Tecnoblu traz histórias de grandes personagens do setor têxtil em live

Muito mais do que conhecer a história de grandes nomes que fazem parte da indústria têxtil no Brasil, aprendemos que humildade, brilho nos olhos, garra, determinação, superação e uma vontade incansável de trabalhar fazem parte da vida profissional e pessoal desses profissionais.

Neste cenário, a Tecnoblu Your ID decidiu promover uma live para apresentar trajetórias e opiniões de Anna Maria Kuntz, conselheira da Vicunha Têxtil, Herbert Schimid, da consultoria Gherzi Brasil, e Vicente Donini, presidente da Marisol. A transmissão ainda contou com apresentações da banda catarinense Soul in Groove, com músicas escolhidas pelos convidados – confira na íntegra.

Anna Maria Kuntz, que nasceu na Itália, tem no DNA o amor pela indústria têxtil, mercado que seu pai também trabalhou. Já no Brasil, começou sua carreira na Velnac, especializada em veludos, foi para a Vicunha em 1985 e por lá, acompanhou o início da fabricação do tecido denim.

“Vi crescer também o mercado confeccionista do jeans e pólos no Ceará, Pernambuco, Goiás, Santa Catarina e São Paulo, e todo o desenvolvimento do Brás”, afirma Anna Maria. Depois de 34 anos, deixou o cargo de diretora executiva comercial para integrar o conselho de administração no qual está até hoje e onde é conhecida como a “Rainha do Jeans no Brasil”.

“Ajudei a desenvolver a cultura do jeans no Brasil, eu acho que foi um período maravilhoso de crescimento. Levei o produto brasileiro para fora do país, conheci muitos clientes e muitas culturas”, acrescentou Anna.

Já Herbert Schimid nasceu na Suíça e começou sua carreira em uma produtora de teares, aprendendo processos, montagens de máquinas e, posteriormente, foi para o departamento econômico. Em 1974, veio para o Brasil trabalhar na Santista Jeanswear e, em 1986, foi convidado para ser CEO da empresa. Atualmente, mantém sua consultoria para a indústria têxtil.

Vicente Donini começou a trabalhar bem cedo como “faz tudo” em uma empresa. Depois de 30 anos, seguiu para a Marisol, criada por seu irmão. Em 2008, assumiu a presidência. O executivo foi o responsável por promover diferentes transformações na empresa que passou de uma grande malharia para indústria do vestuário onde começaram a atender nichos diversificados.

Criaram as marcas Lilica Ripilica para as meninas e o infantil masculino Tigor T. Tigre, que fazem sucesso também em desenhos na TV e histórias. Além disso, inseriram a Marisol no varejo com franquias. “Sou um eterno aprendiz. Pessoas ocupadas sempre encontram tempo para fazer mais alguma coisa. Só faço o que eu gosto e gosto de tudo o que eu faço”, comentou Vicente.

E continua: “Estamos nos exercitando para compreender o novo normal e superar os desafios. Seguimos em frente fazendo nossas escolhas e o tempo vai julgar se fizemos corretamente ou não”.

Indústria têxtil

Para Anna Maria Kuntz, a indústria mescla tecnologia e criatividade e o Brasil é muito forte em vários segmentos como o denim, malha, homewear, fitness.

“Temos a maior cadeia têxtil do ocidente, desde as fibras naturais, sintéticas, artificiais, fiações, tecelagens, beneficiamento, acabamento, confecção, varejo – somos uma cadeia completa”, disse Anna, acrescentando que o Brasil é privilegiado no cultivo do algodão, sendo o segundo maior exportador do mundo, além de ser sustentável, pois não precisa de uma irrigação artificial.

O segmento do jeanswear também é muito forte no país, em design e produção. “Somos o quinto maior exportador de denim no mundo. Brasil é o quarto maior produtor de confecção do mundo”, apontou a conselheira da Vicunha, que complementou que o jeans é o tecido mais democrático, e versátil.

Cadeia produtiva

Herbert apresentou alguns dados da cadeia que consumiu em 2019, 100 milhões de toneladas de fibras, 2/3 vestuário e home, 1/3 tecidos técnicos e não tecido. Para 2020 a projeção é de uma redução de 20%. Segundo ele, atualmente vende-se mais filamentos e esta tendência vai continuar, assim como os não tecidos. O profissional destacou também que o processo do poliéster é mais curto (seis meses) e do algodão dura mais (mais ou menos 12 meses).

