Profissionais apontam que sustentabilidade é negócio no setor

O que é sustentabilidade, e como ela se reverte em receitas e competitividade no segmento jeanswear nacional. Os depoimentos e as trocas entre os profissionais influentes do cenário das lavanderias reunidos pelo evento Denim Meeting, giraram em torno principalmente destes tópicos. Na etapa do beneficiamento, até mesmo um resíduo como a madeira, pode ser convertido em uma oportunidade de receita através do reflorestamento. Mais tecnologias, revertem em menos insumos: logo, em menos custos de produção a longo prazo. E de quebra, em maior valor agregado no jeans. De fato foi pouco tempo, para muitas colocações promissoras trazidas à toda por profissionais ativos e com muita propriedade para refletir o segmento. Com o tema “A Importância de investimentos tecnológicos nas Lavanderias Denim” e mediação de Norberto Canelada Campos – diretor executivo da Texpal; o público do evento pôde vislumbrar com clareza as ferramentas, demandas e diferenciais deste setor.



André Duarte, trouxe a tona o problema do ruído entre as lavanderias e o design, onde o corte acaba se transformando em uma vaga lembrança da piloto aprovada. De acordo com André, o Brasil perde competitividade por ainda lidar com este tipo de cenário sendo que no patamar global, este tipo de obstáculo já foi superado devido aos avanços tecnológicos. O consultor também colocou em pauta a importância de jogar encantamento em uma peça como ferramenta competitiva, em contraponto com a realidade vivida pelo profissional designer, que em nosso país é um artista desvalorizado. De acordo com André, sustentabilidade também é reconhecer um bom profissional.



Como inovações classificadas como sustentáveis, André compartilhou com o público a importância da reprodução do vintage através do laser – tecnologia que segundo o consultor, o Brasil ainda tem muito o que aprender. Também o Ozônio, processo em que o nosso país se inicia, e que além de substituir produtos químicos retorna uma água de melhor qualidade para o meio ambiente. Chapinha substituindo pedra, tempo de stone menor e lavadora extratora interna também foram apontados por André como soluções para acabamentos mais éticos dentro do contexto nacional, já que além de tratarem a água, retornam-a de maneira limpa e reciclada. Para encerrar sua reflexão, o consultor novamente sublinhou a necessidade do Brasil sair do seu atual patamar precário de ajuste entre piloto e peça pronta, e afirmou o investimento em tecnologia como estratégia mais eficiente para redução de custos dada a redução na exigência de insumos naturais.



Eduardo Borim, CEO da lavanderia Dinâmica de Maringá, frisou a postura de reação no setor. De acordo com ele “não adianta reclamar da crise.” O que o mercado pede é processos mais racionais, onde sejam necessários menos recursos, menos mão de obra, e menos insumos. E para estas novas tecnologias, é preciso repensar o produto.



Marcelo Lobo, coordenador de beneficiamentos de jeans da C&A, alertou que o Brasil perde indústrias por não ter parque tecnológico sustentável. De acordo com ele, sustentabilidade no caso das lavanderias é negócio, e não ser sustentável atualmente é insustentável: incluindo exigências sociais. Marcelo comentou sobre a intenção das marcas internacionais trabalharem no Brasil. Para eles, nosso país é atrativo pois detém todos os elementos necessários para a indústria denim girar: algodão, tecelagem, clima, confecção, governo razoavelmente estável. Mas frisou que para isso, deve fazer o “dever de casa”: zelar pela segurança química do produto usado, pela saúde humana e ambiental. Marcelo destacou também que em nosso segmento, uma piloto bem elaborada inclui todas as etapas: algodão certificado, beneficiamento sustentável, produção consciente. E para finalizar, concluiu que a tendência das lavanderias, é migrar do uso intensivo da mão de obra para grandes centros tecnológicos.



Além de endossarem com suas interações todas as afirmações colocadas pelo fórum de lavanderias, Vinícius Azevedo (designer do grupo GB customização) e Ivonildo da Silva, Diretor da Lavanderia Lavinorte, novamente sublinharam a importância do uso do laser ao invés do permanganato, a aplicação do ozônio, bem como a prática do reflorestamento.

ViVIAN DAVID / FOTOS:KATE BUCIOLI