Quem esteve presente no maior evento de E-Commerce do Brasil, certamente, saiu com a cabeça fervilhando de novas ideias, conhecimentos, questionamentos e também, planos para o futuro. O Fórum E-Commerce Brasil aconteceu entre os dias 28 e 30 de julho, no Distrito Anhembi, reunindo mais de 60 mil pessoas, mais de 700 palestras, 813 palestrantes e 57 milhões gerados na rodada de negócios.
Segundo Bruno Pati, CEO do E-Commerce Brasil, o resultado demonstra que o Fórum vem ampliando seu papel dentro do mercado. “A geração de negócios sempre fez parte da essência do Fórum E-Commerce Brasil. Ao longo dos anos, milhares de conexões surgiram naturalmente durante o evento. O que estamos fazendo agora é potencializar esse movimento com uma estrutura dedicada, aproximando empresas que realmente têm interesses convergentes e capacidade de gerar negócios. Os resultados desta edição mostram que, quando essas conexões são organizadas de forma estratégica, o impacto para todo o ecossistema é muito maior.”
O público pode conferir as novidades de diferentes empresas do setor, de logística às plataformas de criação e desenvolvimento de e-commerces, passando pelos maiores players do mercado com stands do TikTok Brasil, Amazon, Magazine Luiza, Shopee, Dafiti, entre outros.
Foram inúmeras palestras que permeiam esse mercado unindo Futuro, Tecnologia, Gestão, Empreendedorismo, Canais de Comunicação e Marketplaces.
Novos Perfis do Consumidor do Futuro
Rafael de Araujo, Head of Consultancy Latam da WGSN, trouxe para o evento os Novos Perfis do Consumidor do Futuro, com tendências para 2028, que estão cada vez mais plurais e buscam experiências customizadas pautadas em emoções como:
- Irreverência: fala sobre a felicidade e o jeito otimista dos brasileiros.
- Quietude: onde 22% relacionam felicidade com fé ou vida espiritual, não exatamente com uma religião, mas com bem-estar.
- Resiliência Criativa: fala da importância da criatividade e da não acessibilidade dela, principalmente em relação à IA.
- Engajamento Consciente: aqui, 86% das pessoas afirmam ser importante que a empresa demonstre empatia com o meio ambiente.
- Florescimento: aposta em pessoas otimistas para alcançar seus objetivos — 79% dos brasileiros acreditam nisso.
- Alegria Rebelde: onde saúde mental é prioridade para 52% dos brasileiros.
Perfis do novo Consumidor
Otimizadores: otimistas e curiosos, veem tudo como uma oportunidade de aprimoramento e crescimento pessoal. Sua lealdade será conquistada por marcas que os ajudem a ir além e não apenas a acelerar. 71% dos consumidores globais querem a IA integrada ao varejo. Eles querem a humanização da alta performance e recompensas com acesso.
Guardiões: são defensores da confiabilidade e estabilidade e serão atraídos por marcas que atuam como parceiras, não provedoras. A confiança não é uma tendência para eles, mas sim, algo que se conquista com integridade, consistência e comprovação, ao invés de promessas. 83% dos consumidores dizem que a proteção de dados é importante para ganhar sua confiança. Aqui deve-se incorporar a confiança ao DNA da marca. Eles valorizam os designs que se adaptam às transições da vida, por isso, seria interessante criar produtos versáteis que auxiliem as pessoas à medida que seus papéis e responsabilidades mudam.
Restauradores: são calmos e conscientes, estão recuperando o equilíbrio, os rituais e a autenticidade em um mundo acelerado e caótico. Sua atenção será conquistada por marcas que desaceleram o tempo, celebram o artesanato e restauram um senso de presença. 20% dos Millennials dizem que o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal é seu principal objetivo de carreira. Eles gostam de experiências locais e que são compartilhadas em espaços para desacelerar.
Questionadores: são realistas, afiados e satíricos, exigem transparência, verdade e mudança, apontando a injustiça onde quer que ela exista. Para conquistá-los, as marcas precisam ser culturalmente fluentes, autoconscientes e audaciosas em seu compromisso de tornar o mundo um lugar mais justo. Usam da cultura digital para questionar o que é verdade e o que não é, tudo através do humor rebelde. Esse tipo de consumidor respeita as marcas que ouvem, aprendem e até mesmo falham publicamente.
Seis dicas para atrair seus consumidores
E, por fim, o profissional deu seis dicas para atrair seus consumidores:
- Unir a IA e a Inteligência Humana;
- Transformar confiança em valor tangível;
- Projetar para necessidades emocionais e não demográficas;
- Tornar o progresso prazeroso, não implacável;
- Usar a calma como vantagem competitiva;
- Ter a convicção que gera relevância cultural.
Google: IA e a nova jornada do consumidor
Gleidys Salvanha, Diretora Geral de Varejo no Google Brasil, falou sobre a mudança do buscador do Google, que foi reimaginado pela IA.
