Recuperação lenta marca comércio da Europa

Os comerciantes europeus estão registrando apenas sinais tênues da recuperação econí´mica e mostram-se preocupados que as medidas para conter o endividamento público possam prejudicar os gastos do consumidor nos próximos meses.


A cadeia de moda sueca H&M e o grupo brití¢nico M&S obtiveram em Abril números de vendas melhores que o esperado, mas afirmaram que os novos produtos e a redução dos custos tinham fomentado os ganhos.


Os dados oficiais mostraram que o volume de vendas no varejo na União Europeia manteve-se constante em Fevereiro, apoiado por um forte desempenho da Grã-Bretanha. Para os 16 paí­ses membros do bloco, as vendas no comércio caí­ram mais do que o esperado, na ordem dos 0,6%.


A nova queda nas vendas do comércio em Fevereiro mantém a suspeita de que os gastos do consumidor vão provavelmente limitados nos próximos meses, limitando assim as perspectivas gerais de crescimento, apontou Howard Archer, economista na IHS Global Insight.


A H&M, que é segunda maior cadeia de moda da Europa, divulgou que o lucro antes dos impostos instituí­dos aumentou mais do que o esperado — 42% no primeiro trimestre do ano. As vendas de lojas subiram 2% no que a empresa descreveu como um ambiente econí´mico difí­cil, ajudado por uma forte procura das suas colações de Primavera. As vendas também aumentaram 9% em Março, promovidas por um fraco desempenho. A cadeia sueca, í  semelhança da sua maior rival, a espanhola Inditex, lidou com a recessão econí´mica melhor do que muitos varejistas de vestuário, graças í  sua focalização em preços baixos e rápida mudança de estilos. No entanto, a H&M, que tem cerca de 2.000 lojas em 37 mercados, afirmou que o rí­gido controle de custos também foi um elemento-chave no crescimento do lucro.


A japonesa Fast Retailing também demonstrou um aumento de 43% no lucro operacional do primeiro semestre, ajudada por fortes vendas na sua cadeia de lojas Uniqlo.


Já a M&S, que é o maior rede de vestuário da Grã-Bretanha e que também vende alimentos e artigos para o lar, revelou que as vendas em lojas brití¢nicas abertas pelo menos há um ano aumentaram mais do que o esperado, em 5,1% nas 13 semanas até 27 de Março, o último trimestre do seu exercí­cio.

O administrador executivo da M&S, Stuart Rose, descreveu o mercado de vestuário brití¢nico como globalmente plano, e revelou que o grupo tinha aumentado a quota de mercado em 110 pontos base para 11,9%, ajudado pela procura particularmente do seu vestuário de malha e roupa formal. A empresa considera que está na direção certa para alcançar as previsões dos analistas, com fechamento do ano em cerca de 620 a 630 milhões de libras de lucro. Os lucros da M&S caí­ram 40%, estes marcaram 604 milhões de libras no ano fiscal que terminou em Março de 2009, prejudicados pela posição intermédia da empresa no mercado de vestuário e posição de luxo nos alimentos. O grupo reagiu, apresentando promoções com preços mais baixos em alimentos e novas linhas de vestuário como a coleção índigo. No entanto, os analistas dizem que o novo diretor executivo Marc Bolland, que remodelou os Wm Morrison Supermarkets e juntou-se í  M&S em Maio, enfrenta uma batalha para trazer de volta os lucros para a casa de 1 bilhão de libras. Continuamos preocupados com as perspectivas para os gastos dos consumidores e, apesar deste forte desempenho, ainda existem alguns problemas fundamentais que precisam ser tratadas pelo novo presidente executivo, concluiu a analista Caroline Gulliver, da Execution Noble.

PORTUGAL TíŠXTIL | FOTO: REPRODUí‡íƒO