Versão latina da sustentabilidade define a 32° edição da Colombiatex

Uma das palavras mais pronunciadas no mercado da moda mundial está incorporando ao seu sotaque um certo “jeito latino”. A sustentabilidade foi a grande protagonista da 32° edição da Colombiatex de Las Américas, com tendências voltadas para o Verão 2021. O evento teve início no último dia 21 de janeiro e chegou ao fim nesta quinta-feira, dia 23, na cidade de Medellín.

Estande da Vicunha, na Colombiatex 2020

Para consolidar esta intenção, a feira que conectou mais de 52 países distribuídos entre cerca de 530 expositores e atraiu uma média de 15.300 compradores, segundo declarações oficiais, ampliou de 17 para 57 as companhias participantes da “Ruta de Sostenabilidad”. A iniciativa, que começou tímida no ano passado, tomou visibilidade com direito a cerimônia de inauguração oficial sublinhando sua relevância.

Não que apenas as companhias nela listadas tivessem algo a dizer sobre práticas ambientais e sociais mais louváveis, mas a sinalização e ênfase tornou mais visível a crescente ambição da cadeia latina em se alinhar às exigências de competitividade internacionais.

“Nesta edição, os protagonistas serão as inovações nos processos, a sustentabilidade e as práticas sociais”, afirmou Carlos Eduardo Botero, presidente executivo do Inex Moda, na cerimônia de abertura do evento.  “O objetivo da feira é reunir a cadeia mostrando as transformações que estão acontecendo”, explicou.

Na lista de estratégias do Inex Moda, Carlos citou ainda a busca por produtos com origem Colômbia, que de fato estavam mais enfatizados no evento, além da defesa comercial, e o contínuo combate ao contrabando. E como grata surpresa anunciou uma próspera aliança com a gigante alemã do fashion business, Messe Frankfurt, que irá outorgar a licença da sua marca Heimtextil para o grupo Inex Modal.

Na proposta de expor um panorama realista da adequação às exigências de sustentabilidade na América Latina. A visão do conceito praticado pelos integrantes do evento se mostrou fortemente relacionada à lógica do reaproveitamento de resíduos sólidos, do reuso de água e da limpeza do meio-ambiente, por meio da inclusão de produtos obtidos a partir da reciclagem de garrafas pet.

Entre as companhias locais que ganharam mais visibilidade na 32º edição da Colombiatex de Las Americas devido as práticas sustentáveis, destaque para a Fabricato. A companhia levou a imprensa para conhecer suas instalações, divulgando feitos notáveis, como o percentual de 65% na reciclagem de água, e recuperação de fibras e destino de resíduos sólidos.

“Controlamos nossa emissão 24 horas por dia e nos últimos anos investimos mais de cinco milhões de dólares em inovação ambiental […] Nossa ambição é transformar os 65% de reaproveitamento de água em 100%”, comentou o brasileiro Luis Martins, representante de vendas da Fabricato.

Já a Colombiana Enka, produtora de linhas e filamentos, foi mencionada como referência na transformação de garrafas pet em produtos têxteis. “Estamos lançando filamentos pós consumo cuja produção dá um novo destino a 13 milhões de garrafas pet por dia”, afirmou Jorge Andres Enka, chefe de setor financeiro da companhia. Coltejer, Fabricato, assim como as tecelagens brasileiras Santista e Santana, foram mencionadas como “consumidoras” da fibra de poliéster resultante do processo.

A espanhola Jeanologia, incluída com destaque no mix de empresas eco-friendly sublinhadas pelo evento, divulgou o compromisso com a desintoxicação e desidratação da indústria da moda. A empresa indicou o G2Dynamic+laser+ozônio como o caminho mais atualizado para o avanço, uma solução que ganhou adesão de diversas companhias listadas no evento.

No quesito conveniências para o nosso setor, destaque para a disponibilização para o mercado latino do fio Regen, da Hyosung, 100% reciclado a partir da otimização do pós consumo. Também o 3DMax, elastano superior com melhor retorno, estabilidade e que dispensa o uso de poliéster na composição. Já no estande da Creora, a Mactec apresentou o processo Smart Foam, que economiza até 80% no uso de água através da aplicação de produtos químicos mais sustentáveis, desenvolvidos pela Garmon através do uso de espuma como tecnologia para o acabamento.

Desfiles, palestras debates e Denim Day integraram o ciclo de atividades da Colombiatex de Las Americas, que continuou grandiosa e movimentada – mesmo com alguns momentos de calmaria forçados pelo tempo chuvoso, que desencorajou por breves intervalos, a circulação entre os pavilhões. Nomes influentes para o nosso setor, como a fabricante Orta Anadolu, Kaltex, Lycra, Artistic Milliners integraram o mix de tecelagens.

O Brasil continuou representando um mix forte, presente principalmente nos pavilhões branco e amarelo, com as tecelagens  Canatiba, Vicunha Têxtil, Santana Textiles, Santanense, Santista Têxtil, Covolan, Jolitex, Cedro Têxtil, Capricórnio, Nicoletti, Cataguases e Santaconstancia.

Novamente o agrupamento se fortaleceu como um fornecedor, tendo muitas vezes como clientes distribuidores latinos presentes na própria feira, que buscavam nas variedades de denim pesado um sinônimo de qualidade. Em sua maioria, as tecelagens trouxeram o mesmo mix colocado para o mercado nacional, assegurando a sintonia entre as preferências de moda do Brasil em comparação com os demais mercados latinos.

Entre as tendências consenso nas empresas latinas, destaque para os índigos trabalhados de forma mais dramática em pontos de luz e rasgos, estilos mais numerosos nos mostruários. Também os aviamentos de metais com formas orgânicas em argolas e acessórios.

Mas, principalmente, a nostalgia das décadas recentes dos anos 70, 80, 90 e 2000, tão identificada nas feiras mundiais, que ditou até mesmo o layout de muitas coleções como a da Poljean, que dividiu a apresentação dos seus tecidos em peças acabadas, contemplando exatamente estes períodos. Fits como o baggy, clochard, somado às pantalonas, emergem como grandes procuras.

O denim mais pesado, com elastano superior, continuou vigorando como principal busca da feira. E as peças essenciais, em versões de algodão cru ou trabalhadas em efeitos aquarelados multicoloridos, estas protagonizaram uma tendência forte. Sendo ela mais acentuada na América Latina, que vislumbra no branco a elegância, na luminosidade o frescor e na nuance natural do algodão um eco de sustentabilidade que já começa a ser compreendido e apreciado pelos consumidores representativos dos mercados reunidos pelo evento.

Fonte: Vivian David | Fotos: Equipe Guia JeansWear