“A entrada da IA nas nossas vidas é o grande motor do círculo virtuoso que permite comportamentos emergentes nas jornadas do consumidor. O que acontece é que surgem novas necessidades que alimentam as plataformas que mudam o comportamento do consumidor”, comenta Gleidys.
Quanto mais o Google entrega, mais consome a busca sintetizada pela IA. Segundo pesquisa da empresa, 57% já utilizou a IA em alguma jornada de compra.
Dentro desse contexto, as marcas precisam ser ambivalentes, com um lado humano, orgânico, imperfeito e que tem como foco construir confiança e relevância por meio de conexões reais, experiências comunitárias e emocionais insubstituíveis, e com algoritmos onde a IA resolve e garante o lado racional e funcional com foco em precisão, dados estruturados e invisibilidade operacional perfeita.
Meta — “Do Feed às Compras – Soluções para estratégias de um funil completo de vendas”
Na palestra “Do Feed às Compras – Soluções para estratégias de um funil completo de vendas”, da Meta, foi abordado o uso das redes sociais como ferramenta também para relaxar, descontrair, pertencer e se entreter — e é onde mora a oportunidade para as marcas.
O segredo é transformar a compra em entretenimento, fazer com que ela seja parte da diversão dentro do conceito dos 3Cs:
- Conteúdo: com um storytelling que não interrompe, mas sim encanta;
- Comunidade: onde o espaço transforma a conversa em pertencimento;
- Compras: que traz a infraestrutura que transforma desejo em posse, sem atrito.
TikTok
Outro canal importante de vendas que vem ganhando cada vez mais espaço é o TikTok Shop Brasil, que em um ano está se tornando um canal de vendas muito importante do varejo.
O TikTok Shop transforma lançamentos em fenômenos de venda onde:
- Creators geram descoberta;
- Lives geram confiança;
- Conteúdo gera conversão.
“Do Vídeo e do carrossel ao carrinho: afiliados como nova vitrine dentro dos marketplaces”
No painel “Do Vídeo e do carrossel ao carrinho: afiliados como nova vitrine dentro dos marketplaces”, foram reunidos creators com diferentes números de seguidores e a Top Creator Lead do TikTok Shop, Mariana Parnes, que disse que a relevância está na autenticidade, engajamento e qualidade do conteúdo, com propriedade e honestidade.
Mariana comentou sobre a facilidade de se vender na plataforma: “Você separa um estoque dos seus produtos, disponibiliza eles e começa a gerar a demanda de conteúdo. Nisso, vai gerando a descoberta e pagando a conversão do produto com a performance. É muito lucrativo para grandes marcas e é incrível para pequenas também, porque muitas ganham maior relevância”.
E-commerce no Brasil
Matteo Ceurvels, analista LATAM e Espanha da eMarketer, falou sobre as “Perspectivas de crescimento e oportunidades para o e-commerce no Brasil 2026”.
Segundo o analista, o Brasil detém 40% do total de vendas na América Latina e é o maior mercado de e-commerce da região, sendo que vestuário e acessórios foram as categorias de compras mais populares entre os consumidores digitais nos últimos seis meses.
Além disso, os compradores digitais preferem os sites e aplicativos dos varejistas para pesquisar produtos. Porém, eles têm maior confiança nas informações fornecidas nas lojas físicas e por pessoas reais.
Para Matteo, as três tendências que moldarão o futuro do ecossistema de e-commerce do Brasil são:
- Adoção da IA no e-commerce;
- Redes Sociais como um canal de vendas emergente;
- Ascensão rápida de Retail Media.
A cultura brasileira no e-commerce
Já Néli Pereira, cultural researcher, consultora e mixologista, abordou o brasileiro e sua rica cultura, criatividade, empatia e vontade de criar vínculos e improvisar em vendas para consumidores que compram de tudo.
“O maior erro dos grandes players de e-commerce é achar que o digital veio para substituir o varejo tradicional. Não veio. O digital é só o meio. O comportamento do brasileiro continua sendo o comportamento de quem compra na feira. Humanize, transforme tudo num lugar e receba dizendo: vai entrando, não repara a bagunça. E, depois, leve para um tour da casa. Vai ter até roupa no botijão de gás”, finaliza Néli.
Gigantes do Marketplace no Brasil
O evento conseguiu reunir ainda Gigantes do Marketplace no Brasil, com representantes do Mercado Livre, Shopee, Casas Bahia, Dafiti, Amazon, Privalia, Shop2gether, O Que Vestir, TikTok Shop e Magazine Luiza.
Os profissionais abordaram a trajetória e conquistas de cada empresa.
Fonte: Vanessa de Castro Fotos: Equipe Guia JeansWear






































