O denim mundo afora é o tópico de Herbert Schmidt, em Blumenau

O consumidor está mudando e vai mudar cada vez mais. As rupturas tecnológicas, a internet, e o comércio eletrônico vão impactar fortemente no nosso setor. É certo que estas são afirmativas que todos que participam do setor do vestuário, estão habituados a refletir. Mas quando elas se transformam em números minuciosos, apontando comportamentos; então temos as direções para vislumbrar as mudanças e tomar decisões. Herbert Schmidt, Consultor da Gherzi – empresa especializada em pesquisas sobre o setor têxtil – foi quem agregou esse cenário meticulosamente calculado à programação do Denim Meeting Blumenau. Através de dados, gráficos e previsões pertinentes, Herbert compartilhou na palestra Panorama do Denim pelo Mundo, importantes análises, embasando as mudanças que estão por vir no nosso setor.

Uma delas é anunciada pelo crescimento do uso do poliéster e estabilização do algodão. De acordo os dados da empresa, o poliéster domina o mercado internacional, com crescimento de 6 a 7% nos últimos 5, 6 anos. Enquanto isso, o algodão manteve o nível atual e vem caindo no consumo da fibra cortada em cerca de 30%. De acordo com Herbert, são números que sinalizam o aumento das misturas e a queda do uso dos tecidos tradicionais em nossa indústria. Paralelo à esse cenário, o consultor destacou que o resíduo plástico tem sofrido fortes ataques mundialmente e que fatalmente as empresas tem partido para a reciclagem como modo de defesa. Como exemplo, citou a Adidas, que anunciou sua meta de utilização de 100% de poliéster reciclado a partir de 2024. “Nove milhões de toneladas de têxteis tem sido enterrados, sem reaproveitamento, e as pressões estão se acirrando para que se busque a reciclagem destes materiais”; comenta.

Ainda, de acordo com Herbert, o maior consumo de todas as fibras cortadas é no bottom, ou seja, nas peças de vestuário dedicadas à parte inferior do look. Validando a dimensão do nosso setor, foram expostos dados relativos à produção mundial de denim, contabilizado em 7 bilhões de metros, sendo 75 a 80% provenientes da Ásia. Contextualizando essa expressiva quantidade para o Brasil e América latina, temos uma participação de 10 a 12% nessa produção, e uma parcela de 7% no consumo mundial.

Segundo as pesquisas da Gherzi, a venda de jeans nos últimos anos não cresceu. Nos EUA, caiu nos últimos 5, 6 anos de 18,8 para 16,2 bilhões de dólares – uma queda de 15%. “Se você passar nas ruas de São Paulo vai ver que duas a três mulheres está trocando o jeans pela legging.” De acordo com Herbert, este é o grande concorrente da five pockets. “Por isso temos que dar muita atenção ao conforto e custo benefício”, alerta.

Concluindo sua vasta exposição de números relevantes para tomada de decisões, o consultor sintetizou os fatores chave para o setor. Energia, capital, matéria-prima, inovação, acordos e suportes dos governos, eficiência e infraestrutura. Também lembrou que entre os 32 projetos feitos pela Ghersi, consta um específico para o segmento jeanswear: a criação do MECA Denim no Brasil.
Herbert alertou ainda, que a moda deverá sofrer fortes pressões do consumidor e do varejo para redução do uso de insumos naturais. Nas adaptações para estas exigências e para a indústria 4.0, citou a tendência de máquinas menores e mais flexíveis. Ilustrando essa afirmativa com exemplos que já existem e encerrando sua apresentação, mencionou o sistema automatizado para produção de camisetas da Amazon, e as plataformas Roostery e Spoonflower, como cases reais que já apresentam estas evoluções.

Fonte: Vivian David | Fotos: Equipe Guia JeansWear