Preço do algodão deve cair

Os preços do algodão vão cair cerca de 12% durante os próximos três meses. Pelo menos é esta a expectativa dos maiores compradores indianos desta commodity. A antecipação destes importantes agentes econômicos que operam nos mercados internacionais de algodão baseia-se no fato das colheitas do produto estarem iniciando na Índia e nos Estados Unidos.

À medida que o ritmo de colheita se intensifica nos dois dos principais produtores mundiais, o preço da matéria-prima fundamental para a indústria têxtil e do vestuário deverá cair abaixo de um dólar. Contribuindo para a queda destes preços estará também o início das colheitas no Brasil e a suspensão das restrições à exportação por parte do governo indiano.

Os preços do algodão atingiram o seu máximo histórico na bolsa de futuros de Nova York no em 15.10, quando foi cotado a 1,198 dólares – o valor mais alto desde que o algodão começou a ser cotado há 140 anos.

Após esta queda anunciada, os preços deverão manter-se estáveis em torno de 1 dólar, não havendo lugar para mais diminuições. Esta estabilização em ligeira alta fica se deve à manutenção de níveis de estoques 10% abaixo do que é historicamente normal. “O pico dos preços foi atingido este ano”, afirma Subhash Grover, diretor da Cotton Corporation of Índia, empresa estatal responsável por uma elevada percentagem das compras de algodão no território indiano. “Deveremos deixar de nos surpreender com a alta de preços das matérias-primas têxteis, pois a procura de vestuário e de fio é fantástica”, emendou o executivo.

Os fardos de algodão para entrega em dezembro rondam atualmente 1 dólar e 14 cents. Um ligeira baixa face ao recorde de 15.10, mas mesmo assim, significa um aumento de preços anual de 72%.

Este ano, a produção mundial de algodão vai ser inferior à procura, justificando assim a diminuição das reservas que alguns países têm. Apesar da subida de preço verificado no último ano, esta matéria-prima, quando comparada com produtos como a soja, o arroz ou o trigo, tem ficado mais barata ao longo dos últimos 15 anos, em que os preços do algodão caíram 20%, enquanto o trigo, a soja e o milho ficaram mais caros 35%, 87% e 79%, respectivamente.

PORTUGAL TÊXTIL | FOTO: REPRODUÇÃO