A produtividade invejável do algodão, o cenário de retomada do jeanswear , o contexto atual e futuro das lavanderias. Foi refletindo todas estas questões que o Painel – Do Fio da Meada ao Produto Final, transcorreu mediado por Herbert Schmid, consultor da Schmid Consulting. O bate-papo entre os profissionais, agregou ao primeiro dia do Denim Meeting 2018 um olhar profundo e especializado acerca da logística do mercado denim, desde a matéria prima até a chegada da peça para o consumidor final.
O protagonismo do algodão nesse contexto foi a colocação inicial de Arlindo Moura, presidente da Abrapa. De acordo com os dados da instituição, mesmo com a queda na participação no consumo global, o insumo ainda ostenta a expressiva produção de 1.745 kg por hectare. Volume que representa o maior do mundo em regime sequeiro, acrescentando uma pegada sustentável extremamente favorável à produção do nosso país. “O Brasil hoje é o 5o maior produtor, 4o maior exportador e o maior fornecedor de algodão sustentável do mundo”, comenta Arlindo. Ilustrando a posição evoluída do nosso mercado, o diretor da ABRAPA também mencionou a capacidade de 100% de rastreabilidade do insumo produzido em território nacional, a otimização do cultivo por hectares, e o controle de qualidade praticado em nosso país. Sinalizando um caminho próspero dos produtos de algodão como um diferencial de mercado, citou o movimento “Sou de Algodão” como um caminho criado para inspirar valores positivos não apenas nas marcas que trabalham exclusivamente com o insumo, mas naquelas que o incluem em 70% do seu mix.
Complementando os pontos favoráveis que envolvem as matérias-primas chave do segmento denim, Robson Ferreira, Gerente de Negócios da Lycra na América do Sul, enfatizou o contexto de retomada do segmento. De acordo com ele, após o período de retração dos dois últimos anos a expectativa é de que o setor cresça cerca de 12% até 2022. “O consumidor de jeans brasileiro é o mais exigente do mundo”, comenta Robson. “Por isso temos uma cadeia tão criativa e inovadora”,acrescentou. Na relação conforto x aparência, baseado nas pesquisas que sinalizam preferência de 59% dos consumidores para conforto, 56% para aparência 42%para ajuste, e 41% para durabilidade; Robson concluiu que o super stretch deixou de ser tendência para se tornar realidade. “A consumidora não admite mais se espremer para entrar em uma calça jeans”. A nova realidade, de acordo com o gerente, vem acompanhada da exigência de durabilidade e não laceamento. E por conseguinte, está norteando muitas das evoluções da Lycra no sentido da criação de fios mais resistentes à lavagens agressivas, para uma melhor contribuição no visual da peças final.
E por falar em lavagem do jeans, o Brasil está equipado com cerca de 400 empresas registradas espalhadas pelo Brasil, entre prestadoras de serviços e confecções com lavanderia própria. Foi dimensionando o tamanho do setor , que Vinicius Azevedo, do grupo GB Lavanderia compartilhou dados como a mudança do tratamento de 1% dos efluentes das lavanderias nos anos 80, para o otimista percentual de 97% atualmente praticados. Ainda de acordo com Vinícius, o Brasil é o país do ocidente com o maior número de designers de lavanderia. Atua em um contexto onde a maioria das empresas já aplicam as tecnologias lazer e ozônio, e atendem tanto clientes nacionais quanto internacionais.
Paulo Jório, da Hi-Tech continuou o esclarecedor desenho desse cenário da indústria de acabamentos apologizando a importância da lavanderia sustentável para o segmento jeanswear. Nesse caminho, sinalizou a prática de processos cada vez mais biossustentáveis – como estratégia mais promissora para o setor. A combinação laser e ozônio de plasma foram citadas como as tecnologias chave para o sucesso da implementação dessa evolução. Como exemplo, citou a redução de um processo de lavanderia convencional de alta complexidade, de 29 para 16 operações necessárias. Além da expressiva redução de até 82% no uso da água, 52% de eletricidade, economia de 50% de mão de obra, e otimização de 30% no tempo de produção.
No espaço reservado às perguntas do público foram levantadas questões relevantes com o jogo comercial envolvendo custo do produto para o consumidor final. Enquanto Robson, comentou que o acréscimo dos custos do fio da lycra seria irrelevante para o consumidor, Vinícius lembrou que os preços cobrados pelas lavanderias brasileiras estão em grande maioria, defasados. Opinião endossada por Paulo Jório, que lembrou que sublinhou que a cadeia de valor do Jeans nacional atua com margens pequenas. “É preciso trabalhar a percepção de valor no consumidor”, concluiu.
E depois de debater muitas estatísticas e soluções, o painel que começou falando de algodão, retornou ao mesmo tema. Respondendo ao questionamento do contexto do Brasil no algodão orgânico, Arlindo anunciou que a Abrapa projeta dobrar a produção do algodão orgânico e colorido em 600 toneladas.
Fonte: Vivian David | Fotos: Osiris Bernardino









