadas sobre os padrões de beleza inatingíveis e que geram ansiedade. Há movimentos pelo mundo que valorizam a imperfeição, os momentos tranquilos e felizes dentro de casa usando pijama, admitindo que não conseguimos estar em todos os lugares e fazer tudo ao mesmo tempo. Para esse tipo de consumidor é importante ter soluções menos massificadas e, sim segmentadas, sem seguir padrões pré-estabelecidos, anúncios que desconstroem padrões, utilizam o humor e saem da zona de conforto. A micro segmentação traz opções exclusivas e diferentes, além de relações personalizadas de negócio.

Aumentalistas: Ao contrário dos imperfeccionistas, estes consumidores valorizam ao máximo a tecnologia – mas sem ser consumido por ela, otimizando a vida e a evolução humana. São a maioria da população. E, segundo dados do Linkedin, entre as profissões do futuro, 18 tem a ver com tecnologia. Aqui entra todo e qualquer avanço para facilitar a vida da população como sensores, realidade virtual e integrada, buscas por voz ou visual. “Gostemos ou não, estamos em um caminho sem volta no que se refere à codependência da tecnologia”, afirma Luiz.

E, por fim, Luiz dá uma dica para as marcas. “As estratégias adotadas para garantir um diálogo relevante no futuro é utilizar diferentes estratégias para falar com cada um desses grupos”.

Fonte: Vanessa de Castro | Fotos: Osiris Bernardino