Presidente da ANEL revela próximos projetos

A paulista Paola Tucunduva iniciou sua carreira já no setor de lavanderia. Seu pai, o empresário Othon Barcellos Côrrea Sobrinho, fundou uma empresa no segmento em 1.968. Assim que se formou na faculdade (no curso de administração de empresas), Paola realizou seu sonho, que era de trabalhar na empresa paterna, onde adquiriu conhecimento e envolvimento necessários.

Sua história com a ANEL (Associação Nacional das Empresas de Lavanderias) começa ainda no mandato de Paulo César Dantas Fernandes, em que a empresária ocupou o cargo de diretora administrativa. Na época, surgiu o desejo em Paola de agregar ainda mais à associação: “Percebi que poderia contribuir com um olhar feminino, com ideias novas e então me candidatei à presidência”.

Paola Tucunduva assumiu o cargo de presidente da ANEL em maio de 2010, e desde então vem desenvolvendo ótimos projetos e acrescentando iniciativas que pretendem expandir para mil o número de associados, já no ano que vem.

O portal Guia Jeanswear esteve presente no 1º Congresso Brasileiro de Lavanderias, que aconteceu no último sábado (28.05), em São Paulo. Lá, bateu um papo com a empresária sobre o setor de lavanderias, além de ações e projetos futuros da associação. Confira abaixo a entrevista:

Guia Jeanswear – Quais são as principais ações da ANEL?

Estamos com ênfase no nosso SQS (Selo de Qualidade e Sustentabilidade) que é baseado nos ISOS 9000 14000 e 18000, de qualidade, meio-ambiente, saúde e segurança do trabalhador. Tenho certeza que este selo pode mostrar à sociedade que o segmento de lavanderias é profissionalizado, desenvolvido e que usa toda a tecnologia para ajudar o meio-ambiente e a qualidade do trabalho, além de diferenciar as lavanderias sérias, que ganhar mostrando isto para o usuário final.

Outro pilar são os eventos. Temos oferecido um número maior de workshops, cursos, (muitos gratuitos) para os nossos associados. É importante ressaltar que todos os nossos cursos e workshops são abertos a todas as lavanderias do Brasil, sejam associadas ou não. Também no site da ANEL, temos a sessão Guia de Lavanderias, em que qualquer empresa pode participar de forma gratuita. Além disso, temos as viagens internacionais: já fomos à Expo Detergo, Bread & Butter, e estamos indo agora à Clean Show, em Las Vegas. Queremos criar grupos maiores de lavanderias para visitas aos eventos especializados.

GJ – Quais os benefícios da ANEL para o mercado de moda?
Os benefícios são em termos de conscientização, união, informação e formação técnica (estamos desenvolvendo alguns cursos com parcerias para preparar mão-de-obra para o setor) e com isso temos formado profissionais de lavanderia. E a ideia é que isso se dissemine no país todo, para preparar mão-de-obra dirigida ao segmento, tanto na moda quanto nas lavanderias domésticas e industriais.

GJ – Em quais lugares a ANEL está atuando? A Associação pretende expandir-se?

A ANEL já atua nacionalmente. Temos algumas limitações e muitas das nossas ações acontecem em São Paulo, mas já buscamos que a tecnologia nos ajude. Temos uma série de vídeos na TV ANEL, que fica em nosso site, e a ideia é que o Congresso Brasileiro de Lavanderias aconteça um ano em São Paulo e outro ano em outra cidade, e assim colocarmos para funcionar nosso projeto ANEL na estrada, que visitará todo o país. Mas, para isso, precisamos encontrar parceiros que nos ajudem tanto na organização, como na viabilização econômica. Eles já têm surgido, como no I CBL, que contou com o apoio de 15 empresas.

GJ – A ANEL possui quantos associados? Quais as vantagens de ser um associado?

Hoje já ultrapassamos 560 associados (quando eu assumi eram 469) e temos uma meta ousada de chegar a mil associados já no ano que vem. Para isso, precisamos da contribuição e ajuda de todos. A grande mudança é que agora o associado escolhe quanto quer pagar, a partir de 59 reais ele já pode ser associado, tem desconto nos cursos, participa de forma gratuita nos míni-cursos que são realizados na sede da associação, tem acesso a toda avaliação técnica e ainda pode contar com o suporte jurídico (a partir de 3 estrelas, 119 reais) e tem toda uma lista de benefícios conforme o cartão fidelidade.

GJ – Como você vê a qualidade das indústrias de lavanderia no Brasil?

Hoje já temos no país lavanderias que se igualam ou superam em qualidade as que existem no mundo todo. Mas claro que há um número grande de lavanderias que vem trabalhando para se desenvolver. Na área da moda, por exemplo, com o design: com parcerias junto às confecções ajudando na criação e no desenvolvimento. No mundo dos negócios, se diferenciam as empresas que agregam serviços para atender às necessidades dos clientes, e muitas lavanderias já têm se preocupado com isso.

GJ – Qual o objetivo principal deste primeiro congresso? O evento terá continuidade?

Sim, haverá continuidade, este é só o primeiro de muitos, e eles serão anuais. O objetivo principal é a união do nosso segmento: uma oportunidade de relacionamento para que possamos conversar, mesmo entre concorrentes, sobre o desenvolvimento e fortalecimento do segmento, e compartilhar conhecimento, e as lavanderias precisam de conhecimento técnico e de gestão. Por isso abordamos também temas como gestão de pessoas, gestão financeira e uma série de temas fundamentais para o sucesso das empresas.

GJ – Quais medidas têm sido tomadas pelas indústrias de lavanderia para se tornarem mais sustentáveis?

As lavanderias têm uma preocupação na instalação de estações de tratamento de efluentes e buscam o apoio e o suporte para a redução de embalagens. Cada indústria tem trabalhado com algumas ações. O mais importante é lembrar que a associação traz o selo de qualidade e sustentabilidade, que é um guia para a lavanderia ser sustentável. Com ele todas as empresas vão saber o quê e como fazer para se tornarem sustentáveis, sempre buscando uma melhoria contínua. Além disso, a ANEL se propõe a ajudar as confecções, ajudando-as a escolher lavanderias sérias, que tenham funcionários registrados, que tenha nota fiscal e estações de tratamento. Nosso SQS será um indicador para as confecções de que lavanderias escolher.

GJ – Qual a importância das lavanderias para o segmento jeanswear?

Eu diria que a lavanderia tem uma contribuição muito grande para o setor de jeanswear. Hoje, em toda parte de estilo, a lavanderia é uma grande parceira da confecção. Sabemos o quanto a lavanderia é importante para a moda do jeans e o quanto essas empresas trabalham junto às confecções, e acredito que precisamos enxergar essa parceria criando valor, para que todos ganhem e se desenvolvam. É importante que as confecções tenham essa consciência, comprar o serviço de uma lavanderia só por preço pode desencadear em problemas sérios ecologicamente e socialmente, obrigando a lavanderia a certas práticas que não são as melhores.

GJ – Quais são os próximos projetos da ANEL?

Estamos indo agora em junho para Las Vegas, em um grupo de mais de 20 empresários, buscando novas tecnologias, informações e muita inspiração. Para o segundo semestre, estamos formando um grupo de 10 empresas de vários segmentos de lavanderia, que estão se preparando para já em novembro receberem o selo do SQS. Temos também a ideia de levar alguns cursos e workshops para fora de São Paulo.