Consumidores infiéis por princípio, ativistas por convicção, munidos de uma nova visão de consumo e ética. De acordo com as pesquisas compartilhadas pelo sociólogo Dario Caldas, do Observatório de Sinais, são esses comportamentos-chave que prometem influenciar o mercado futuro e atual como um todo. Informações que ao serem transcorridas, foram imediatamente reconhecidas pelo público antenado e profissional presente no primeiro dia do Denim Meeting 2018, durante a apresentação do painel Consumo e Ética – o que pensam os consumidores. A medida que Dario apresentava dados e reflexões, a projeção e identificação de cada um dos presentes com cada traço dessa nova personalidade de consumo em sua própria atitude se fazia inevitável. Mas o melhor ainda estaria por vir, nas valiosas conclusões que sinalizaram por onde devem caminhar as campanhas das marcas de moda, rumo ao novo formato ideal.
De acordo com o sociólogo, o motivo dessa infidelidade é o simples fato de que o consumidor moderno gosta de escolher. “De uma amostra de 47% destes seres, que se reconhecem cada vez mais exigentes; dois entre cada três admitiram terem mudado a preferência por marcas nos últimos doze meses” revelou Dario. O ativismo também foi citado como nova realidade: “59% destes consumidores já postaram algum comentário on-line sobre produto e marca, e 46% já compartilharam críticas”, ilustrou Dario. “Compartilhamentos que envolvem desde hashtags até vídeos, e que não mostram diferenças entre jovens e adultos”, complementa. Ambos assimilaram essa nova conduta e acreditam serem protagonistas desse novo contexto pois julgam que é por causa dela que hoje são mais respeitados. O painel também evidenciou que 46% dos entrevistados com profundidade consideram que as leis de direito do consumidor não funcionam bem, “o que indica que há muito espaço para melhorar” destacou Dario.
E um dos principais direitos que esse consumidor reivindica é o de escolha: mas escolhas de fato e não simplesmente “mais do mesmo”, comenta. Durabilidade e preço foram citados critérios decisivos nessa definição. Porém emerge também como um percentual expressivo de 57% a variável procedência, relacionada às idéias verdadeiro ou falso, qualidade, rastreabilidade e valorização do produto local.
Ainda de acordo com o painel, 62% dos consumidores acham que as marcas deviam ter papel maior nas causas políticas e sociais. Porém os mesmos consumidores opinam que as marcas deveriam fazer esse algo pelo próximo sem divulgação. Também muitos compartilham convicções de que as marcas defendem causas por interesse. Por isso Dario sublinhou o caminho das marcas e causas, apontado pelas pesquisas como um importante filão. Mas, que demanda sinal amarelo e muita cautela no que diz respeito à estratégia, para não cometer deslizes na interpretação que poderá ganhar pela visão do consumidor. “O recado é: “não é uma estrada sem percalços” finaliza, deixando em evidência para o público ouvinte que com essa forte tendência, temos pela frente também grandes e delicados desafios.
Fonte: Vivian David | Fotos: Osiris Bernardino









