Turquia é segunda colocada em ranking de vestuário de 2022

Em ranking de países fornecedores de vestuário para considerar em 2022, a Turquia apareceu na segunda posição, ficando abaixo apenas do Vietnã. A lista, elaborada pelo Just Style com base em dados do Apparel Intelligence Center da GlobalData, conta com Peru e China em terceira e quarta colocação, respectivamente.

O ranking resulta da análise aos 27 principais países de aprovisionamento de vestuário a nível mundial – de onde Portugal está excluído – e tem em conta 15 fatores: a possibilidade de trabalhar em sistema FOB (Free On Board); preço; vantagens alfandegárias; responsabilidade/sustentabilidade; qualidade da produção; eficiência; lead time; fiabilidade; capacidade para criar produtos básicos; estabilidade financeira; integração vertical/capacidade de aprovisionar novos materiais; estabilidade política; flexibilidade de quantidades por encomenda; inovação e capacidade de desenvolver produtos com os compradores; e capacidade de criar produtos de valor acrescentado.

Para conquistar a liderança, o Vietnã conquistou 59 em 75 pontos possíveis. “O país é continuamente o mais estável no sudeste asiático e é esta história de estabilidade que o coloca no topo da maior parte das listas mundiais”, aponta o Just Style.

O Vietnã beneficia ainda de vários acordos internacionais, nomeadamente o acordo de comércio livre com a União Europeia, que exigem o cumprimento ao nível de questões como propriedade intelectual e direitos humanos. Desde a sua transição para a economia de mercado em 1986, o país desenvolveu uma das economias mais dinâmicas na região, emergindo como uma potência mundial na produção e exportação, sendo o vestuário um dos seus pilares – a indústria de vestuário, que emprega cerca de 2,5 milhões de pessoas em 6.000 fábricas, é a segunda maior exportadora do Vietnã (quota de 19%), a seguir aos equipamentos eletrônicos, tendo quase atingido a meta de 60 mil milhões de dólares em 2019.

“O investimento direto estrangeiro ajudou a melhorar as infraestruturas e apoiou uma cada vez maior transferência de conhecimento. As exportações devem continuar a ter uma boa performance, sobretudo à medida que o país assina mais acordos de comércio preferencial”, refere o Just Style.

Já a segunda colocada Turquia atingiu uma pontuação de 58 em 75, apenas menos um ponto do que o Vietname, tendo ocupado o lugar cimeiro em critérios como a possibilidade de trabalhar em sistema FOB, qualidade de produção, capacidade para criar produtos básicos, integração vertical, inovação e capacidade de desenvolver produtos com compradores e capacidade de criar produtos com valor acrescentado.

“A Turquia tem uma mão de obra altamente qualificada“, salienta o Just Style, que realça ainda a “vasta gama de possibilidades de produção, incluindo básicos, que continuam a representar a maioria das suas exportações de vestuário”.

Além disso, o país “está registrando um interesse crescente de marcas europeias” e “introduziu tecnologias que irão melhorar a sua posição no mercado de gamas mais baixas”. O fato do governo estar empenhado em melhorar as infraestruturas do país, nomeadamente a ferrovia, que deverá proporcionar entregas mais rápidas na Europa, poderá “mitigar parcialmente os aumentos dos custos com o trabalho e as matérias-primas”, indica o Just Style.

O Peru ocupa a terceira posição, com 55,5 pontos, sendo o único país da América do Sul a entrar no top 10. Entre as suas forças estão as vantagens alfandegárias, qualidade de produção, lead time e integração vertical.

“O Peru é largamente conhecido pela sua produção de elevada qualidade e lead times que podem ser tão curtos como 30 dias, dependendo do tamanho e sofisticação do produtor”, destaca o Just Style. A indústria de vestuário do país emprega cerca de 130 mil pessoas e tem crescido junto de clientes que procuram a sua rica herança têxtil, nomeadamente marcas americanas – um mercado onde os produtores peruanos têm tido uma forte expansão.

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Egito e Marrocos na lista

O quarto lugar é ocupado pela China, com uma pontuação de 54, impulsionada por excelentes prestações em critérios como FOB, integração vertical, rapidez, eficiência e fiabilidade.

“A China tem recursos internos, de matérias-primas, infraestruturas, tecnológicos e humanos que lhe permitem controlar as cadeias de aprovisionamento, de produção e de valor”, resume o Just Style, que afirma que apesar das interrupções da cadeia de aprovisionamento relacionadas com a pandemia e das tensões comerciais com os EUA, “o país continua a ser apelativo para os compradores de vestuário, já que o aumento dos salários é compensado por ganhos de eficiência e produtividade através de tecnologias de produção avançadas”.

No quinto lugar surge El Salvador, seguido do México e, no sétimo lugar, do Egito. Este último, com uma pontuação de 51, destaca-se pelo lead time e por oferecer o sistema FOB, com uma produção que vai do vestuário formal ao denim e básicos em algodão.

“Uma grande vantagem de usar o Egito como um destino de sourcing de vestuário é o seu lead time médio, que varia de 30 a 75 dias. Alguns produtos podem estar prontos a enviar em apenas 12 dias e as amostras podem estar preparadas numa semana”, explica o Just Style, que acrescenta que os tempos de trânsito são igualmente curtos, podendo ir de seis a 12 dias para a Europa e de 12 a 30 dias para os EUA.

No oitavo lugar surge a Guatemala e, no nono, Marrocos. Com 50,5 pontos, Marrocos conseguiu a maior pontuação em critérios como a capacidade para produzir produtos básicos, mantendo-se como um produtor de básicos de elevada qualidade a um custo razoável. “A estratégia de crescimento do país inclui planos para explorar esse nicho e o país está focado na produção de básicos com baixo valor acrescentado, embora tenha capacidades de produção de elevado valor acrescentado”, sublinha o Just Style.

De acordo com os dados da GlobaData, Marrocos contabiliza 1.200 fábricas com 190 mil trabalhadores dedicados à produção de vestuário, com 75% das exportações de vestuário a incidirem em vestuário formal e casualwear, colocando o seu valor por peso e volume entre os mais elevados do mundo.

Etiópia e Myanmar em queda

A última posição no top 10 é ocupada pela Tailândia, com uma pontuação de 49,5, tendo como mais-valias a inovação e capacidade de desenvolver produtos com os compradores, possibilidade de oferecer FOB, qualidade de produção, lead time, fiabilidade, capacidade para criar básicos e integração vertical.

Já nos últimos lugares da lista completa dos 27 países surgem a Etiópia (25.º lugar, com 33 pontos), o Haiti (26.º lugar, com 25 pontos) e o Myanmar (27.º lugar, com 18,5 pontos), devido sobretudo “à instabilidade política e incerteza em 2021”.

Fonte: Portugal Têxtil | Fotos: Reprodução