Novo gerente de marketing do Grupo Zune Brand comenta ações da marca

Guia Jeanswear conversou com exclusividade com o novo gerente de marketing do Grupo Zune Brands, Zé Henrique, que vêm revolucionando o segmento e proporcionando o crescimento com com algumas novas ações. O grupo está no mercado há quase 40 anos e ainda promete muitas novidades e surpresas como o próximo lançamento de coleção que acontece nos dias 29 e 30 de julho, nas lojas do Brás, em São Paulo.

Confira a entrevista completa abaixo!

Guia JeansWear: Como iniciou sua trajetória no mundo da moda?

Zé Henrique: Fiz desenho industrial na UNESP e de lá para cá muita coisa mudou. Eu nem fazia ideia que viria morar em São Paulo. Comecei a trabalhar na Rede Globo, no interior de São Paulo, em jornal diário e em seguida fui pra Jundiaí e virei editor chefe e de lá resolvi sair, achei interessante fazer um intercâmbio fora. Nesse meio tempo fui convidado para trabalhar no grupo Abril, na revista Elle, Claudia, Nova… Sai de lá, fui para outras revistas em editoras como a Peixes, em seguida montei uma agência de comunicação e depois resolvi voltar para a indústria. Fui trabalhar na Equus para fazer reposicionamento de marca, fique quase nove anos lá e, nesse meio tempo contribui com outras marcas como Avon, Nívea, Diesel, Huis Clo. E agora o Zuninho, (proprietário do Grupo Zune) me chamou e disse: ‘Precisamos construir marca’ e vim pra cá.

GJ: Como começou essa parceria e transformação toda na Zune?

ZH: Quando Zuninho me chamou ele disse: ‘preciso construir marca’, aí eu disse para ele: ‘você tem uma empresa que tem mais de 30 anos, então marca você já construiu’. O que temos que fazer agora é se desconstruir e começar a criar novos pilares, novos caminhos, para onde queremos ir. E a Zune nos últimos três anos, cresceu muito. Então, com esse crescimento vem uma responsabilidade social, ambiental.

O que costumo falar atualmente é que as marcas são muito responsáveis pelas “marcas” que vão deixar no planeta. Então, a gente vem fazendo um trabalho mais direcionado, identificando mais a persona de cada grife, criando conteúdo assertivo para cada uma delas e com isso a gente vai aos poucos construindo essa nova caminhada da Zune.

GJ: Quais são as marcas do grupo? E qual a maior dificuldade de cada uma ou alguma característica mais forte a ser explorada?

ZH: Hoje o grupo tem a Zune no masculino e feminino, Disparate que é feminino, Rock&Soda e Rock&Soda Lab, no masculino. Em Zune, temos a Sabrina Sato, maravilhosa, ela já é uma grande força que a gente está explorando bastante, com entregas para clientes B2B, junto com ela, a gente vem desenvolvendo um trabalho focado em conteúdo mesmo e em como podemos atingir o negócio em números, como monetizar esse trabalho, inclusive no Instagram.

Com essa repaginada que eu trabalhei nas marcas, começaram a vir novos clientes, então nós fazemos uma monetização disso também, um acompanhamento de carteira, então todos os clientes que vem pelo Instagram, nós acompanhamos: se virou cliente, se não virou, o quanto comprou, para medir o que estamos fazendo.

Nas outras marcas ainda estamos em um processo de evolução. A Rock&Soda vai entrar agora num momento muito bacana onde vai ganhar uma pegada mais sustentável. Adquirimos um conglomerado industrial em Colatina (ES) enorme e, que traz consigo uma responsabilidade social bem grande. Temos um processo completamente inovador no mercado que é o ozônio.

Para se ter uma ideia, atualmente, para se lavar uma calça a gente gasta 120 litros de água e com essa máquina de ozônio que temos em Colatina, gastamos menos 200 ml. É uma economia fantástica de água. Fora isso, o ozônio é produzido de forma natural e é devolvido para o meio ambiente, então, nós ainda ajudamos a camada de ozônio a ficar mais saudável.

GJ: Conte-nos sobre essa parceria com a Sou de Algodão e a presença da Zune na Casa de Criadores.

ZH: Tenho um relacionamento muito bacana com o pessoal da Sou de Algodão, que é uma associação que estimula o consumo do algodão produzido de forma mais sustentável. Hoje, basicamente 80% do algodão produzido no Brasil, já é realizado dessa maneira e isso não é explorado e não chega ao consumidor final, como valor.

Eu já desenvolvi esse trabalho com a Sou de Algodão em outras marcas e quis trazer para a Zune também. Produzimos muito jeans, é o maior core da marca, então a gente tem que ter história para contar e responsabilidade social em cima disso. Então, por que não, pegar uma ONG como a Sou de Algodão que tem esses pilares muito claros e definidos e, levar isso para o chão de loja?

E levar a Zune para a Casa de Criadores também foi uma ação muito legal, porque a gente tá no mercado do Brás, inserido num momento em que o povo torce o nariz para essa região e as marcas. Mas aqui é onde tudo nasce, onde a moda nasce, somos os maiores produtores de moda no Brasil e isso aqui é que comanda o vestuário brasileiro.

Colocar a Zune dentro de um evento que fala muito de conceito de marca, de novos criadores, novos estilistas, eu acho essencial, porque você mostra também para esses novos criadores que existe um mercado muito grande a ser explorado, mas que pode sim ter pilares mais sustentáveis reais e possíveis e que não te coloca em cativeiro, que não pode fazer nada. Então, o que podemos melhorar na cadeia produtiva? O bem-estar das pessoas que trabalham conosco, o número de horas que essas costureiras trabalham. Construir marca é construir verdade, o consumidor só vai enxergar valor, o que me liga a você, o que traz confiança, com a conexão que a gente cria.

