Suzano entra no setor têxtil ao lado de startup finlandesa

No último final de semana, a Suzano anunciou que irá adentrar no setor têxtil e passa a produzir fibra sustentável a partir de celulose, estreando em um mercado de mais de 100 milhões de toneladas por ano. A empreitada da empresa, que é considerada a produtora mundial de celulose de eucalipto, acontece ao lado da startup finlandesa Spinnova, uma joint venture que vai competir no mercado global de fibras têxteis.

A nova empresa irá construir sua primeira fábrica na Finlândia, mediante investimento de € 22 milhões (pouco mais de R$ 147 milhões) dividido igualmente entre as sócias, e entrará em um mercado de mais de 100 milhões de toneladas por ano.

O projeto tem como ambição a empresa se tornar um player relevante, competindo em custos, parâmetros técnicos e qualidade com o algodão e a viscose. E com apelo fortemente sustentável, já que o produto final é obtido a partir da celulose microfibrilada (MFC) – fibra de celulose reduzida a dimensões nano por processo 100% mecânico.

O novo tecido é fruto de inovação disruptiva e não leva químicos nocivos. Para a Suzano, representa a entrada em um novo negócio e o primeiro investimento industrial fora do Brasil. “Não é um produto de nicho. Queremos escala, temos custo e competitividade. Vamos jogar o jogo dos grandes”, afirmou o diretor de tecnologia e inovação da companhia brasileira, Fernando Bertolucci, ao portal Valor.

Um dos maiores nomes do varejo de moda mundial, a H&M anunciou ontem que vai usar a nova fibra têxtil. De acordo com o chefe da área de inovação da varejista, Mattias Bodin, a fibra “verde” da Suzano e da Spinnova deve aparecer em diferentes marcas do grupo.

Ainda de acordo com Bodin, a H&M tem a ambição de se tornar uma empresa 100% circular e, para tanto, tem testado materiais sustentáveis em todas as suas marcas.

Vale destacar que a capacidade de produção inicial não foi revelada por razões estratégicas. Porém, grandes marcas, de acordo com o diretor denovos negócios da Suzano, Vinicius Nonino, já testaram a fibra (que levará a marca Spinnova), com sucesso. “O mundo têxtil trabalha com ‘blends’. A meta é ganhar mercado e substituir outras fibras, até mesmo o poliéster, nesses blends”, completou.

A primeira unidade fabril da nova empresa será localizada na cidade finlandesa de Jyväskylä, onde também funcionam o centro de pesquisas e desenvolvimento da Spinnova, que atua na área de inovação em materiais, e uma planta piloto. O início de operação está previsto para o quarto trimestre de 2022, mas a expectativa é que toda a capacidade já esteja contratada até em 2021.

Na unidade, a Suzano vai construir uma fábrica de celulose microfibrilada que será convertida na fibra têxtil. Para abastecer essa fábrica, a Suzano embarcará celulose seca a partir de porto brasileiro para a Finlândia, onde a companhia já tem uma estrutura própria. O custo da etapa não foi revelado.

A Suzano adiciona à nova empresa, de início, a matéria-prima e seu custo competitivo – a celulose da companhia tem o menor custo de produção do mundo – e conhecimentos da operação industrial em grande escala, entre outras competências. A Spinnova, por sua vez, entra com a tecnologia que possibilita a obtenção da fibra têxtil a partir da celulose microfibrilada de madeira.

De acordo com o cofundador e principal executivo da Spinnova, Janne Poranen, a nova fibra têxtil é mais sustentável entre as disponíveis no mundo neste momento. “É extremamente importante que a Suzano seja a nossa parceria porque pode prover matéria-prima e em qualquer volume”, afirmou.  A produtora de celulose pode produzir cerca de 11 milhões de toneladas anuais de celulose mercado e seus cultivos são certificados.

A empreitada teve seu ponto de partida no ano de 2017 dentro da Fibria, que foi incorporada à Suzano no início de 2019, e a matéria-prima usada pela Spinnova em seus testes foi produzida na fábrica de Aracruz, no Espírito Santo, em uma unidade piloto com capacidade de duas toneladas por dia.

A ambição é chegar a centenas de milhares de toneladas“, reiterou Bertolucci.

Fonte: Redação | Foto: Reprodução