Setor têxtil sofre ‘quebra de expectativas’ no primeiro semestre de 2019

Os primeiros seis meses de 2019 não foram como o esperado pela indústria têxtil brasileira. Foi o que apontou a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), com a divulgação de novo levantamento nesta quarta-feira. A produção têxtil nacional apresentou um queda 1,3% entre os meses de janeiro e maio deste ano, em comparação ao ano anterior.

A queda, de acordo com os dados da instituição, anda lado a lado ao varejo de vestuário, que diminuiu 0,2% no período. Contudo, a produção de peças em território nacional apresentou uma pequena alta de 0,6% nos quatro primeiros meses do ano. Além disso, os meses contaram com uma alta de quase 13 mil empregos no setor – índices que tendem a diminuir no decorrer do ano.

“Os números, em questão de resultados, mostram que as empresas não tiveram dados favoráveis, tendo em vista que o consumidor esteja refratário ao consumo”, disse Fernando Pimentel, presidente da Abit, em coletiva de imprensa.

Neste cenário, a instituição teve que revisar as projeções de crescimento do setor em 2019. A estimativa da produção têxtil anual partiu de 5,2% para tímidos 1,1%, enquanto o varejo vestuário deixou de contar com uma projeção de aumento de 4,8% para 1,5%.

O inverno, segundo Pimentel, carrega parte da “culpa” pelo atual quadro têxtil no Brasil. “Os resultados de 2019, estão sendo afetados pelo inverno, que não acontece e não vai acontecer. O inverno não está ajudando o setor neste ano.É um somatório de quebra das expectativas, emprego baixo e inverno não sendo favorável, criou esses dados que não são positivos”, completou.

No quesito empregabilidade, as projeções também são baixas. Das 9,8 mil vagas esperadas no início ano, a expectativa é que apenas 1,1 mil sejam confirmadas até o final de 2019. Há ainda a redução nos preços finais, que de janeiro a junho viu o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) do setor vestuário encolheu 0,22%, ao passo que o indicador geral, no mesmo período, subiu 2,23%.

Já no segundo semestre, a expectativa de um quadro melhor é forte. A liberação do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) é um dos fatores para a projeção. Segundo Fernando Pimentel, no caso do saque do fundo ocorrido ainda no governo Temer, 38% do total acabou indo para o setor do vestuário.

Caso isto se repita com a nova liberação, prevista pelo atual governo, serão cerca de R$ 5 bilhões a R$ 6 milhões injetados no segmento. O setor conta com um faturamento de cerca de R$ 240 bilhões e, mesmo com um valor pequeno, o incremento deve trazer uma movimentação mensal em torno de 2% a 3%.

“A perspectiva de uma estatística de que o segundo semestre tende a ser melhor nos dá a expectativa que vamos terminar o ano em uma rota de crescimento, não exuberante”, projetou Fernando Pimentel.

Além disso, o acordo entre Mercosul e União Européia é visto como um passo positivo para uma melhora no setor, assim como o avanço da reforma tributária. A Abit, segundo Pimentel, vem mantendo interlocução com propositores do projeto e as mudanças nos impostos são mais importantes que a reforma da Previdência para o setor têxtil.

Fonte: Thaina Barros | Foto: Reprodução