Renda, empregos e crédito são prioridades entre lojistas e shoppings durante crise

Os desafios no varejo serão inúmeros nos próximos meses. O fechamento de shopping centers e lojas provocado pela pandemia do novo coronavírus, o Covid-19, trouxe preocupações. Entre elas, a renda dos empreendimentos, a manutenção de empregos e a possibilidade de uma liberação de créditos mais flexível para lojistas são as prioridades do setor.

A situação foi analisada durante um webinar entre Nabil Sahyoun, presidente da Alshop (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping), e Glauco Humai, presidente da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers). Com tema “Diálogo entre entidades sobre desafios do setor de shoppings“, a transmissão levantou os rumos da indústria em meio à crise causada pelo coronavírus.

“Pela primeira vez na história do país, 576 shoppings estão fechados. Não é uma crise que o setor criou, não é responsabilidade nossa, dos empreendedores, bem como não é dos lojistas ou de nenhum outro fornecedor […] Não conseguimos medir ainda o tamanho desse impacto, que vai se prolongar por algum tempo até retomarmos nossas atividades de maneira normal”, evidenciou Glauco Hamai.

Na última semana, a suspensão do pagamento de aluguéis de lojas em shopping centers foi definida em comum acordo entre a Alshop e a Abrasce e é válida enquanto os estabelecimentos seguem fechados. A cobrança referente ao mês de março será cobrada de forma proporcional e, posteriormente, o restante será negociado.

Além da suspensão, Glauco Hamai também destacou outros esforços para reduzir o impacto da crise no setor como a não cobrança ou valor mínimo no Fundo de Promoção, a redução no pagamento do condomínio (que atinge uma média de 30% a 40%), no IPTU e energia elétrica. “Esse movimento, com estas atitudes pontuais, tem um impacto para o nosso setor de mais de R$ 1 bilhão“, afirmou o presidente da Abrasce.

Até aqui, já se passaram dez dias do fechamento de comércios e lojas de bens não essenciais em diversas partes do país, e Nabil Sahyoun destacou o reflexo disto na renda destes empreendedores. “Os lojistas estão sem fluxo de caixa, uma grande preocupação é o pagamento deste dia 5 em relação ao emprego”, disse o presidente.

“Fizemos uma pesquisa rápida e o resultado é que, passados 15 ou 30 dias sem ações objetivas do governo repassando aos bancos efetivamente para liberarem aquilo o que está sendo prometido (crédito), passamos a ter problemas com desemprego. Isto é preocupante, temos tentado acalmar (o setor) dizendo que o mundo não acabou e que o Brasil tem algumas vantagens, principalmente pelo setor de saúde ter tido a oportunidade de se preparar. Mas, sem dúvida nenhuma, só com a liberação do dinheiro por parte do governo de uma forma rápida poderemos passar o próximo mês com mais tranquilidade“, completou Nabil.

O governo federal anunciou, na última sexta-feira, uma linha de crédito emergencial para pequenas e médias empresas. A intenção é auxiliá-las no pagamento de salários de funcionários pelo período de dois meses, disponibilizar no máximo R$ 20 bilhões por mês, ou seja, R$ 40 bilhões em dois meses. A decisão foi divulgada pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto.

O financiamento estará disponível para empresas com faturamento entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões por ano, o dinheiro será exclusivo para folha de pagamento e a empresa terá 6 meses de carência e 36 meses para pagar o empréstimo. Os juros serão de 3,75% ao ano.

A flexibilização de crédito para lojistas foi exaltada por Nabil Sahyoun. O presidente destacou a liberação no Estado de São Paulo, por parte do governador João Dória, de R$ 500 milhões pelo Banco do Povo e Desenvolve SP na última segunda-feira. O mesmo valor já havia sido disponibilizado pelo governo estadual na semana anterior.

Do valor injetado, 80% já está inseridos no Desenvolve SP. Em conversa direta com o presidente do banco, Nelson de Souza, Nabil informou que haverá uma carência de nove meses e até 12 meses em parcelas para o pagamento da linha de crédito. As taxas serão de 1,2% ao mês.

Para Glauco Haime, as medidas econômicas precisam de mais agilidade e coordenação entre entidades federais e estaduais. “A prioridade é renda, manutenção de emprego e crédito para lojistas, pequeno e médio. Mas se o governo não entrar, a conta não fecha”, ressaltou.

Confira a transmissão completa da webinar, que contou com mediação de Rafael Lisboa:

Fonte: Thaina Barros | Foto: Reprodução