Têxteis se unem contra embargo do algodão indiano

Diversas associações têxteis dos Estados Unidos, União Europeia, Turquia e México estão unindo-se em uma ação contra o governo indiano por este restringir as exportações de algodão e contribuir para a escassez global, disparando assim os preços da fibra. São várias as associações que reivindicam que a Índia quebrou as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e defendem que o País deve ser responsabilizado, pois suas medidas têm causado alvoroço nos mercados mundiais. Esta posição foi assumida em uma carta conjunta enviada no fim de outubro para a Comissão Europeia e seus respectivos governos.


As associações NCTO, Eurocoton, Canaintex, TTEA e ITKIB citaram um padrão ilegal de restrições à exportação de algodão que o governo indiano impôs desde o mês de abril, e alegam que as medidas indianas têm contribuído para a escalada do preço do algodão para os produtores de têxteis em todo o mundo.


Desde que a Índia começou a restringir suas exportações da fibra, o preço aumentou quase 100%, passando de 62 centavos de dólar por libra para 1,20 dólares por libra – batendo máximos históricos nas últimas semanas. A medida coincidiu com a redução da oferta mundial da commodity face à crescente procura e a culturas fracas em diversos grandes produtores.


Segundo maior exportador mundial de algodão, a Índia está beneficiando-se de uma das suas maiores colheitas de algodão da história, mas baniu drasticamente as suas exportações nos últimos seis meses. “Nestas circunstâncias, a concorrência é seriamente distorcida”, afirmou Hacoit Benoit, presidente da Eurocoton. “Como resultado, nossos clientes têxteis europeus são confrontados com opções difíceis. Eles são obrigados a pagar preços proibitivos na fibra e sofrem maior concorrência dos produtos transformados importados para a UE com menor preço, vendo-se assim obrigados a reduzir os seus custos, deslocando as suas instalações de produção e empregos para fora da Europa, ou simplesmente fechando as portas”.


David Garcia, presidente da Cámara Nacional de la Industria Textil (Canaintex) do México, afirmou que o governo indiano está claramente violando as regras da OMC e deve ser responsabilizado: “Os produtores de têxteis no México não devem ser forçados a pagar preços exorbitantes pelo algodão porque a Índia está subsidiando ilegalmente a sua indústria nacional através de proibições e restrições à exportação”, apontou.


Cass Johnson, presidente do National Council of the Textile Organizations (NCTO) dos Estados Unidos, também revelou que pela primeira vez na história, as fábricas dos EUA estão preocupadas com a falta da fibra, pois as medidas indianas têm contraído o fornecimento mundial e causado pânico nas compras. “Os grandes produtores têxteis estatais chineses estão agora pagando qualquer preço para assegurar o algodão. Essas ações estão colocando em perigo o que tinha sido uma recuperação robusta da indústria têxtil dos EUA”, finalizou.


As associações salientaram ainda que as fábricas se deparam ou com a perspectiva de preços extremamente elevados do algodão, ou de ficarem completamente sem fornecimento da commodity. “De qualquer maneira, nossas fábricas não podem sobreviver com este cenário por um longo período de tempo”, afirma a associação de empresas. Elas estão incitando seus respectivos governos a enviarem uma mensagem mais eficaz à Índia: o País não deve restringir ou atrasar a exportação do seu algodão nos mercados mundiais.

PORTUGAL TÊXTIL | FOTO: REPRODUÇÃO