GJ: Como foi a recepção das pessoas na Casa de Criadores? E daqui também, da empresa e clientes.

ZH: Lá foi surpreendente. Estávamos dividindo o palco com o Jackson Araújo que realiza um trabalho com a Hering, baseado na sustentabilidade, e a gente vem de um mercado que atende B2B, diferente. Então mostrar esses dois mercados foi muito bacana, deu um bate papo muito bom. A receptividade das pessoas internamente também foi bem positiva porque o Brás viveu um período de retração muito forte.

Quando você pega uma marca com potencial como a Zune e começa a expandir e dar voz como um potencial maior que normalmente as pessoas enxergavam, todo mundo percebe: estamos mudando, temos para onde crescer, não estamos estagnados. Então começamos a viver um novo momento do Brás. E junto a isso temos outros projetos como o Novo Brás que tem essa pegada de reviver a região novamente, o Zuninho também está trazendo o Denim City pra cá.

GJ: Conte-nos como é a experiência de estar no Denim City, uma escola que vai transformar não só a região do Brás, mas também a Indústria Têxtil do denim no Brasil.

ZH: A Denim City com sede em Amsterdã é a primeira escola de jeans do mundo que vai vir para o Brasil e o Zuninho, junto com outros grandes nomes do mercado de moda estão trazendo para cá e isso vai ajudar muito o Brás e trazer um know how de fora, impressionante, com cursos, espaços de co-working, entre outras inovações. Será um divisor de águas. Virão marcas de fora que ainda não temos no Brasil, teremos cursos de várias áreas focadas em jeans, lavanderia. O papel da Denim City e das outras empresas que estão participando é mostrar para a essa nova geração que é possível criar novas marcas que já nascem com propósito, relevância, valor agregado ao consumidor, não somente vendas.

GJ: As marcas que estão surgindo hoje, já nascem com um propósito e por isso elas estão se sobressaindo num mercado que estava estagnado ou até em declínio. Qual o conselho que você daria para as empresas que ainda seguem o antigo modelo de negócio?

ZH: Eu digo mexam-se, comecem a se movimentar. As empresas que não começarem a se movimentar, a olhar para dentro de suas próprias companhias e para as pessoas que lá trabalham, estão fadadas ao fracasso, porque o mercado está mudando muito. Gente feliz produz mais, isso é óbvio, mas tem empresa que ainda não enxerga isso.

GJ: Sobre a era digital. Muitas empresas, principalmente no varejo, estão partindo para o omnichannel, porque o cliente quer ser atendido do jeito, da forma e no local que gostaria de ser atendido. Só que algumas empresas ainda não perceberam disso. Como a Zune está trabalhando o e-commerce?

ZH: Eu falo que isso é inevitável. Já temos esse projeto aqui, em andamento. O cliente quer ser atendido em todos os canais de comunicação da marca, porque para ele, não existe loja física ou Instagram, mas sim, a marca. Ali é meu canal de comunicação com o cliente.

GJ: Conte-nos a importância dessa conexão dos canais de vendas

ZH: É importante antes entender sobre persona das marcas. Por trás de cada marca existem pessoas, uma empresa é feita de gente, então ela precisa ser humanizada, esse contato precisa ser cada vez mais humano e cada vez mais próximo com o cliente, se a gente perde isso, perdemos o cliente. Hoje o que me faz comprar na Zune e não em outra marca é exatamente essa relação com os clientes.

A forma como os tratamos, o tipo de relação, de benefício e como podemos ajudar o negócio dele a funcionar, porque é aí onde mora o segredo também. Muitas marcas vendem e acabou. E não é assim, nós fazemos um acompanhamento de carteira para ver como esse cliente está se comportando no ponto de venda dele. Esse é o papel da marca também, entender que o negócio dela vai além do próprio negócio. A tal da economia afetiva e colaborativa que é o “ganha ganha”: se o meu cliente não estiver ganhando e eu não der o mínimo de suporte para ele eu também vou morrer automaticamente.

GJ: Cada marca dentro do grupo Zune tem seu perfil. Como funciona isso internamente? Há equipe de estilo para cada marca?

ZH: Cada marca tem uma equipe de estilo diferente. Eu sou responsável pela comunicação de todas, mas sigo um guide visual bem definido para cada uma. Quando entrei fiz esse mapeamento para entender quem era o público consumidor e hoje a gente fala direto com o público final porque eu acredito que a gente tem que gerar desejo no consumidor final para ele procurar o lojista, então hoje, a gente conversa de igual para igual, como uma pessoa. A gente tem opinião, caráter, as marcas têm que ter isso, valores. Temos uma sinergia como grupo. O Zuninho quer trabalhar principalmente três pilares muito importantes: produto, comercial e marketing, quando tudo isso conversa, as coisas funcionam.

GJ: Internamente tem feito ações com os colaboradores? Como trabalham dentro desse novo conceito de valorizar o ser humano?

ZH: Acabamos de fazer a primeira convenção da Zune. Isso nunca tinha acontecido e reunimos toda a empresa para contar tudo o que está acontecendo. Falar de Colatina, de como vai ficar a distribuição industrial, PL, a indústria em SP, mostrar o que iremos fazer, os próximos passos. Teremos lançamento nos próximos dias 29 e 30 de julho, exatamente na data do MFW (Mega Fashion Week) que acontece no Mega Polo, com eventos e ativações em todas as nossas lojas. Teremos uma surpresa bem grande, fiquem atentos. Estão todos convidados.

Fonte: Vanessa de Castro | Fotos: Reprodução