Relatório indica cultivo de algodão orgânico em crescente no mundo

A produção de algodão orgânico subiu 31% na colheita de 2018/2019. De acordo com o relatório Organic Cotton Market de 2020 da Textile Exchange, o último ano contou com a segunda maior colheita já registrada – a maior foi em 2009/2010.

As entidades com certificação em têxteis orgânicos aumentaram também significativamente entre 2018 e 2019. Foram mais de 48% com o Organic Content Standard (OCS) e outras 35% no Global Organic Textile Standard (GOTS).

Embora o número de países que estão cultivando algodão orgânico tenha permanecido o mesmo no ano passado, a lista mudou ligeiramente, com o Senegal saindo da certificação e o Paquistão realizando sua primeira colheita de produção certificada em 2018/2019. Os principais países produtores de algodão orgânico se mantiveram os mesmos, apesar da Tanzânia ter ficado marginalmente à frente dos EUA como sexto maior produtor.

De acordo com o relatório, 97% do algodão orgânico é produzido em sete países: Índia (51%), China (17%), Quirguistão (10%), Turquia (10%), Tajiquistão (5%), Tanzânia (2%) e EUA (2%).

Os resultados mostram que 222.134 agricultores cultivaram 239.787 toneladas de algodão orgânico em 19 países, utilizando 418.935 hectares de terra. Além disso, 55.833 hectares de solo estavam em conversão para a plantação de algodão orgânico, sobretudo na Índia e no Paquistão, seguidos da Turquia, Grécia e Tajiquistão.

Incerteza no caminho

“Nós, como indústria, temos que minimizar os efeitos nefastos para maximizar os impactos positivos”, afirma La Rhea Pepper, diretora-geral da Textile Exchange, na introdução do relatório. “Isto significa investimentos mais fortes na construção dos solos, ecossistemas e biodiversidade. Precisamos de verdadeiramente abraçar e apoiar práticas regenerativas para cumprirmos a promessa de um mundo transformado”, explica.

Em termos futuros, as estimativas pré-Covid apontam para um crescimento de mais 10% da produção de algodão orgânico em 2019/2020. “Nos próximos meses, talvez até anos, o planeamento dos negócios e das relações serão desafiadores e difíceis de prever. Para os agricultores de algodão, essa imprevisibilidade vai impactar o próximo ciclo de cultivo e, para os produtores têxteis, marcas e retalhistas, o próximo ciclo de captação e consumo”, refere Liesl Truscott, diretora da estratégia para a Europa e materiais da Textile Exchange, no relatório.

“Uma coisa que é certa é que o ‘novo normal’ vai exigir muito mais transparência e compartilhamento de riscos e recompensas numa altura em que coletivamente aspiramos à ação climática, assim como a outros 16 objetivos de desenvolvimento sustentável das Nações Unidas. Comunicação e confiança serão essenciais”, destaca.

Fonte: Portugal Têxtil | Foto: Reprodução