SPFW tem edição híbrida marcada pelo retorno às passarelas

Após dois anos e duas edições totalmente digitais, o SPFW N52 retornou às passarelas no formato híbrido, com desfiles apresentados no Pavilhão as Culturas Brasileiras, no Parque do Ibirapuera e também de forma virtual. O evento que aconteceu entre os dias 17 e 21 de novembro contou com 50 marcas, entre elas, oito estreantes, Baska, Bispo dos Anjos, Bold Strap, Corcel, Depedro, Fauve, Mninis e Von Trapp.

SPFW ganhou novo formato em 2021, com o Festival SPFW+ Regeneração fortalecendo o trabalho de fomento realizados em todos estes anos, agora com uma agenda de atividades ao longo de todo o ano. A partir de quatro Encontros Criativos e seis Mentorias, foram selecionados 49 núcleos criativos por todo o país, procurando trazer uma nova inteligência aplicada a um empreendedorismo do século XXI.

E na prática, o que vimos durante o evento?

Desfiles em locais inspiradores como a Pinacoteca de São Paulo e o Museu de Arte Contemporânea em Niterói que abriram e fecharam esta edição, correria nos bastidores, filas na entrada dos desfiles, selfies durante as apresentações, aglomerações, famosos na fila A… Tudo igual, mas também, tudo diferente, com muita emoção e dedicação.

Falando na moda em si, vimos a valorização do produto brasileiro, dos tecidos naturais, da igualdade de corpos, gêneros e raças, da exaltação, força e resiliência após o período de crise (que ainda estamos vivendo, mas com um otimismo no olhar).

Contar histórias, trazer seu passado, memórias afetivas, inspirações vividas, suas comunidades, raízes, reciclar sobras de tecidos ou trabalhar o upcycling. Tudo serviu de referência para as próximas coleções, mais enxutas e assertivas.

Baska, por exemplo, grife nordestina de Filipe Luna e Ezequiel Carvalho e, agora com a presença do influencer Carlinhos Maia trabalhou somente com o linho de algodão, com destaque para a camisa, carro-chefe da marca, que trouxe ainda casacos com mangas removíveis, bodies, bermudas, calças soltinhas, moletons e vestidos, saias assimétricas, pantalonas, tops croppeds, todos no tom crú e com uma pegada natural.

Baska – SPFW N52
Foto: Marcelo Soubhia/ FOTOSITE

Santa Resistência, que desfilou dentro do Projeto Sankofa, buscou inspiração no Recôncavo Baiano e nas mulheres que movem o mundo da fé, do axé e do samba. Linda a mistura de cores, estampas que lembram a região, florais, trançados, além de flores aplicadas, rendas e o laise. O tie dye veio no laranja e verde do conjunto de terno e calça em sarja de algodão. Muitos vazados, decotes e tops croppeds permeiam a estação.

Outra marca que valorizou a cultura brasileira foi a Meninos Rei com a coleção “Salve o povo de rua” e um mix de padronagens africanas enaltecendo o dia da Consciência Negra e suas raízes, antepassados e a nova geração.

O feito à mão e o artesanal também estiveram presentes nas passarelas dessa edição. Diretamente da Bahia, o Ateliê Mão de Mãe trabalhou com crochês em diferentes modelos como calças e casacos listrados, tops, biquínis, saias e vestidos com vazados.

Já Ronaldo Fraga traz a coleção “Entre tramas e beijos” criada em 100% jacquard, com fios de algodão, seda, linho e viscose, tecendo conexões entre a história da indústria têxtil, a história do Brasil, e as histórias de todos nós.

Santa Resistencia

Handred Studio buscou inspiração na obra de Francisco Bernnand e trouxe tonalidades de branco, beges e o dourado em tecidos naturais, adamascados, desenhos vazados e formas soltinhas.

E como a moda não vive somente de uma tendência, o evento foi palco ainda de muito brilho, formas amplas, um apelo rocker e clubber. Walério Araújo foi buscar inspiração em diferentes referências dos anos 90 e 2000 com a coleção “Noite Ilustrada”, em alusão à coluna jornalística da época, celebrando seus 30 anos de carreira.

Peças vintage foram trabalhadas através do upcycling onde entram a alfaiataria em tons e cinza, branco e preto pontuados pelo couro, bordados, pedrarias, aplicadas, brilhos e o paetê no dourado. Vestidos transparentes e ternos em algodão ganham pérolas salpicadas em variados tamanhos e estilos. Tudo muito festivo, de olho nas festas e encontros que virão.

Jeanswear

Az Marias que tem como objetivo fazer roupas para mulheres de corpos reais sempre valorizando a força feminina, trouxe seu slow fashion inspirado na intelectual Lélia Gonzalez com referências aos anos 70 em peças que mesclam o conceito artesanal das franjas à sarja marrom (tecido da Vicunha) em conjuntos cargo com mix de tecidos, calças funcionais com zíperes removíveis e jogger com elástico para os meninos. O black denim somente amaciado ganha costuras contrastantes na jaqueta com vazados e bolsos frontais e na calça utilitária.

A marca Martins fez um mix com estampas inspiradas no folclore brasileiro, modelagens do Kabuki onde entram miçangas, florais, broches e casacos em pelúcia, em peças alegres e divertidas. O denim raw pode ser visto no macacão com shape oversized, barra virada e costura colorida.

Com a coleção “Cura”, a Apartamento 03 traz um novo momento após tempos sombrios, onde a natureza é essencial e tons de palha natural, vermelho, marinho, verde neon e rosa permeiam pijamas de seda estampados, vestidos plissados, alfaiataria em crepes full color e casacos, tanto em nylon, quanto em sarja. Entre os tecidos, destaque para as sedas acetinadas, crepes e a sarja 100% algodão da Santanense, desenvolvida exclusivamente para a marca.

Misci traz a coleção “Fuxico Lanches” em um mergulho nos bares e lanchonetes e toda a diversidade de pessoas que passam por lá.

Destaque para o jacquard com franjas em algodão orgânico, matelassê com a marca em alto relevo – incluindo um matelassê em fuxico feito em trabalho manual e cinturas irregulares e o jeans super leve, com pontos de luz no look all denim masculino com calça larguinha, top artesanal e camisa. Produções minimalistas em uma alfaiataria moderna mesclam-se às peças “handmade”.

Fonte: Vanessa de Castro | Fotos: Marcelo Soubhia/FOTOSITE