“A grande transformação desde que começou o tear mecânico até hoje foi a tecnologia. Seguramente, a transformação agora começa com o consumidor. Ele que vai dizer o que vai querer. Tecnologia, inovação e sustentabilidade é o tripé da indústria têxtil”, comenta Herbert.

O especialista acredita que os consumidores que influenciam o mercado como os millennials, são mais preocupados com os processos ambientais, a indústria 5.0 incluindo a inteligência artificial, a conectividade e novas fibras.

Denim City São Paulo

Segundo Herbert, o projeto da Denim City SP é “grandioso e deve fazer com que o mundo olhe mais para o Brasil, para esta cadeia completa”. Os benefícios podem atingir o país tanto do ponto de vista acadêmico, quanto nos processos.

Para Ana, a Denim City SP vai ajudar a colocar o Brasil muito mais em evidência. O que falta para o Brasil são acordos comerciais que deveriam ser mais amplos.

Vicente Donini vê a ideia da Denim City SP é uma conexão fenomenal, um ambiente conectado do mundo do jeans. “Ninguém basta a si mesmo, essa história de concorrente não existe, são colegas do mesmo setor e naturalmente cada um disputa seu naco de mercado, a competição é saudável, faz a gente acordar mais cedo mas é muito importante que as partes se unam para construir um todo melhor. O coletivo é mais importante do que o individual”, comentou.

Projeto da Denim City SP durante live da Tecnoblu

Valores e futuro

Vicente ressaltou que uma “boa governança” impõe um ritual mas precisa fazer parte da empresa, como uma cultura que se dá de forma natural, com foco ainda na transparência.

“Temos que disponibilizar as informações para todos, sem exceção, tratamento igual e prestação de contas para todos, além de responsabilidade corporativa que desencadeia na sustentabilidade. Ninguém é auto-suficiente, dependemos uns dos outros. Boa governança não depende de tamanho de empresa. Nosso comportamento é que marca profundamente”, afirmou o presidente da Marisol.

Para o futuro, o Herbert acredita que haverá fusões mais regionais do que internacionais e que a palavra do momento é conectividade, onde a velocidade pode trazer um diferencial muito grande.

Anna Maria Kuntz apontou que é importante que as indústrias tenham a consciência da produção no Brasil, e que isto chegue ao consumidor, valorizando a nossa moda, o produto nacional. “Talvez esse momento seja para repensar suas escolhas, para repensar uma moda brasileira que por extensão vai gerar mais empregos, mais produtividade, vai dar muito mais força à nossa indústria têxtil”, afirma.

“Quem tem as informações, os dados e os números vai vencer. Estamos à disposição para fornecer. A mesma coisa que vale para a família vale para a indústria. É o nosso pilar, temos que nos juntar para vencer. A velocidade para sair dessa crise equivale exatamente a velocidade em unirmos para sairmos juntos dessa”, disse Herbert. “Sem humildade não tem futuro para os líderes. O futuro é do time, se não juntarmos as forças da cadeia não teremos chance de superar essa crise”, acrescentou.

“Nós estamos numa crise sanitária e política, mas vejo uma saída para tudo isso, cada um fazendo sua parte. Estou confiante […] Vamos pegar o jeitinho brasileiro com foco na criatividade para sair dessa crise. Enfrentamos outras crises e superamos. O brasileiro tem essa motivação”, comenta Anna Maria.

“A sociedade brasileira não pode pagar as consequências desse desencontro, de cada qual querendo mandar no Brasil, nós dependemos das instituições. Temos que começar a trabalhar de forma coesa e reunida para reconstruir nosso país tão machucado. Nós empreendedores, não temos o direito de jogar a toalha, temos que perseverar, e se tem uma coisa que me assusta não é o trabalho, o que me assusta é o ócio, é não ter o que fazer. Temos que lutar com todas as nossas forças […] fazer uma defesa para indústria nacional, criando as condições para sermos competitivos de igual pra igual e sair a luta para vencer nesse mercado que vai ser muito disputado, porque o mercado mundial como um todo encolheu e vai ter uma enxurrada de ofertas de produtos. Temos que sair melhor do que entramos para ser mais competitivos e fazer uma campanha para valorizar o produto brasileiro”, finalizou Vicente Donini.

Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Reprodução