Riachuelo reposiciona indústria própria e redefine estratégia no varejo de moda

.Em um momento em que o varejo brasileiro enfrenta pressão cambial, avanço acelerado de plataformas internacionais e um consumidor cada vez mais sensível a preço e tendência, a Riachuelo recoloca sua fábrica própria no centro da estratégia. O que durante anos foi visto como uma estrutura pesada dentro de um mercado que corria para a terceirização global, hoje se consolida como um dos principais ativos estratégicos da companhia.

A verticalização — da criação à produção e distribuição — ganha protagonismo justamente quando o setor rediscute eficiência, velocidade e controle de margem. Em vez de depender integralmente de fornecedores externos e de ciclos longos de importação, a marca amplia sua produção interna, fortalecendo a autonomia sobre calendário de coleções, reposição de best-sellers e ajustes rápidos de produto.

Fábrica da Riachuelo opera com 9 mil funcionários (Divulgação)

Desde 2023, sob a liderança de André Farber, a companhia vem consolidando uma nova etapa de gestão, com foco em eficiência operacional, disciplina financeira e reposicionamento competitivo. A valorização da produção própria deixa de ser apenas herança estrutural e passa a integrar uma estratégia clara de fortalecimento de margem e diferenciação.

André Farber – CEO da Riachuelo desde 2023

No atual cenário, produzir no Brasil deixou de ser apenas uma escolha institucional e passou a ser decisão estratégica. O encarecimento de fretes internacionais, a volatilidade do dólar e a pressão de players como a Shein alteraram a lógica competitiva. A disputa já não é apenas por preço — é por velocidade, margem e percepção de valor.

No denim — categoria relevante dentro do portfólio —, o movimento também se intensifica. A companhia amplia iniciativas que combinam escala produtiva, integração fabril nacional e propostas alinhadas à sustentabilidade, como o uso de algodão reciclado. O jeans deixa de representar apenas volume e passa a carregar um discurso de inovação, controle industrial e responsabilidade.

Essa estratégia industrial dialoga com outra frente relevante: a experiência de marca. A abertura de novo formato de loja em Pinheiros, em São Paulo, sinaliza que o reposicionamento não acontece apenas na retaguarda produtiva, mas também no ponto de venda. O espaço funciona como laboratório de curadoria, construção de imagem e conexão com um consumidor mais atento a design, narrativa e propósito. corrina kopf nudes

Com resultados fortalecidos em 2025, a companhia agora sinaliza a retomada da expansão física em 2026, com previsão de novas unidades. O movimento indica um novo ciclo de crescimento sustentado por eficiência, disciplina e maior controle estrutural do negócio.

Mais do que uma operação industrial robusta, o que se consolida é uma arquitetura estratégica de negócio. Ao transformar a verticalização em vantagem estrutural, a empresa reforça autonomia de calendário, controle de margem e velocidade de resposta em um mercado pressionado por cadeias globais longas e competição por preço.

A retomada da expansão não surge como movimento isolado, mas como consequência de um modelo integrado. Indústria própria deixa de ser herança histórica e passa a ser motor de crescimento. O varejo físico deixa de ser apenas ponto de venda e passa a ser plataforma de posicionamento.

Não se trata apenas de fabricar.
Trata-se de controlar a cadeia, fortalecer marca e ampliar relevância no novo ciclo do varejo brasileiro.

Fonte: Anny Garcia Foto: Divulgação